quinta-feira, 21 de março de 2019
Nada Pop

Onde o machismo se esconde em nós?

A internet tem demonstrado uma certa habilidade em nos revelar por completo, somos capazes de dizer tudo o que pensamos ou sentimos de forma muito fácil pelas redes sociais, quando ainda enfrentamos a amarga dificuldade de refletir e somar as consequências de nossos atos

“Breve é a loucura, longo o arrependimento”
Friedrich Schiller

No dia 24 de janeiro, Claudio Medusa, de 43 anos e proprietário do Astronete, um espaço para shows e eventos alternativos em São Paulo, publicou no seu perfil pessoal no Facebook a seguinte opinião:

Nenhum animal no mundo é capaz de passar por cima de tudo por causa de dinheiro e status social do que a mulher. Mulher não gosta de pinto, gosta de segurança financeira, posição social. Salvo raras exceções, tipo uma em cem milhões. Mulher escolhe a dedo sua vítima. “Onde esse otário pode me levar”, “Qual a vantagem que eu tenho com esse imbecil”. Já homem gosta de peito, perna e bunda. Homem não tá nem aí se veio de uma família rica ou se veio do cortiço. Chupando bem e não enchendo o saco tá bom. Mas elas enchem o saco. E depois vão querer mais dinheiro. Vão querer sua casa, seu sofá, sua geladeira, seu salário… E depois escolhem outro trouxa. Provavelmente com mais dinheiro que você. De família rica. É tipo aquelas que trabalham no Casarão, mas muito mais frias e calculistas. A qualidade da chupeta varia de acordo com o limite do seu cartão de crédito. Mãe é mãe. O resto é tudo vaca. Podem me chamar de porco chauvinista. Mas pelo menos não escolho ninguém pela conta bancária.

Pouco tempo depois, orientado por duas amigas que o chamaram de forma privada no Facebook, deletou a postagem. “Elas perguntaram o que estava acontecendo e o motivo da publicação. Ao ler novamente o que tinha escrito, me deparei com algo de extremo mau gosto”, contou ao telefone. “Fiz questão de deletar e botar um fim naquilo”, diz.

Mas já era tarde, foi feito um print de sua postagem que logo se espalhou pela internet. Diversas mulheres, além de grupos feministas, se manifestaram contra o discurso machista. Houve até a criação de um evento no próprio Facebook intitulado “Rolezinho no Astronete na conta de Claudio Medusa”. Em pouco tempo, mais de 2 mil pessoas confirmaram presença no evento que tem por objetivo “comemorar” o Dia Internacional da Mulher na frente do Astronete. Com data inicial de realização no dia 8 de março, o evento teve a data alterada e pode ser realizado no dia 7 de fevereiro.

Andressa Pukinskas, uma das criadoras e organizadoras do evento, diz que não existe a proposta de vandalizar o bar, apenas relembrar a sociedade que após 158 anos, e de mulheres morrerem queimadas numa fábrica, ainda existem agressões e que as mulheres são menosprezadas, mesmo sendo representativas na economia e na sociedade.

“Quando eu vi fiquei chocada ao ler aquilo, pensei em quantas mulheres não são agredidas diariamente por seus patrões, colegas de trabalho, ex-namorados, namorados, maridos, pais, irmãos… Infelizmente, vivemos numa sociedade que reluta para mudar e quando vi aquilo, na hora decidi: se pra ele as mulheres são todas vagabundas que procuram um otário pra pagar as contas, vamos lá, beber às custas dele. Na verdade, foi apenas uma forma de protestar de mostrar o quanto aquilo é babaca e ofensivo”, diz Andressa.

O Astronete está localizado na Rua Augusta, em São Paulo. Uma região conhecida pela sua variedade de bares, espaços para shows e até de casas de prostituição. O bar de Claudio Medusa tem capacidade para 150 pessoas, abriga em seus eventos uma diversidade de público difícil de explicar conforme o polêmico proprietário. “Já tentaram dizer que o Astronete é um espaço GLS, mas não é bem assim. Aqui temos um pouco de tudo. Na quinta e sexta-feira temos shows com bandas autorais e no sábado é com DJ. Na quinta temos bandas mais indie e na sexta mais garagem”, explica.

