quarta-feira, 20 de março de 2019
Nada Pop

Soul Art – Só deu errado a voz

Calma, não é uma crítica, apenas uma simples constatação. Explico, senta aí, toma um café ou sei lá o que… Espero não te deixar com sono.

Sábado de sol, aluguei um caminhão… Não, pera. Viajei aqui. Vamos lá, certo dessa vez. Sábado, 15 de novembro, estava no espaço Soul Art para conferir os shows das bandas Penhasco, The Fingerprints, Sky Down e Muff Burn Grace. Evento com início às 16h, shows rolaram muito depois disso, se não me engano por volta das 20h e pouco, com boa parte do público, incluindo integrantes das bandas, num bom nível alcoólico, clima amigável e sensação de nostalgia no ar. Essa palavra, nostalgia, nem sei ao certo porque usei, talvez porque muitas resenhas usam, talvez fique bonito nessa aqui… Vou usar outras palavras assim no meio do texto, talvez você perceba, talvez não… Boa sorte.

Muff Burn Grace (3)

Muff Burn Grace

Lembro que cheguei no Soul Art e me deparo com o Passa-Mal, da banda Lomba Raivosa, tomando uma cerveja na calçada junto com galera das bandas que iriam tocar. O André, batera da Sky Down, chega em seguida com um Jack Daniels e uma garrafa de Coca-Cola já oferecendo e servindo o pessoal que estava por ali. Alguém me ofereceu o “drink”, mas recusei e informei que não bebia qualquer tipo de álcool… Sério, toda vez que digo que não bebo álcool parece que saí de um outro planeta ou que sou straight edge, o que dá na mesma. Mas não, não sou straight edge, mas tenho dúvidas sobre outro planeta.

O Soul Art é um espaço que reúne designers, jornalistas, videomakers, fotógrafos, além de músicos com o objetivo bem bacana de juntar todo esse pessoal para produzir arte e na realização de eventos independentes. A sede da Soul Art fica na Rua Treze Maio, bem perto da estação Anhangabaú, se você vacilou e não pode ir no último sábado, fica ligado que por lá sempre acontecem coisas bacanas, o que não necessariamente se resume a shows, tem cursos também. Dá uma olhada na página deles no Facebook (clicando aqui) e depois curta o site que é bem du caralho bacana. Clique aqui.

Mas vamos falar dos shows, um resumo na verdade porque sei que você não lê resenha e só entra na porra dos sites de música para ver fotos e vídeos, se estou enganado diga nos comentários assim: “eu leio essa porra sim e vá se fuder!”.

MUFF BURN GRACE

A primeira banda a se apresentar num espaço mais parecido com um quarto ou sala foi a Muff Burn Grace, trio de stoner e que me lembrou um pouco (pouco mesmo) o Acid King, mas com uma pegada mais blues. A música “Just An Illusion”, da Muff Burn Grace, me fez lembrar da “Seja Mais Certo”, da banda gaúcha Walverdes. Sonoridade e energia bem legal e que fez agitar o público – frase clichê de resenha, né? Eu sei, desculpe. Sei também que no dia seguinte fiz questão de dar aquele curtir na página dos caras (vai lá, confia em mim – ou assista o vídeo – e clique em curtir também – AQUI). Não só mandaram muito bem como tiveram um pouco de sorte em relação ao microfone da banda. Disse apenas um pouco, certo?

A partir do show da Muff (ou melhor, já no meio do show mesmo) tiveram início os problemas com a caixa que amplifica a voz, se você é leigo no assunto saiba que isso é o famoso PA, que significa em inglês Public Audition. Não culpo a Soul Art e muito menos o organizador, só o fato de organizar um show de rock autoral com bandas fodas, numa região de fácil acesso, com entrada no valor de R$ 5 dilmas e mulheres com entrada free, além de cerveja boa e gelada no local, sem dúvida é uma maravilha e tanto. Mas óbvio, para os shows serem ainda melhores, principalmente para o público, esse cuidado com o equipamento deve ser revisto para os próximos shows no espaço.

