segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Nada Pop

Uma entrevista Pornô. Arte e insurgência com General Sade

Porno Massacre – Que Venha o Caos! Foto: divulgação

“Que Venha o Caos”, novo álbum da Porno Massacre chega nessa semana com a mesma iconoclastia e insurgência de seu antecessor (The Great Porno Massacre Adventures, Vol. 1 ), lançado em 2016. A diferença está no peso das guitarras e na raiva e festa misturadas nas letras que são sem dúvida nenhuma uma das marcas principais da banda. Isso é, dentro de um estúdio, pois no palco a performance – aliada a música – ganha um outro papel e se torna um dos principais atrativos do grupo que conta em sua atual formação com General Sade nos vocais, El Diablo Loco na guitarra base, Aiatolah na guitarra solo, Little Lúcifer no baixo e Black Nail na bateria. Personagens assumidos, mas sem qualquer fake news em relação a música e que se propõem a criar um universo particular no qual todos nós somos convidados a participar.

Sinceramente, o primeiro show da Porno Massacre que assisti foi um mistura de queixo caído com curiosidade, ao mesmo tempo que ficava impressionado com os caras em cima do palco, meu interesse por descobrir esse mundo musical da banda trouxe a sensação de que realmente estava presenciando algo único, poucas vezes imaginado e que se transformou em uma experiência inebriante e muito avassaladora.

Com o álbum disponível já nessa segunda-feira (21), mas com uma festa mega especial de lançamento já marcada para o próximo sábado (26), aproveitamos para conversar um pouco com a aquele que se intitula General Sade e vocalista da banda. Um bate-papo muito especial que você confere abaixo.

Claro, não deixe de curtir a página do grupo no Facebook e principalmente procurar pelos caras no YouTube, entre outras mídias digitais.

Capa do álbum “Que Venha o Caos”, da Porno Massacre

NADA POP – Uma das grandes certezas em relação a banda é sobre as performances durante o show. É uma experiência visual impactante nas apresentações ao vivo. Mas até que ponto vocês gostam de surpreender e instigar o público? E o quanto o rock está conservador, em sua opinião, atualmente?

GENERAL SADE: A performance sempre foi um caminho natural. Eu sei trabalhar com o que tenho, minha formação é o teatro e estudei algum tempo performance, independente da música. Fazia performances na rua, em eventos (tem até uma que vira e mexe aparece numas páginas reaças com a minha foto e alguns comentários não tão lisonjeiros, mas é muito gratificante. Poucas coisas alegram tanto o dia como irritar coxinhas – risos).

Ouça o álbum “Que Venha o Caso”, da Porno Massacre. Só apertar o play!

Pois bem, não tenho formação em música. Na verdade, estudei por muito pouco tempo piano e foi só. Tudo o que componho, seja em parceria ou só são coisas meio intuitivas com os conhecimentos rudimentares que tenho.

No entanto, no teatro sempre aprendemos sobre como instaurar uma atmosfera. Criar uma realidade outra, a realidade apartada daquela do dia a dia, mas não menos verdadeira. Então a banda busca muito isso os shows devem ser experiências. Completas. Se conseguimos? Creio que às vezes sim. Outras nem tanto, mas isso é o fascinante, lidar com essas nuances imponderáveis.

Se não fosse assim, não valeria a pena. A surpresa sempre tem que estar presente e a busca por isso é constante. E não necessariamente pelo choque que cause ojeriza, mas pelo choque que gere questionamentos, sentimentos diversos, mas sempre numa relação de proximidade com quem está assistindo. Não esfregamos a performance na cara afastando quem nos assiste. Pelo contrário, é uma atitude bem mais do: “vem com a gente, você é um(a) dos(as) nossos(as)”. Mantemos muitas vezes o formato do show porque muitas pessoas ainda não o viram.