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A origem do Astronete e um pedido de desculpas

Com oito anos de existência, o Astronete nasceu na Rua Matias Aires, mas há três está na Rua Augusta. A localização do espaço é praticamente a mesma, a Matias Aires é uma travessa da Augusta, mas os responsáveis pelo espaço não. Criado desde o início em sociedade com a ex-esposa, no qual também eram sócios no Alberta, clube localizado na Avenida São Luís, no centro de São Paulo, a separação, além de mágoas, também trouxe a divisão dos espaços. Há dois anos o Alberta está com a ex-esposa, enquanto o Medusa assumiu o Astronete.

Mas o ex-casal possui um filho de oito anos, por conta disso o contato entre ambos ainda se mantém, e de certa forma também as brigas. “Tive uma semana terrível, dívidas pra pagar, além de brigas com a minha ex-mulher no qual me senti muito agredido. Após chegar no sábado, com a minha cabeça cheia e embriagado, acabei encontrando o computador ligado. Não prestou e escrevi aquilo tentando de alguma forma me defender, mas foi desproporcional”. Questionado sobre a lição que aprendeu com este episódio Medusa é enfático: “Bebida e computador não combinam”.

No dia 26, uma segunda-feira, após a repercussão negativa sobre suas declarações, Medusa publicou um pedido de desculpas:

Amigos e amigas, me desculpem pelo post infeliz. Eu estava de cabeça muito quente por conta de uma pessoa específica, que me prejudicou muito, e acabei descontando em todas. Eu não penso assim e quem realmente me conhece, sabe disso. Quero me retratar com vocês. Isso não vai acontecer de novo porque como disse antes, não sou nenhum misógino, machista ou coisa parecida. Foi um daqueles momentos de raiva que a gente fala coisas que não acredita só pra ofender.

Andressa, no entanto, acredita que essa foi uma desculpa padrão. “Estar de cabeça quente virou sinônimo de que devemos perdoar porque não pensou, porém quando você fala, você até teve tempo de não pensar, mas quando escreve não. Seus dedos não são mais rápidos do que seu pensamento, dava tempo de avaliar, de repensar sobre aquilo, mas não… Ele teve intenção de falar sobre as mulheres, não podemos deixar que toda vez que alguém tá de cabeça quente agrida alguém”, afirma.

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Campanha “Chega de Fiu Fiu” contra o assédio as mulheres nas ruas. Para saber sobre a campanha clique AQUI.

A melhor defesa não é o ataque

Amigos, entre elas mulheres, chegaram a defender o Medusa. Um comentário publicado na própria página do evento faz esse apoio: “genteeeee, calmaaaa…..que exagero!!!! Foi um desabafo e ele já se desculpou….meninas, ele não quis ofender nenhuma de vcs, podem ter certeza disso! (…) ele estava desabafando, colocando os demônios pra fora e acabou falando demais, porque recriminá-lo por isso???? Não que eu esteja defendendo porque é meu amigo, mas a proporção que isso gerou acho um tremendo exagero!!! Quem nunca falou demais???? Eu só não entendo porque se sentem tããão ofendidas…. Paz, por favor, temos muuuuito mais problemas no mundo pra resolver do q perder tempo com isso….”.

Ao citar essa defesa por outras mulheres, Andressa diz não condenar essa atitude, mas acha que elas ainda não entendem a gravidade do tema e que muitas nem são amigas do Medusa, mas buscam fazer média ou são fãs da casa.

Pelo Facebook é fácil encontrar afirmações de amigos e conhecidos do proprietário da Astronete considerando ser desproporcional a revolta de muitas mulheres contra o Medusa. Em alguns casos, termos como “feminazis”, “terrorismo”, “massacre” e até “moralista babaca” foram utilizados no Facebook para contestar a revolta com a postagem.

