quarta-feira, 20 de março de 2019
Nada Pop

Nada Pop Recomenda #002 – MAYO, Xupakabras e Beer & Bong

Para aqueles que acreditam que o rock nacional está morto, temos o prazer de informar que ele está mais vivo do que nunca. Hoje o Nada Pop Recomenda falará das bandas MAYO, Xupakabras e Beer & Bong.

MAYO
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panacea

Essa banda de Indaiatuba (SP) faz um rock alternativo. Só que ao invés de soar com aquela pegada mais distorcida e com riffs um pouco mais sujos, os caras tocam um som mais limpo, refinado e com melodias bem trabalhadas. Na pegada de bandas como Foo Fighters e principalmente Incubus. Mas as referências não param por aí. É possível sacar algo de Kings of Leon, Artic Monkeys e até Queens of The Stone Age. Mas é claro, a sonoridade desse grupo só pode ser comparada as bandas citadas muito por conta de seus integrantes, que são músicos bastante competentes, contando com Erik Hendges (guitarra e vocal), Marcelo Pacheco (baixo e backing vocal) e Felipe Pellison (bateria).

O nome da banda é uma sigla. MAYO é uma expressão em inglês de “Make Your Own”, que significa algo como “Faça acontecer por conta própria”. E fazendo jus ao nome, os caras realmente fizeram as coisas acontecerem para a banda. O primeiro EP, intitulado “Samuel & His 12 Tofus” foi produzido pelo próprio grupo. Lançado virtualmente em 2012, o EP conta com 3 sons: “Blue”, “12” e “Wish me Well”. E em 2013 a banda lança seu primeiro álbum, o “Panacéa” (para ouvi-lo clique AQUI), mostrando toda a sonoridade peculiar dos caras. O álbum conta com 9 sons, destaque para “Keep the Change” que virou clipe, “Sandland”, que gruda na mente assim que você a ouve e “Samuel”, sonzeira com uma pegada mais pesada e direta, diferente (mas não menos empolgante) dos outros sons da banda. Esse primeiro álbum foi gravado e produzido pelo próprio Erik (guitarra da banda) em seu próprio estúdio, o Berra Brasil. Com mixagem de Ícaro Ferre e masterização por Neto Grous.

Após o lançamento do primeiro disco, a banda se apresentou ao lado de diversas bandas da cena underground como Lisabi, Sillverado Rock Blues , Doctor Mars, Fast Falling, entre outras. E pouco tempo depois, conseguiram marcar alguns shows em Londres, na Inglaterra. Fizeram 3 apresentações que foram muito bem recebidas pela galera. Dividiram o palco com a banda local Nightlife e a banda Crashing Color, do Texas (EUA). Culminando com uma possível volta da banda ao exterior, tanto na Europa como nos Estados Unidos.

Agora esperamos que a banda tenha a mesma repercussão positiva que teve lá fora aqui no Brasil.  Competência e talento eles têm de sobra. É só continuarem na mesma pegada, fazendo acontecer. Seguindo essa ideia, a banda com certeza dará passos maiores.

 

Xupakabras
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xupakabras

Para quem acredita que a única cidade do Centro Oeste do país onde é possível encontrar bandas de rock é Brasília, o Xupakabras aparece para mostrar o quanto muitas pessoas estão erradas com relação a essa ideia.

O grupo é da cidade de Dourados (MS) e foi formado em 2007, e após algumas mudanças de formação, hoje conta com Pablo Tedeshi (bateria), Arthur Banzato (baixo) Victor Dejard (guitarra) e Felipe Duarte (vocal). O som dos caras é um punk/hardcore muito bacana, com influências principalmente de bandas como Mukeka Di Rato, Merda, Raimundos e FYP, passando também por Rogério Skylab, Ramones, Dead Kennedys e NOFX.

O nome é uma homenagem a um time de futebol de várzea (Chupacabras) da cidade, do qual alguns de seus membros faziam parte. E por mais que eles falem que não possuem nenhum talento pro rock, podemos dizer que para jogadores de futebol, até que eles são bons músicos. Os caras mandam muito bem no som, e mostram um trabalho muito bem gravado.

