sexta-feira, 19 de julho de 2019
Nada Pop

O underground “Além dos Amplificadores” – Uma exposição de Querolx

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Querolx e o zine “De onde vem?”

Seu nome é Ana Carolina Nicolau, mais conhecida como Querolx. Com 19 anos, é estudante de cinema e estagiária na UnBTV, um canal universitário de Brasília. Organiza um site chamado “Subverter”, que tem como objetivo apoiar artistas e que é bem simples de participar. Para ter o seu trabalho divulgado o artista precisa apenas se cadastrar, seja uma banda, fotógrafo, desenhista, escritor etc.

Neste ano começou a fazer um fanzine mensal chamado “De onde vem?”, que tem história da galera do rock de algumas regiões do país. Existem edições com a banda Lomba Raivosa, Henrike (Blind Pigs), Quique Brown, entre outros. É possível se cadastrar no site (subverter.com.br) para receber o zine em casa ou baixa-lo gratuitamente. Um novo zine chamado “Acho que tomo muito café”, também da Querolx, traz resenhas com desenhos e montagens dos rolês que participa.

Seu primeiro contato com o punk/hardcore foi no ensino médio por meio de um professor de inglês, o Régis Matsumoto, que a convidou para assistir o show da sua banda, Firstations, com os caras da Lomba Raivosa. Esse rolê mudou sua vida, como ela mesma diz “foram shows horríveis em bares horríveis”, assim decidiu que queria ser daquele jeito. No dia seguinte juntou uma galera da escola e formou a banda Dino Bang, que acaba de lançar um álbum chamado 5min!, com seis músicas em cinco minutos. Desde o seu primeiro contato com o punk rock vem participando dos shows, conhecendo novas bandas, novas amizades e até montar outras bandas. Quando comprou sua câmera a primeira coisa que fez foi documentar o “underground” que participava e curtia.

Depois de um tempo começou a fazer clipes e ensaios fotográficos de bandas e a partir daí surge o projeto “Além dos Amplificadores”, que tem como objetivo mostrar os diversos personagens que constituem os indivíduos em diferentes contextos sociais, usando o contraste da cultura underground e do ambiente de trabalho como uma rotina exaustiva.

Suas fotos no projeto trazem o sentimento dos músicos de fim de semana e trabalhadores semanais, distorcendo assim o perfil do músico independente. Os contrates e as transformações que cada pessoa demonstra nas imagens apresentam uma singularidade particular: pela música, talvez, todos sejam mais livres.

Conversamos com a Querolx para falar desse projeto, exposições e seus planos a longo e médio prazo. A galeria de fotos você confere abaixo.

NADA POP – Sobre a exposição “Além dos Amplificadores”, como surgiu essa ideia e o que ela significa ou representa? Essa é sua primeira exposição?

QUEROLX – A expo “Além dos Amplificadores” começou com essa história de ver os dois lados desse cara que me dava aula, pareciam duas pessoas diferentes e fui atrás dessa estética de mostrar as personas de cada um, brincando também com a ideia de que “rockeiro é vagabundo” e mostrando que na verdade é uma galera quase tão normal quanto o pessoal que curte samba.
Participei de outra exposição na faculdade, chamada “O ovo, a galinha e a menina cebola” que me inspirei no conto da Clarice Lispector, O Ovo e Galinha. Para ver fotos dessa exposição clique AQUI.

NADA POP – Onde seus trabalhos foram ou estão sendo expostos? O Subpub (nome incrível e acredito que deve ser uma homenagem ao Subpop, certo? hahaha) foi o primeiro local que abrigou esse trabalho, o que pode nos contar sobre o lugar e como foi a exposição por lá?

QUEROLX – As primeiras exposições rolaram nesse fim de semana (18 e 19/10) com a vinda do The Bombers aqui para Brasília, tour que organizei junto com o Pirata. As expos rolaram no Subpub (faz sim) e no Antigo Estúdio Orbis, respectivamente em Jardim Ingá (GO) e Taguatinga (DF). Foi uma experiência muito legal, o pessoal me ajudou a colocar as fotos na parede e tudo mais, teve gente sendo levantada pra conseguir alcançar as fotos, foi um trabalho em equipe muito bom, o pessoal que não sabia o que tava acontecendo também curtiu e veio trocar ideia, perguntar dos fotografados e tudo mais. Além de todo esse apoio da galera, também foi muito importante o apoio dos organizadores, o Emídio (dono do Subpub) deu maior apoio e o Phu (dono do Antigo Orbis Estúdio ) também, os dois pediram pra deixar as fotos lá (hahaha).
Acho que o projeto todo rolou num esquema meio que em grupo, tem gente que não participou, mas que de alguma forma ajudou, como o Serjão que me ajudou com o nome, o pessoal do grupo de pesquisa que deu umas ideias legais, o Testa (Lomba Raivosa) e a Carina Hirota que tão sempre dando o maior apoio e todos os motoristas de ônibus (hahaha).

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Querolx no espaço Subpub, em Luziânia (GO)

NADA POP – Como foi o contato com essas pessoas, você conhecia todas? Elas aceitaram de boa participar e quanto tempo levou para produzir todas as fotos? Quem fez a edição do trabalho?