Para a Coletiva Non Gratas, grupo feminista formado no final de 2013, esses termos não são novidade. “Não é raro vermos denunciantes/vítimas sendo deslegitimadas ou chamadas de loucas/histéricas por seus agressores e amigos deles. Quanto ao termo “feminazi”, devemos abrir um parênteses histórico para as pessoas que o utilizam: os nazistas foram responsáveis pelo maior genocídio do século 20. Foram milhões de pessoas mortas pelas mãos do Führer e de seus seguidores, inclusive feministas foram perseguidas pelo Reich por conta de seus discursos de emancipação. E mais: já ouviram falar em feminicídio? Pois bem, que sentido faz nos chamarem de “feminazi” sendo que nós mulheres somos as perseguidas e violentadas diariamente pela sociedade patriarcal? Se Hitler fosse vivo e o Reich estivesse em pé, eles estariam de qual lado? Do nosso, temos certeza que não. Então, quem são os “nazis”? Fica a reflexão”.

Quando questionadas se declarações como a do Claudio Medusa são fáceis de se encontrar pela internet, a Non Gratas responde que não é difícil encontrar pessoas, matérias, postagens e até imagens julgando os corpos ou atitudes das mulheres. “Não precisa ir muito longe para ver uma moça sendo ridicularizada por ser gorda, ver um relato de uma moça negra que não conseguiu um emprego por sua cor de pele ou ler uma matéria culpabilizando a Andressa Urach (pra citar apenas um nome) pelo que aconteceu com ela, sendo que ela é mais uma vítima dessa ditadura da beleza, que nos diz como temos que ser (…) É só abrir o Facebook, o jornal, ligar a TV e vai chover casos de violência contra a mulher. Citar nomes pode ser útil na hora de boicotar ou escrachar, mas temos que tomar cuidado para não dar mais audiência do que um certo caso merece e, principalmente, não expor mais ainda a própria vítima, que é nossa maior preocupação (…) No caso do Medusa, que é o agressor, ele próprio postou no Facebook dele e deixou público, por isso compartilhamos logo que chegou até nosso conhecimento. O problema é estrutural, o machismo precisa ser lutado contra de diversas formas. Mudar individualmente é importante e também é essencial saber lutar de forma efetiva”.

A Non Gratas ainda esclarece que o feminismo é um movimento plural e, como qualquer outro, existem diversas vertentes, mas de modo algum pode ser comparado com o poder que o machismo tem perante as mulheres. “Para ficar claro: machismo é uma forma de dominação, feminismo é uma luta por equidade. O feminismo deseja o fim da dominação de um gênero sobre outro. De um modo geral, é total falta de simetria igualar feminismo a machismo”, concluem.

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Mondo Machista?

Com receio sobre o tamanho da repercussão que suas declarações causaram, Medusa diz que pretende reforçar a segurança do Astronete, visando o bem-estar dos funcionários e clientes. Alega ainda que algumas acusações de racismo que vem sofrendo são infundadas, já que, em nenhum momento ofendeu negros, seja virtualmente ou não. No entanto, em seu blog pessoal intitulado “Mondo Medusa”, que existe desde 2010, é possível destacar no texto “Vamos Asfaltar A Amazônia!” o seguinte parágrafo:

E tem os índios. Alguém pode me explicar onde cabe um índio em 2011? Qual a aplicação da sabedoria, cultura ou costume indígena na sociedade informatizada de 2011? É completamente inútil ter um sujeito vivendo nos limites da miséria no meio do mato usando bermudões floridos, bebendo cachaça, de cara pintada e fazendo a dança da chuva. Vamos alfabetizá-los e colocá-los para trabalhar na “Nova Amazônia”, o maior parque industrial do país. Gerando riquezas e dirigindo carrões em incríveis auto-pistas cortando o Amazonas de ponta a ponta e ligando um troço chamado Acre ao resto do país.