O rock é um campo bem diverso pra afirmar categoricamente que ele está conservador. Creio que tem muita gente fazendo coisas legais por aí. Mas também admito que ele precisa de proximidade e distância para mantermos uma boa relação com ele. Eu por exemplo não ouço rock a todo momento. Tem horas que realmente ele dá uma empapuçada e é a hora de ficar longe, senão tudo vai parecer mais do mesmo. Fico um tempo sem aparecer nos rolês, sem nem ao menos escutar em casa, até o ranço passar. Hahahaha…. depois volto e grito: “Como pude me separar de você? Eu te amo!” Hahahahahaha

General Sade – Foto: divulgação

NADA POP – Antes de continuar, tenho uma pergunta pessoal sobre o Datena (risos). Como foi a experiência em aparecer na TV e poder, mesmo que por alguns minutos, divulgar a banda e ainda ouvir um “gostei do som” dele. Você acha que ele gostou mesmo ou foi só simpático? Rs

GENERAL SADE: Eu adorei participar do Datena. Foi uma coisa maluca. Fiquei com a garganta seca pela pressão. A plateia toda estava contra mim, o candidato “roqueiro” (se referiram a mim assim na internet). Minha vontade era dar uma banana pra plateia. Isso sim. Kkkkkk

Eu caí por uma idiotice. Mas faz parte. Eu já fui pensando que não ia desistir, seria ou tudo ou nada… E acabou sendo o nada. Hahahaha

Tocar o som na TV foi legal, mas reconheço que não é o canal nem o programa. Aquilo não ajudou a gente em nada. O mais legal foi colocar um som nosso para pessoas que talvez nunca imaginariam que a gente existisse.

Mas é um meio muito conservador. Pra ter uma ideia eu escolhi eu mesmo fazer a minha maquiagem pra participar. No camarim eu fiz uma cruz vermelha de batom na cara. Inspirada nos quadrinhos chamados Crossed, do Garth Ennis (quem nunca leu, pare já essa leitura e corra lá agora. E depois volta aqui, claro. Hahahah). A maquiadora viu e achou “muito pesado” e pediu pra eu tirar. Eu refiz a maquiagem toda correndo e entrei com aquela cara, parecendo um lêmure. Hahahaha.

Crossed, quadrinho do Garth Ennis (essa foi a imagem menos agressiva que achei)

Ele disse que gostou, mas duvido, ele nem prestou atenção. Acho ele um cara bem arrogante e que faz o discurso do “justiceiro”. Tá na mesma categoria que o Ratinho ou o Alborghetti. Não acho que esse discurso ajude em nada nossa sociedade. Só gera medo, paranoia e revolta.

Ah, o legal desse programa é que depois uma produtora de TV me procurou para que eu participasse do programa Adotada da MTV. Uma proposta que depois nas conversas não foi pra frente.

NADA POP – “Que venha o caos” é o nome do novo álbum de vocês e a música me parece feita exatamente para o momento político que estamos passando. É a ideia era essa mesmo ou a relação pode ser feita de outra forma e contexto neste caso?

GENERAL SADE: Essa música é mais antiga, a ideia dela, pelo menos. Fiz uma peça de teatro da minha época de estudos ainda que se chamava Caos & Efeito. Era uma doideira muito legal. Tinha uma banda no palco, mas totalmente dissonante, e eu em determinado momento cantava “A Camisola do Dia do Nelson Gonçalves” entre outras coisas. Quando fui ao banheiro externo do teatro, alguém havia pichado na parede “Que Venha o Caos!!!”. Nunca mais isso me abandonou. Tive que voltar a ler o Albert Camus, o Platão e algumas coisas pra organizar a bagunça que ficou minha cabeça com essa única frase. Usei tudo isso que li na letra. Ela na verdade fala de perder o medo de enfrentar as coisas, e que a vida é caos, é absurda, há muito pouco do nosso controle sobre ela, e de como abraçar isso, aceitar e seguir em frente. Ela também é uma apresentação da banda. Introduz a ideia do que queremos com esse novo trabalho.

No álbum há outra música que já foi feita bem mais recente, depois dos sucessivos e devastadores golpes que sofremos, consecutivos, e que se chama “Le Roi est Mort”. Essa sim faz um paralelo entre a Revolução Francesa, a Rainha de Copas e a necessidade de insurgência popular. Imaginei ela (sem pretensões, a imaginação pode ir longe) como a Purple Haze que as tropas americanas (infelizmente) ouviam quando estavam na guerra do Vietnã para manter a moral dos soldados. Como se fosse a trilha da revolução no nosso caso. Mas, claro, pura viagem minha.

NADA POP – Outra curiosidade é sobre o número de faixas do álbum. Ao todo são nove músicas. Em álbuns anteriores existe o mesmo número de faixas. Por que o número nove? Qual a tara com esse número?

