domingo, 25 de agosto de 2019
Nada Pop

Uma noite de cervejas IPA com as bandas Wiseman, Color for Shane, Versus Mare e Rocket Bugs

É difícil escrever com a cabeça ressacada e com a sensação de que bebi mais do que deveria (ou poderia). A bem da verdade é que fui forçado a sair de casa, se não saísse seria a segunda vez – em menos de um mês – que cometeria uma mancada com o César Passa-Mal, que havia convidado para ir no show do Gritando HC, lá no Espaço Som, realizado no último sábado de julho, mas não fui (queimei a largada em casa e estava sem condições). Agora, o convite para ir na Brewdog, neste primeiro sábado de agosto, para assistir uns shows e beber.

Obviamente, “ser forçado” foi uma mera expressão, resolvi ir para dar valor as amizades, principalmente quando essas amizades nos convidam para beber. Aliás, o Passa-Mal (a história desse apelido é mais simples do que se imagina) é integrante das bandas A Creche e Lomba Raivosa, ambas malucas. Se não conhece, procura por elas depois no Facebook e YouTube.

Saí às 18h30 da Zona Norte, peguei um ônibus até o metrô Santana, fiz baldeação na Linha Amarela e desci na estação Fradique Coutinho. Uma garoa fina e a preguiça de andar uns 20 minutos até o local me fez chamar um UBER. Foram 8 minutos de carro com uma motorista simpática, falamos sobre vegetarianismo e cigarros. Não me pergunte como chegamos nesses temas, pois nenhum de nós era vegetariano ou fumante.

A Brewdog fica na Rua Coropés, em Pinheiros, de frente para o Instituto Tomie Ohtake. Burro que sou, descobri que deveria ter descido na estação Faria Lima, seria mais perto para ir a pé. Vivendo e aprendendo.

Encontrei o Passa-Mal lá dentro do bar, na verdade, é um bar-restaurante. O local impressiona, não por ser grande, mas por ser tudo muito bem organizado. Até que é grande, mas não fiquei analisando muito o local. Estava mais interessado em saber que tipo de cerveja tinha disponível. Thiagones, do Wiseman, enviou uma mensagem pouco antes dizendo que lá tinha cerveja boa por um preço justo. O que pra mim era algo impressionante, pois há tempos não ouvia essas quatro palavras juntas na mesma frase: cerveja boa + preço justo.

Pedi uma cerveja de nome “Tarantino”, uma IPA. Mal sabia, mas seria a primeira de muitas naquela noite. Me dei conta de que até agora não disse nada sobre o evento e nem sobre as bandas… putz, foi mal. Vamos lá.

O evento era o Brewdog IPA Day 2019, destacando mais sobre essas cervejas do estilo India Pale Ale (IPA), que surgiram das Pale Ales inglesas. Como fiquei sabendo um pouco e o próprio evento contou, para preservar o sabor das Pale Ales na viagem da Inglaterra para as Índias, os ingleses elevaram o teor alcoólico e adicionaram mais lúpulo. Por isso elas são famosas por seu amargor, sabor e aroma de lúpulo acentuado.

Existem três estilos de IPAS: English India Pale Ale (feito com lúpulos ingleses), a American India Pale Ale (feita com lúpulos americanos) e a Imperial IPA/Double IPA (mais forte que as demais IPAs com sabor e aroma de lúpulo evidente). Se escrevi alguma bobagem e se tem mais estilos de IPAs, deixa aí nos comentários para ajudar os amiguinhos.

Além dos “shows das cervejas”, o evento também iria contar com a apresentação das bandas Versus Mare, Rocket Bugs, Wiseman e Color for Shane. Quando cheguei, o show já estava rolando, cumprimentei o Passa-Mal, o Thiagones, o Rafa (do Color for Shane) e o Adonis e o Gui (Versus Mare).

Wiseman durante o show na Brewdog – Foto: Mauricio Martins (é, eu sei que tá horrível a foto).

Quem estava tocando era a Rocket Bug, confesso que não conhecia, mas estavam matando a pau e tocando um rock tipo The Vines com Nirvana. Fiquei impressionado com a qualidade dos caras ao vivo. Antes do show terminar já estava na segunda cerveja.

Após o show, fui para a banca do merch olhar o que estava à venda. Ganhei do Adonis o “Cordilheira”, o mais recente trabalho da Versus Mare. Ele me contou que já tinham tocado, fizeram um set acústico, pois o Rômulo – batera da banda – estava impedido de tocar por recomendações médicas. Ele estava com sarampo! Por isso, fica a dica aí para quem acha que sarampo só se pega quando é criança, vacine-se!

Uma coisa interessante sobre a Versus Mare é que o Adonis e o Gui eram integrantes da Jack’s Revenge, uma das bandas mais promissoras dessa década que por uma grande tristeza do destino acabaram encerrando as suas atividades – se não me engano – após dois ou três álbuns/EPs. Com a minha terceira cerveja em mãos, Adonis me contou bastidores daquela época. Ou me recontou, pois a minha memória é uma porcaria. Certamente a Versus Mare mantém o mesmo nível, basta ouvir esse novo trabalho dos caras.

Logo depois do show da Rocket Bugs, foi a vez do Wiseman. Certamente o convite feito para a banda tocar no Oxigênio Festival desse ano não foi à toa. O que vi me deixou muito impressionado, não só pela apresentação cheia de energia, mas pela técnica do grupo que estava com um entrosamento impecável. Foi um show focado no álbum “Mind Blown”, lançado em 2018 – leia nossa resenha sobre esse trabalho e a entrevista polêmica do Thiago clicando AQUI.

O duo Color for Shane – Foto: Mauricio Martins

Entre as músicas apresentadas estavam “Shut Up and Listein!”, “Factory Floor” e “Ballistic”, o que pra mim foi ótimo, pois são as minhas preferidas. Claro que, durante a quarta cerveja, não pude deixar de gritar um “toca Hazel” para o Thiagones. Espero mesmo que eles incluam “Dayglo” no repertório um dia desses. Destaque para o batera Luiz Chagas, que arrancava um som pesado da bateria com gestos simples, ao contrário de muitos bateras por aí que parecem querer chamar a atenção de todas as formas possíveis, com gestos, caretas e firulas totalmente desnecessárias. Talvez o Wiseman já esteja pronto para novos voos além do Brasil.

Por fim, uma das melhores bandas, ou melhor, o duo do Color for Shane seria a última apresentação da noite. Rafael Pires com a simplicidade de sempre, o mais gentil de todos nós, e o batera Henrique, que sempre fica na dele, fizeram um ótimo show. É difícil pensar em uma apresentação ruim do Color, o Rafa é um dos guitarristas mais criativos do cenário independente e o último álbum “Not an Embryo” é a prova disso. Claro que os caras divulgaram singles depois desse trabalho, mas é tanto lançamento que considero mais fácil indicar o Spotify deles.

Não lembro agora se estava na sexta ou sétima cerveja, o show acabou e me sentia anestesiado pelo álcool, por bons shows e boas companhias. Me senti feliz por ter aceitado o convite e a certeza de que preciso deixar a velhice de lado e ver mais bandas, pois aqueles shows eram uma mostra da qualidade das bandas que temos por aí. Claro que depois ficamos conversando, jogando conversa fora e pensando em tudo o que havia sido feito naquela noite e lugar. Voltei para a casa de UBER, não lembro ao certo como troquei de roupa antes de dormir.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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