Ao ser indagado sobre essa publicação e se a mesma não pode ser considerada no mínimo preconceituosa, a explicação do Medusa se baseia de forma simples e direta no humor: “A postagem é uma piada, estão usando publicações de um ou dois anos atrás contra mim, mas basta ter um pouco de interpretação de texto para saber que é uma piada”.

Lary Durante, baterista da banda feminista Ratas Rabiosas, de São Paulo, possui algumas considerações sobre a internet que questionam tal afirmação do Medusa em relação ao seu blog. “A internet é o lixo do mundo né, ela está ali aberta e exposta para todos dizerem o que pensa, pois não há nenhum tipo de filtro ou ‘censura’, da mesma maneira que as pessoas podem ir lá e propagar coisas positivas, elas podem propagar coisas negativas também, como discursos baratos machistas, sexistas, racistas, homofóbicos, xenofóbicos, pregando ódio e intolerância. Essas informações se espalham rapidamente, pois todos estão conectados hoje em dia, a busca pela informação, por novas tendências trazem na bagagem as coisas negativas também. Como tudo fica ali, visível de graça, quando alguém acha um determinado assunto abusivo e desrespeitoso, eles compartilham e milhares de pessoas passam a ter acesso a informação, e expondo seus pontos de vistas do acontecimento. O mesmo aconteceu com os “Kings” e tantos outros “Medusas” por aí, que acabam “cavando sua própria sepultura!”, diz.

O caso “Kings”, citado pela Lary, ocorreu em 2013 e envolveu integrantes do cenário straight edge de São Paulo. Segundo denúncia, publicada no Centro de Mídia Independente pelo grupo Frente de Libertação Feminista, um grupo criado no WhatsApp e nomeado “Kings”, formado apenas por homens, expôs de forma criminosa a intimidade de mulheres por meio de fotos. O que chamou ainda mais atenção para este caso é o fato de que todos os homens do grupo estavam vinculados à cena hardcore straight edge de SP, ou seja, pregavam uma visão horizontal e igualitária sobre os palcos e em turnês, mas alimentavam suas contradições em espaços privados.

Essa é mais uma amostra do quanto o machismo está inserido em nossa sociedade e que o mesmo não exclui classe social, idade ou escolaridade. Segundo a Non Gratas, o machismo existe “desde uma mulher comentar com a amiga, no trabalho, sobre a roupa de outra mulher, até não podermos andar na rua sem sermos assediadas. Desde a educação infantil, em que meninas são privadas de conhecerem sua própria sexualidade e os presentes se limitarem a peças cor de rosa ou utensílios de cozinha, até na balada, aonde (talvez!) só somos respeitadas se falarmos que temos namorado. Na rua, no trabalho, em casa, existem milhares de exemplares da cultura machista”. Ainda, segundo a Coletiva, que cita Peter Gelderloos, “o patriarcado é reproduzido por qualquer um que viva nele, e cabe a nós desconstruirmos isso, desde as pequenas ações e atitudes, até as maiores. Incessantemente. Diariamente”.

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Mas como acabar com o machismo (ou pelo menos diminuir)?

Com raízes tão profundas, chega a ser uma utopia acreditar no fim do machismo em nossa sociedade. Mas uma frase, creditada ao escrito Dan Brown, resume o que deve ser pensamento para este assunto: “Tudo é possível, o impossível apenas demora mais”.