QUEROLX – Chamar a galera pra participar foi legal e exaustivo ao mesmo tempo, tive que correr atrás do pessoal. Tinha uma galera que eu não conhecia, nesse quesito o Formiga (estúdio Formigueiro) me ajudou bastante, já tinha contado pra ele da ideia e pedi uma ajuda e enquanto mixavamos o CD da minha banda (ele gravou, mixou, etc etc ) ele foi me mostrando a galera. Entrei em contato e fui atrás do pessoal, nem sempre dava certo, alguns lugares não podiam ser fotografados, algumas pessoas foram demitidas no meio do processo e muitas vezes os horários não batiam, esse contato e as fotos de show levaram cerca de 01 ano. Quem editou foi o César, você e todo mundo que tá lendo conhece ele como Passa Mal. Conheci o Passa naquele primeiro rolê e fiquei muito amiga dele e dos meninos da Lomba (Testa e Lindalo). Queria uma pessoa que entendesse o que eu queria mostrar e que realmente vivesse aquilo, bati um papo com ele e ele botou maior fé, fiz até uma tatuagem com o rosto dele pra firmar essa nossa parceria. Para ver essa tatuagem basta clicar AQUI.

NADA POP – Você pretende expor este trabalho em outras regiões do país? Existem propostas para isso e quem tiver interesse de levar esse trabalho para outras cidades como pode entrar em contato com você?

QUEROLX – O objetivo é sempre expor enquanto estiver rolando show de alguma banda, não importa se é numa casa de show famosa ou se é no quintal de alguém, quero levar as fotos pra fazer uma “tour” e na medida do possível levar as bandas também, inclusive a minha. Quem tiver a fim de ver “issae” é só entrar em contato pelo Facebook (clique AQUI).

NADA POP – De todas as pessoas que você tirou fotos teve alguma que surpreendeu mais você a respeito do trabalho dela no dia a dia? Algo que você não esperava ou imaginava que a pessoa pudesse fazer, seja pela dificuldade do trabalho ou pela relação (ou falta dela) com a música?

QUEROLX – Acho que da galera que participou os que mais me surpreenderam foi o Túlio que parece um bicho de sete cabeças no show e quando encontrei o cara no trabalho, sendo chamado de “Seu Túlio” foi realmente estranho e legal ao mesmo tempo. Outro cara legal foi o Hudson que trabalha como segurança e teve que fazer o maior esquema pra tirar as fotos, sem contar com a Rita que toca bateria e é chefe no trabalho, com um monte de estagiários pedindo permissão pra fazer as coisas, foi bem divertido. Além desse pessoal tiveram algumas pessoas que não entraram na exposição, mas que em breve vocês devem ver por aí, incluindo um cobrador de ônibus, um atendente de call center e um cozinheiro.

É legal explorar esse esquema de que as pessoas são realmente diferentes de um lugar pro outro, que no trabalho devem se portar, vestir e falar de maneiras diferentes do que naquele momento do show onde podem se expressar livremente.

NADA POP – Quais foram as maiores dificuldades na realização das fotos, é possível citar algumas?

QUEROLX – Além do tempo, algumas pessoas trabalham muito longe, uma delas ficava a mais de 40 km de onde moro, a locomoção por aqui é meio difícil e como não tenho carro isso atrapalhou bastante. Além disso, tive que procurar alternativas por conta dos preços de impressão (que estavam saindo mais de R$ 1.000) isso gerou certa dor de cabeça, mas no final tudo deu certo.

NADA POP – Quais são as suas influências na fotografia? Aguém que você goste ou acompanha o trabalho ou que até sirva como referência pra você?

QUEROLX – O cara que mais me influenciou até hoje nesse quesito foi o Bob Gruen, assisti o documentário dele antes de comprar minha máquina e queria fazer algo parecido. Depois de um tempo fui a uma exposição dele na Argentina e tive certeza que eu queria ser ele. Além disso, acompanho o trabalho de um pessoal como o Roberto Gasparro (que estava aqui em Brasília nesse fim de semana), o Deco, o Alsaki, o Igor Kawaka e mais uma galera que faz Fine Art tipo o Edvard Badoyan, que tem 17 anos e já está super famoso. No Facebook tem vários grupos de fotógrafos de shows, de rock, etc. É sempre bom se meter no meio dessas coisas e pegar umas dicas e fazer novos amigos.

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Exposição do “Além dos Amplificadores” no Subpub – Foto por Roberto Gasparro

NADA POP – E quais são os planos a partir de agora? O que virá em seguida, planos?

QUEROLX – A expo “Além dos Amplificadores” continua e eu continuo aberta a novas propostas, então se alguém tiver a fim de participar é só me chamar, penso em fazer alguma coisa em nível nacional, mas isso é só pra mais tarde. Já estou com mais dois ensaios fotográficos encaminhados, um que inclui discos de vinil e outro ligado à psicologia, atualmente estou fazendo umas experimentações analógicas numa FG 20 da Nikon.

O site segue em frente, as zines também, uma das bandas logo mais irá sair pra tour e a outra logo mais grava alguma coisa, além disso, deve rolar um arquivo em PDF com umas palavras horríveis que escrevi até ano que vem. Mas tudo isso entra no calendário do “logo mais”.

NADA POP – Como você também produz clipes para bandas, qual clipe você gostaria que a gente publicasse aqui como encerramento da entrevista?

QUEROLX – Acho que podemos terminar com o clipe “Comida Rápida” da minha banda, se eu pudesse fazer um comentário pra ele seria “CAOS, sem palhaçada ou embromation, quem quer fazer faz. Fim”.

Para saber mais sobre o trabalho da Querolx acesse os seguintes links:

Subverter
http://www.subverter.com.br/

Querolx Fotografia
https://www.facebook.com/querolx?

Flickr Querolx
https://www.flickr.com/photos/querolx/sets/

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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