Lançaram em março desse ano o álbum “Copa Y Pelea” (para ouvi-lo clique AQUI), que contou com a produção e gravação por Renan Gobi, e foi mixado e masterizado por Cássio Zambotto, em Natal (RN), que também foi o baterista dessa gravação. Já que a banda estava sem batera durante as gravações. A capa do álbum foi inspirada em futebol, tema também abordado em algumas faixas do álbum, como na própria faixa que dá nome ao disco (Copa Y Pelea) e em “Gol de Ouro”.  Também abordam temas mais irreverentes, como em “Canção de Baile”, “A Farsa” e “Ninguém vai comer a Minha Filha”, temas de cunho crítico com “Genocíndio” e temas mais regionais com os sons “Dourados Rednecks Lifestyle” e “Garota Sertaneja”, esse último contou com a participação de Camilo Quadros da banda Cueio Limão no vocal.

São 16 sons em pouco mais de 20 minutos.  Rápido, divertido e sem “frescurite”. Mostrando que não é só de música sertaneja que vive o centro oeste brasileiro. Graças a esses rockeiros metidos a jogadores de futebol do Xupakabras.

 

Beer & Bong
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beerbongband

Quem disse que para uma banda ser foda ela deve se propor apenas em fazer um som com letras engajadas, de cunho político e recheada de críticas sociais? E porque será que ainda existem pessoas que torcem o nariz para algumas bandas que se propõem a fazer um som com letras engraçadas falando de cerveja, mulher, maconha, desilusões e tudo mais que seja descompromissado? Para quem ainda bota fé nessas ideias, com certeza acreditará cegamente que o Beer & Bong é mais uma dessas bandas que não tem merda nenhuma a dizer.

Porém, o melhor de tudo isso é que esse trio guarulhense, formado por Sub (batera e backing vocal), Dudu (baixo) e Allison (guitarra e vocal) quebra todos esses “pré-conceitos”. E sim, de forma despretensiosa e autêntica. Sem precisar ser uma banda seria, mas mesmo assim com muita coisa a dizer. Inclusive sobre temas que com certeza você leitor com mais de trinta anos atualmente irá se identificar. Quer saber o porquê? Explicarei a seguir.

O som do Beer & Bong é uma mistura de Rock, Ska, Reggae, Punk e Hardcore. No melhor estilo de bandas como Sublime, Operation Ivy, Os Thompsons, Assorted Jelly Beans. Aliado a irreverência de bandas como Raimundos e Ultraje a Rigor. Lançaram esse ano, o EP (clique AQUI para ouvi-lo) de nome homônimo. Que conta com quatro sons. Onde eles mostram para o que vieram e com músicas que tocariam fácil em qualquer rádio rock. O álbum começa com a música “Pombo”. Essa letra conta a história de seu vocalista (Allison) que devido a uma briga familiar saiu de casa e morou na rua por quase um ano. Você deve achar que é zueira, né? Mas não, não é! É uma história verídica! Muito bem contada na melodia que gruda na cabeça.

Seguida de “Sonhos”, música que retrata uma desilusão amorosa. Mas o ápice de tudo é a genial “Locão”.  Não vou dizer aqui do que fala essa letra para que você ouça e tire suas próprias conclusões, certo? O disquinho fecha com “Cine Privê”. Lembra do que eu falei que se você tem agora um pouco mais de trinta anos se identificaria com a banda de alguma forma? Lembrou, né? Pra quem não conhece, Cine Privê era um programa “Soft-Porn” que passava de sábado de madruga na Band, em meados dos anos 90. E que “divertia” muitos adolescentes na época (vai dizer que você nunca assistiu um filme da Emanuelle?). Bom, agora que já falei sobre o som, só resta a você ouvi-lo. No fim das contas, duvido que você não tenha ficado com um sorriso estampado no rosto, ou se identificado com algum som, ou melhor ainda, que você tenha mudado seus conceitos relacionado a bandas do naipe do Beer & Bong.

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Sobre o autor

Toni Dissidente

Toni Dissidente é vocalista e fundador da banda Dissidentes, com mais de 10 anos de estrada. Também foi um dos idealizadores do Nada Pop, deixando o site em 2015.

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