Para a Non Gratas há um caminho nesse sentido e que pode servir de referência e que envolve, principalmente, uma mudança de pensamento dos próprios homens e conscientização de mais mulheres. “Acreditamos que é essencial o papel de pais e educadores em ensinar as crianças (tanto meninos quanto meninas) que não deve haver distinção de gênero. Ensinar que não existe cor de menino, não existe trabalho certo para menina, ensinar que ele não pode beijar à força a coleguinha da escola. Ensinar que chorar não é “coisa de menininha”. Ao mesmo tempo, é importantíssimo o debate e a discussão, a militância, troca de experiências, visando atingir o máximo de pessoas possível, de qualquer faixa etária. Quando um homem estiver andando na rua e seu amigo mexer com uma mulher, explicar pra ele que isso não é correto e ele não tem o direito de invadi-la dessa maneira. Quando uma amiga vier fofocar sobre a vida sexual de outra moça, explicar que isso não é passível de julgamentos. É um caminho longo, sabemos que não será fácil, mas estaremos aqui”.

No caso envolvendo os comentários do Claudio Medusa, segundo a Lary Durante, há uma lição básica que vale para todos que usam as redes sociais e que poderia muito bem evitar postagens e comentários machistas. “Que se deve pensar MUITO BEM antes de replicar certas coisas, principalmente algo ofensivo de baixo escalão que desrespeite ou atinja a integridade de alguém, seja na rede social, ou na vida mesmo! Respeite o próximo, e seja digno do respeito dele também!”, diz.

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Qual o final do Caso Medusa?

É muito difícil afirmar quais serão os resultados pessoais, sociais ou até jurídicos envolvendo os comentários do Claudio Medusa. Não se sabe ainda se a repercussão do caso atingirá o público que frequenta o Astronete, se bandas deixarão de tocar no espaço ou até mesmo se algumas medidas assumidas pelo próprio Medusa serão realizadas.

Andressa diz que o Medusa procurou por ela na semana passada, afirmou que apoia o evento e que se desculpou mais uma vez. Disse que estava de cabeça quente e até que poderia contar com a sua ajuda para o que elas precisassem. Além disso, segundo Andressa, o Medusa também ofereceu o dia 07 de março para realização de uma festa de conscientização no Astronete, que foi aceita e irá levantar fundos para uma organização de assistência à mulheres agredidas.

Questionada sobre a realização do evento no Astronete, Andressa explica que os contatos com o Medusa cessaram. “Então, ele simplesmente parou de responder as minhas mensagens. E elas nem foram visualizadas, o que dá impressão de que me bloqueou”, diz.

Se há uma lição que se pode aprender com o caso está no fato de que não há mais espaço aberto para o machismo e que nós homens (e eu me incluo nisso) devemos prestar atenção em nossas atitudes e palavras. Não se trata de uma censura, mas de respeito ao próximo.

Gleyma Lima, uma das organizadoras do “Rolezinho no Astronete”, resume a lição que deve ser tirada com este caso. “A lição é que a sociedade precisa estar presente e atenta ao todo, pois não estamos sozinhos. Além disso, que nós somos a mudança que queremos. Neste caso, por exemplo, não temos o envolvimento de nenhuma esfera judicial foi o povo pelo povo e, na minha visão, o sistema de repreensão judicial é lento e burocrático e precisamos nos conscientizar que é muitas vezes ineficientes. Então cada vez mais medidas socioeducativas precisam ser implantadas para que as atitudes comecem a ser repensadas e quem vai ter que cobrar isso somos nós, a sociedade, no caso”, diz.

Atualização 1

No dia 07 de fevereiro, dia planejado para as manifestações contra o discurso de Claudio Medusa, apenas 15 mulheres marcaram presença em frente ao Astronete, segundo Gleyma Lima, uma das organizadoras do evento que contava com mais de 2.700 pessoas confirmadas.

O número representa menos de 1% do total de confirmações no Facebook (Rolezinho no Astronete…), o que gerou publicações de revolta e dúvidas sobre a adesão real de pessoas ao tema, como se perceberá na imagem abaixo:

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No entanto, para Gleyma Lima, houve apenas um problema de datas. “Em minha opinião a baixa adesão ocorreu por um erro nosso de mudar as datas e estender o prazo. Perdemos a mão, infelizmente. Por outro lado, quando você faz a pesquisa do caso na internet, percebe que as pessoas participaram muito e houve sim uma mudança de pensamento em relação a casa, a página foi retirada do ar, ele teve que se posicionar. Segundo os vizinhos da balada o movimento diminuiu bruscamente”, diz.