GENERAL SADE: Totalmente proposital. Sempre adoramos aqueles álbuns conceituais. Por exemplo, com a minha banda anterior à Porno Massacre, chamada Os Ventiladores, lançamos um álbum na época, bem cru e mal tocado (rsrsrs), mas que era conceitual já: Ascensão e Queda de Penélope Maastricht, que de alguma forma buscava contar a história dessa travesti do título, morta na Boca do Lixo por algum amante canalha.

Portanto, 9 faixas desse disco, com as 9 anteriores, e as prováveis 9 do próximo (se estivermos vivos até lá) é algo totalmente pensado, quase místico. Uma homenagem nossa singela aos 3 noves invertidos, como cantam os Zumbis do Espaço. Nossa forma de colocar o 666 em evidência. Afinal, qual banda que se preze que não tem um pacto com o tinhoso? (Ok, lançamos mão de um clichê aqui, mas foi inevitável) Hahahahahaha.

E até porque não sabemos se continuamos depois do terceiro álbum. A vida tem que seguir. 3 álbuns, com 9 músicas cada. Os shows, a vivência. Reconhecemos que uma hora talvez isso nos canse. Por enquanto é o objetivo, e bem provável que ele seja cumprido e se encerre em si mesmo. O fim de um ciclo.

Depois disso eu vou estudar corte e costura, fazer reiki, sei lá.

Porno Massacre – Foto: divulgação

NADA POP – Gostaria que você fizesse um paralelo com o álbum anterior (The Great Porno Massacre Adventures) e o “Que Venha o Caos”. O que você percebe de diferente entre esses dois trabalhos. O que você considera melhor nesse novo álbum e o que deixaram pra trás?

GENERAL SADE: Certamente que as influências mil continuaram, porque a gente é muito diferente na vivência com relação aos gostos e as músicas.  Todos temos bandas que gostamos e artistas que não tem nada a ver com os outros. Claro, com alguns pontos em comum. Mas mesmo esses pontos em comum, fomos encontrando ao longo do caminho. Aí, necessariamente que com a convivência, esses pontos ficam mais próximos, naturalmente. Então esse álbum é mais coeso. As influências estão lá, mas conversam melhor. Se encontram.

A gravação foi feita no estúdio Family Mob, mas duas das músicas foram feitas retrasado pelo estúdio do projeto Rubber Tracks. “Isso para mim é perfume” foi gravada num outro estúdio chamado “Atalaia” e as faixas “O que me resta” e “Cátia Carioca” foram as músicas do Rubber Tracks.
Depois teve a mix do Marcus, do Kinema Estúdios, que já tinha trabalhado com a gente no álbum anterior, curte a banda e já entendeu como “salvar” nossa pele quando precisamos. Então, no processo todo a coisa correu de forma muito mais amena.

E… já que estamos falando de uma banda que se utiliza em grande parte da imagem também, houve uma grande questão nesse ponto.

O que ocorre é que nos tempos sombrios em que vivemos, utilizarmos elementos militares, mesmo que com ironia, como sempre fizemos, poderia ser interpretado de forma inversa pelo pessoal “direitopata” (não existe, mas eu uso, pelo menos aqui, devolvo a alcunha). As pessoas não estão mais acostumadas a entender ironias ou ler nas entrelinhas, estão regendo suas vidas por “fake news”. Portanto, decidimos eliminar os elementos militares, e buscar algo próximo. Por isso que General Sade hoje e qualquer outra coisa, menos o quepe, aposentado, pelo tempo necessário. Imagina tocar num show com um monte de gente com a camiseta da seleção? Porra, me matava. Virei o símbolo de tudo que combato (risos).

Então a capa, que chegou a ser lançada na turnê do Chile, aqui foi modificada e virou algo mais Glam Horror. Não identificando posições (apesar da roupa vermelha em General Sade, hein? Será um sinal? (risos)

Show de lançamento do álbum “Que Venha o Caos” no dia 26/01. Clique AQUI e confirme a sua presença no evento.

NADA POP – Recentemente no grupo Sinewave, no Facebook, entrei numa pequena discussão entre riscos que bandas independentes assumem enquanto bandas do mainstream parecem fugir disso. Você concorda que há um modelo/formato de música vigente no mercado de massa sobre música (aquela história de “música comercial”)? Ou a perda de espaço do rock na grande mídia possui outros fatores?