SKY DOWN

Era a vez de a Sky Down tocar, antes de iniciar a segunda música o Caio, vocal e guitarra da banda, fez um anúncio simbólico dizendo foda-se para o problema da PA. Não seria isso que iria impedir o show e muito menos estragar o evento, certo? A Sky Down está entre as bandas mais relevantes e bacanas do cenário atual, em minha opinião, claro. Não é apenas a música, não é só o show, existe uma aura que perpassa (não disse que usaria outras palavras de efeito aqui?) a própria banda. O clima de “estamos fazendo o que gostamos, independente se você curtir o nosso som ou não”, ou algo do tipo, faz com que a banda fique muito mais a vontade e apresente um show verdadeiramente punk. Além do repertório do álbum “Nowhere”, a banda fez um cover de “Civilization’s Dying”, do Zero Boys, e um som do EP “Let There Be Light Cuz We’re a Mess”.

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Sky Down

O show da Sky Down sofreu um pequeno atraso por problemas no contrabaixo do Tales, ou melhor, no amplificador do baixo. Nada demais (depois que resolvido se torna nada demais, durante vira uma dor de cabeça – quem tem banda sabe do que tô falando), o mesmo foi resolvido com o organizador do evento, Gabriel Alexandre, segurando o cabo do baixo no amplificador, durante todo o show da Sky Down, por um problema obviamente de contato no ampli. Vale essa nota porque achei essa atitude muito, mas muito foda interessante. O Gabriel mostrou, pelo menos naquele instante, que organizar um show underground é muito mais do que reunir algumas bandas, arranjar um espaço e cobrar um valor tal pela entrada. Não, também é estar ali, presente para ajudar no que for preciso. Palmas para o Gabriel (podem ser palmas mentais, tá valendo).

THE FINGERPRINTS

O terceiro show da noite era com a The Fingerprints, liderada pela vocalista May Dantas, responsável pelos momentos mais tensos da noite até aquele momento. Um clima de destruição, guitarras e intensidade alcoólica capazes de deixar o Chimbinha no chinelo (Chimbinha, que porra é essa? Clique aqui e veja – rs). Talvez o problema da PA tenha deixado a May irritada um “pouco” além da conta, mas de forma desnecessária. A banda conseguiu mostrar o seu som grunge de maneira competente, apesar dos problemas técnicas envolvendo novamente o amplificado de baixo. Num bate papo que tive com a May na semana passada, sobre a origem da banda, influências e que você pode ler AQUI, ela me disse que recebe criticas a respeito do seu “comportamento” diante do público, já que “xinga” todo mundo durante o show. Minha simples opinião a respeito é que num primeiro momento é engraçado e até parece um diferencial da banda, porra (!!), uma vocalista agressiva e que manda todo mundo se fuder não é algo que vemos todo dia, certo? Mas depois não sei dizer se o que estava rolando era algo que fazia parte do show da banda em si ou se estava “além dele”.

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The Fingerprints

A banda mandou sons próprios, que você poderá conferir quais são AQUI, além de dois covers, um do Misfits (Horror Business) e outro do Nirvana (Drain You). Eu acho que o Kurt Cobain baixou na May naquele instante, pois pra mim ficou melhor do que a própria Cássia Eller. Os covers que a Cássia fez do Nirvana são bons, mas nunca achei tão incríveis assim. Tudo bem, quem quiser me xingar fique à vontade.

Quando o show do The Fingerprints terminou, a sensação era de que um furacão tinha invadido o Soul Art, independente de positivo ou negativo, com certeza algum impacto foi deixado para quem assistiu ao show. Destaque também para o Breno, guitarrista, com bom humor, além dos solos, conseguiu contrabalancear muito bem com o estilo da May. Para saber mais sobre a banda clique AQUI. Eles tocam nesta sexta-feira (21) no projeto Noise Free, outras informações AQUI.

Infelizmente, outros compromissos me impediram de ficar até o fim do evento. Com isso não pude assistir ao show da Penhasco, mas o vocalista era show em extroversão. Pô, será que isso não conta alguma coisa? Para saber sobre a banda clique AQUI, me disseram que o show dos caras é ótimo, não duvido, mas prefiro conferir por mim mesmo. Confira você também e incentive a porra da cena!

Fui embora com boas lembranças do Soul Art, das bandas e cada vez mais convencido que muita gente anda buscando fazer coisa legal, de forma honesta e sincera. Existem problemas, lógico, mas o mesmo consegue ser superado. A cena se movimenta, não fica parada. E você, o que faz?

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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