Sobre as possíveis conquistas positivas das mulheres sobre o caso, Gleyma explica que o movimento que se criou ao redor do assunto gerou debate sobre o tema e fez despertar mais consciência. “As pessoas propagaram sobre o tema, no dia tinham cerca de 15 pessoas, porém todas que passavam por ali sabiam o que estava acontecendo e muitas diziam: já passei por isso, já fui agredida. Uma casa ao lado aproveitou para escrever “amo as mulheres” na frente como forma de apoio e flyers foram distribuídos, feitos e organizados pela Thais Maranho”, diz.

Gleyma também confirma que os contatos com o Medusa não foram mais realizados, porém o proprietário e o espaço irão continuar recebendo a devida atenção e sendo observados, mesmo que a distância, para que possíveis manifestações machistas sejam combatidas. “Em relação ao Medusa ele não se posicionou e fugiu da conversa mesmo. Um absurdo. Porém continuaremos de olho e qualquer busca que se faça na internet hoje o nome dele aparecerá como um machista”, conclui.

A página Efeito Dominó, no Facebook, é um projeto que promove o respeito as mulheres e que, segundo Gleyma, serve para quem quiser acompanhar e saber mais sobre o assunto, que vai de encontro a reflexão feita durante a preparação das manifestações em frente ao Astronete. Para acessar a página basta clicar AQUI.

Em consulta realizada no dia 12 de fevereiro, a página do Astronete, no Facebook, já estava disponível e com novos eventos no espaço sendo divulgados.

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Atualização 2

Em março de 2016, foi divulgado na página do Astronete no Facebook o encerramento das atividades do estabelecimento. Em nota divulgada, o estabelecimento diz: “Não foi o melhor clube da cidade, nunca quisemos, mas provavelmente deixamos na nossa marca. Criamos uma clientela fiel e desinibida que nos seguia todos os finais de semana querendo ouvir o mais bacana soul e rock’n’roll da cidade, independente de modismos. Aqui recebemos gente como Black Lips, Andy Rourke, Don Letts, Bob Gruen, Mickey Leigh, DH Peligro, The Adicts, Arctic Monkeys, The Hives, Spike Lee, The Vibrators, Fay Fife e outros.”

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O Nada Pop repudia toda e qualquer atitude machista, homofóbica, racista e, obviamente, fascista. Nosso objetivo com a matéria e dar uma visão dos acontecimentos, mas com as mulheres argumentando sobre o tema e, principalmente, informando nós homens sobre o quanto o machismo existe na sociedade. É, ele está presente nas grandes atitudes, mas também nas pequenas. Conscientize-se!

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Saiba mais sobre o tema, participe dos debates e aja com cidadania e respeito

Onde você mostra o seu machismo?
http://outraspalavras.net/brasil/onde-voce-mostra-o-seu-machismo/

Revista Psique – “O perigo mora em casa”
Especialista fala sobre fatores que levam à violência doméstica
http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/109/artigo337882-2.asp

O Macho Violentador
http://www.recriaprojetos.com.br/wp-content/uploads/2014/03/A-fabrica%C3%A7%C3%A3o-do-macho-violentador-Parte-I-.pdf

Blogueiras Feministas
http://blogueirasfeministas.com/

Coletiva Feminista Non Gratas
http://www.facebook.com/coletivonongratxs?fref=ts

Existem muito mais sites e links que tratam deste assunto, além de estudos e debates interessantes. Uma pesquisa na internet poderá ser de fácil realização, deixamos o espaço dos comentários para quem quiser contribuir com o tema ou deixar sua opinião. Dialogue com respeito, avisamos que não vamos permitir comentários machistas ou xingamentos de qualquer tipo.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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