GENERAL SADE: Sim. As duas coisas combinadas.

Pode ter sido há 10 anos atrás, mas acompanhei uma chegada de uma banda que eram conhecidos no “tão sonhado mainstream” (e não que eu não queira, deve até ser muito interessante e autoindulgente chegar até aí). Massssss… percebi o quanto tiveram que ceder em termos do tal “som comercial”. Essa situação mudou? Eu não sei, nunca mais acompanhei ninguém que tenha ficado assim “em cartaz” nas rádios em geral. Que aliás são super ultrapassadas. A 89 voltou e não se sabe o porquê. O repertório é o mesmo de quando parou.   Tocarão, igual aos bares da 13 de Maio, Plush do Stone Temple Pilots (música horrível dos infernos) até o Sol implodir.

Ou seja, quem não está negociando com essas cabeças da alta mídia, tem realmente mais liberdade, porque não tem nada a perder. Correr riscos é a coisa mais interessante de todo o processo. E acho que, nas bandas que acompanho, dentro do cenário dito “underground” (não gosto de usar essa palavra, não hoje, acho que virou sinônimo de diminuição do trabalho) estão se arriscando bem. Vejo coisas novas surgirem sempre.

Pode não ser a história de todas, mas o mainstream, como entidade autônoma e instituição (risos), escolhe quem vai privilegiar em determinado momento ou não.

Hoje em dia mesmo vemos a quase totalidade de cantores e artistas mais populares no dito sertanejo. Bancado, obviamente, pelo agronegócio. Isso está matando até o samba, inquestionável patrimônio nacional. Portanto, a questão não é ser bom, ou mesmo popular de início, mas ter o seu trampolim econômico (falando de estilos, claro, porque várias duplas sertanejas pequenas surgiram e estão aí passando fome igual ao pessoal do underground).

Então, infelizmente, o rock não é a bola da vez. Como já foi o pagode 90 (que aliás tenta se reerguer atualmente e que, por favor, nunca volte – risos).

NADA POP – Existe algum show que você destaca entre os tantos que a pornô fez? Seja pela energia quanto por algo inusitado? Qual e o motivo?

GENERAL SADE: É uma coisa incrível. Gosto tanto do show, do contato, de poder estar ali com as pessoas naquele momento e dividir tudo aquilo que praticamente todos, quando terminam, eu olho pra trás com a sensação de “memorável”. É muito bom. Eu falo tanto em catarse com relação aos shows porque é algo que eu sinto. Sinto que estou expurgando tudo ali. Lavando o espírito (bela expressão pra quem se diz ateísta, aliás – risos).

Mas se tem algum específico pra destacar eu colocaria, recentemente, os shows do Chile. Foi coisa de louco. Fazia tempo que não tocávamos num show com a galera dando mosh, pulando do palco, fazendo roda. Foi muito insano. Aqui, principalmente no ambiente indie “I’m so cool” é algo que não acontece mais há tempos!

Nesse ponto: Viva, Chile!

Mas amamos tocar em qualquer ocasião.

Teve shows, por exemplo, no Mineiro, em Osasco. Tocamos uma primeira vez e emplacamos, sucesso. Parece que todo mundo tinha curtido dançado e entrado na onda. Fomos chamados de novo (Boa!), massssss…. nessa segunda vez, parece que a gente desagradou geral. Tinha impressão que a galera ia vomitar no nosso show (hahahaha). Tocamos numa noite de metaleiros meio conservadores daqueles que curtem fazer o sinal de chifrinho do Dio.  É a coisa desandou totalmente. No entanto; o pessoal do lugar é muito legal e se chamassem tocaríamos de novo. Não gostarem da banda é um puta incentivo também. Senão voltamos a velha questão das Rádios Rock e a 13 de Maio com Plush. (risos)

Os “Pornô” sem as máscaras. Foto: divulgação

NADA POP – Se você tivesse que descrever a banda para quem nunca ouviu vocês, o que você diria?

GENERAL SADE: Hahahaha! Eu já tentei descrever de várias formas, mas sempre foi frustrante, porque é uma coisa que depende da experiência. E cada pessoa tem a sua. É inútil eu tentar traduzir em palavras algo do campo das sensações. Temos uma gama tão grande de sentimentos e tão poucas palavras para descrevê-los que a vida sempre vai ser maior que a descrição dela mesma.

