sexta-feira, 19 de julho de 2019
Nada Pop

The Lautreamonts: sintetizadores, som alucinógeno e póst-punk

Isidore Lucien Ducasse, que usava o pseudônimo literário de Conde de Lautréamont, foi um poeta uruguaio que faleceu em Paris em 24 de novembro de 1870. Conhecido pela obra “Os Cantos de Maldoror”, é considerado por muitos como um dos precursores do surrealismo. Já a banda carioca The Lautreamonts, formada por Martha F. e Hudson, não fica atrás em sua viagem musical no EP “Who Are You Wearing?”, lançado em 2018 pela gravadora Oblique Musique e Efusiva Records. O próprio nome da banda tem como origem o pseudônimo de Ducasse.

Com cinco faixas, a dupla constrói uma obra forte, mas ao mesmo tempo para poucos. Com características póst-punk e influências como Dead Can Dance, Siouxsie & The Banshees, Firewater e Nick Cave, o duo convida seus “ouvidores” a caminhar por lugares escuros, sintéticos e que muitas vezes parecem trilha sonora de filmes como Donnie Darko e Império dos Sonhos, talvez um pouco de A Espuma dos Dias também.

Com certeza, e não estou aqui para divergir do que escrevo, a banda não faz o tipo de som que ouço no dia a dia, mas o conceito do álbum trouxe uma atenção e percepção diferente, gerando uma curiosidade sobre a origem e processo de composição da banda. Com o título do EP “Who Are You Wearing?” (em tradução para “quem você está vestindo”), as faixas percorrem e se desenvolvem por uma busca a respeito da identidade, não só a respeito de quem somos, mas sobre como nos enxergamos e acreditamos que os outros nos enxergam.

As faixas “The Adequacy Waltz”, “Who We Were”, “The Ones He Wore”, “Drinksin/ Truthsout” e “Black Sabbath” (que no Spotify recebeu o nome de Sábado Negro) exploram bastante essa ideia de identidade e, ao mesmo tempo, usufruem de instrumentos como cítara, entre outros não convencionais, para ampliar a textura musical que transforma esse trabalho em algo quase parecido ao uso de uma substância alucinógena.

Acredito que o álbum possa causar controvérsia e que virar o rosto para esse trabalho seja o caminho mais natural para muitos, porém, ao se permitir um olhar mais aguçado (ou ouvido), será possível perceber mais do que mais uma viagem experimentalista.

Para finalizar, a banda estará por São Paulo nesta sexta-feira (05), a partir das 19h, no O Corvo – Burger & Beer, que fica na Rua Fortunato, 119. Com entrada ao valor de R$ 5, ainda tocam os grupos Cubüs (synthpop/darkwave do Rio de Janeiro) e 1983 (post-punk/experimental de São Paulo). Para mais informações sobre esse show basta clicar AQUI.

Em junho deste ano, a Efusiva Records lançou um minidoc da banda a partir de imagens de trechos dos shows realizados na Audio Rebel, no Rio de Janeiro, onde foi feito o lançamento do EP em dezembro de 2018, e na Necessaire, em Minas Gerais, onde a banda se apresentou em janeiro de 2019. A própria Martha F. e Hudson contam um pouco de como foi o processo de produção desse primeiro EP do duo (assista acima). Por algum motivo, o lyric video de Who We Were me lembrou o clipe de “Fake Plastic Trees”, do Radiohead.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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