Se eu tentar definir pelos estilos, talvez eu dissesse que é punk? Hardcore? Glam? Metal? Tem todos esses elementos, mas não acho que nenhum deles defina totalmente. Flertamos com todos, mas não somos de ninguém. (risos)

Por fim eu acho que diria:  ouça e veja de coração aberto. Só. Daí pra frente é com você.

General Sade em estúdio. Foto: Marcus Azevedo

NADA POP – Vocês agora estão com um novo guitarrista. O quanto isso se soma a banda não só nos álbuns quanto nos shows?

GENERAL SADE: A entrada do Diego foi um baita respiro pra banda. Ele ainda não estava conosco na gravação do álbum, mas entrou logo em seguida, bem na turnê do Chile. Portanto, tornou-se: El Diablo Loco.

Acrescentou peso, pois a escola dele é o grind, crust, esses estilos que certos tios meus iriam chamar genericamente de “rock pauleira”. (risos)

Há uma forma de dar a palhetada quando se toca a guitarra que é própria de quem toca isso. Algo rápido, mas ao mesmo tempo abafado, que causa uma sensação de pressão. É diferente. Preencheu o som, e deixou o Bruno mais livre, já que ele, por outro lado, toca com as cordas bem soltas porque esteve muito mais ligado ao grunge, e essa coisa toda de tocar deixando as cordas soarem livres.

Essa formação com 5 elementos tem sido a grande mudança da banda disparada. E ele, o Diego, se integrou totalmente à proposta. À ideia das performances. Somos todos muito gratos a ele.

NADA POP – Um clichê, mas é mais forte do que eu, qual a função da arte e quem ela deveria servir em sua opinião?

GENERAL SADE: Eu adoro esse clichê! Ele dá tantas possibilidades.

De início, me recordo do Meia Noite em Paris, do Woody Allen, e quando ele coloca o Hemingway falando sobre a escrita, já que penso a mesma coisa: a arte não anda ao lado dos ou das covardes. É necessário coragem para se fazer arte. Há um certo comedimento no pessoal das bandas quando vão falar de seu próprio trabalho diminuindo-o e retirando o elemento artístico da criação, certamente que para não parecerem pedantes, numa atitude de humildade que eu consigo completamente entender, só não gosto, nem concordo. Estamos lidando com o sensível, com o campo da sinestesia, da estética, se isso não for arte, não sei mais o que é.

Quanto à coragem, podem olhar as nossas performances e pensar: você não tem medo de fazer papel de ridículo?

No entanto, algo que tenha valor, que valha a pena, sempre terá o fator risco envolvido. Não dá pra ser ameno e comedido se quer fazer algo que tenha profundidade, conteúdo, mesmo que inexplicável, mas que toque as pessoas. E sempre penso: as pessoas agem como se não fossem morrer, ignoram essa única certeza da vida. Frente à perspectiva da morte, todo o resto carece de sentido. O que é arriscar-se numa performance quando, daqui há alguns anos (e espero que muitos) estaremos todos mortos? Qual o sentido em não se expor? Em não arriscar?

A arte, portanto, serve a este propósito. Nos liberta do claustro da morte. Não serve a ninguém, e ao mesmo tempo a todos e todas quando nós é que servimos a ela.

Porno Massacre em estúdio. Foto: Marcus Azevedo

NADA POP – Recomenda ouvir Porno Massacre em quais situações?

GENERAL SADE: Em todas! Essa foi fácil. rs

Por mim, teríamos autofalantes nas ruas para tocar continuamente como no filme V de Vingança… hahaha

Brincadeiras à parte, pode soar como soberba, mas não é, apenas gosto do que faço. E não me arrependo um único instante. Vai, Pornô!

12 – Vamos tomar uma depois do show de lançamento?

GENERAL SADE: Disse ali em cima que a morte é a única certeza da vida, mas você acaba de me lembrar de mais uma: vamos CERTAMENTE tomar uma depois do lançamento!

SHOW DE LANÇAMENTO “QUE VENHA O CAOS”

Quando: dia 26 (Sábado)
Onde: Porto Produções, na Rua Cardeal Arcoverde, 854
Horário: a partir das 18h
Mais informações: acesse a página do evento clicando AQUI.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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