sexta-feira, 19 de julho de 2019
Nada Pop

Lucas Walmrath ou Lemos: quadrinhos marginais

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Confira a HQ inspirada pela música “Rotina”, dos Inocentes. Acesse AQUI.

Por Leo Moraes

Uma das páginas mais bacanas e interessantes do Facebook é a “Marginal Comics”, que traz, como eles mesmos dizem, “histórias em quadrinhos com teor crítico, atual e subversivo produzido de maneira independente”. Caso não conheça a página recomendamos que não perca mais tempo, acesse clicando AQUI. Além disso, existe o blog da página e se você está no trabalho e por isso não conseguiu ver a page deles no Facebook, basta clicar AQUI.

Nesta página descobrimos o trabalho do Lucas Walmrath, ou apenas conhecido como Lemos, que transformou em desenho a música “Rotina” da banda Inocentes. Curiosos que somos, ainda mais quando se trata de algo que gostamos tanto (música + HQs), fomos conversar com o Lemos para que ele nos contasse mais sobre o seu trabalho. Descobrimos que ele é um quadrinista de mão cheia (tava na cara, certo?), mas que possui um projeto bem bacana: transformar em quadrinhos algumas músicas, como se fosse um videoclipe no formato HQ.

Abaixo é possível conferir o nosso bate-papo com o Lemos que nos conta um pouco mais sobre esse projeto. Aproveitamos para postar algumas imagens do seu trabalho, que você pode baixar e ler de forma completa clicando AQUI.

NADA POP – Seja bem-vindo ao Nada Pop. Por favor, nos conte sobre quem é você, sua formação e o seu trabalho.

LEMOS – É, pergunta mais difícil logo de cara… Sou Lucas Walmrath, também me chamam pelo outro sobrenome, Lemos. Carioca, 18 anos, arteiro nas horas vagas e sempre que tenho um surto de criatividade. Não tenho lá uma formação profissional, e nem acho que deveria quando se trata de arte. Não gosto de envolver arte com profissão.

Mas falando de formação, comecei a desenhar desde moleque, influenciado pelos desenhos, pelos quadrinhos e brinquedos, e especialmente por meu pai, que fizera escola técnica então já possuía alguma habilidade em rabiscar algumas ideias, como carros. Dali em diante trilhei meu caminho, cursei desde pequeno HQ num cursinho de artes em geral do meu bairro, e ali aprendi com meus dois professores (e mui amigos) muito do que sei.

Meu trabalho é escasso, é muito mais ideia do que prática. Sou o rei dos desenhos inacabados e das ideias não concretizadas, prestes a mudar esse panorama, espero. Sempre deixei vários personagens inacabados, desenhos em geral que nunca foram terminados e se perderam no tempo. Meu foco agora que me sinto mais preparado e não repetir isso para os quadrinhos.

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NADA POP – Conte como começou a ideia deste projeto de transformar músicas em quadrinhos. E em qual ponto se encontra? Qual é o objetivo a ser alcançado?

LEMOS – Começou com várias ideias que tenho em interpretar tudo que me influencia e tornar isso para as mídias que me expressam melhor, pelo simples prazer de fazer e ver lá pronto, se sentir realizado. Comecei esboçando, anos atrás, uma adaptação do álbum American Idiot, do Green Day, que tem uma bela e longa história de seu personagem. E tudo isso aumentou quando vi o Faroeste Caboclo ser adaptado para a telona. Daí parti para minha sonhadora versão. Queria algo demais para meu potencial, história própria, então ficaria longo e impreciso. Resolvi voltar e começar por musicas mais simples e de artistas menos conhecidos, além de desenhar a história tal qual a letra, como se fosse o clipe que passava em minha cabeça quando ouvia a canção.

Foi ai que arrisquei inicialmente com 1.8, do Pato Fu. Me encontro fazendo minha terceira adaptação, e não posso revelar mais detalhes e spoilers (como se fosse tão importante assim). Só posso dizer que estou trabalhando com mais empenho nos detalhes, e será até então o quadrinho mais desafiador de todos, com detalhes e muitas cores, além de um formato mais moderno e não tão antigo como os outros. O objetivo é morrer tranquilo que fiz o que pensava, transcrevi pro papel o que me emociona e me move com a arte. Com isso vem a singela homenagem as bandas, espero que elas gostem e liberem o uso da música e da letra!

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NADA POP – Quais são suas influências musicais? E suas influências em HQs?

LEMOS – Cara, tento ouvir de tudo, não tem essa comigo de pertencer a uma tribo. Sinto que acordo com o ”espírito” voltado para cada estilo de acordo com as situações. Vou do samba, MPB, folk até o hardcore, punk. Ultimamente o HC/punk tem sido minha praia, empaquei por aí. Acho que vou curtir o resto da juventude na velocidade da batera e quando velho sossegar ouvindo um chorinho…

Curto muito o punk brasileiro, como Cólera, Inocentes, Garotos Podres e tantos aí. Já nas HQs eu curto muito mais a história do que a forma. Então sou adepto do segmento mais alternativo, de selos como a Vertigo e seus clássicos, como V de Vingança, Watchmen, Sandman. Curto bastante o estilo film noir, do cinema e dos quadrinhos, com Sin City como melhor exemplo, até o universo Cyber Punk de Transmetropolitan. Tem espaço pra tudo. Tenho curtido bastante quadrinhos clássicos, como do Joe Kubert e do Will Eisner, vovôs das HQs.

NADA POP – E como você vê o mercado para quadrinistas independentes aqui no Brasil?

LEMOS – Bom, sou um grande novato no meio. Mas posso notar que a internet mudou tudo, criou um universo novo de possibilidades. Ainda acho restrito e impopular, não é algo fácil de cair no gosto da garotada que só curte os blockbusters americanos e suas histórias vazias. Novas possibilidades se abrem pra galera que tem muito talento e consegue financiamento coletivo nos catarses da vida e parece dar bastante certo, mas não me parece rentável, ainda é tratado como hobby paralelo ao trabalho fixo de muitos, ao menos sinto isso. E acaba ficando limitado ao mesmo grupo de consumo destas produções. Espero mais visibilidade pro futuro, como as feiras que estão começando a organizar o conteúdo ”nerd” em toda sua variedade.

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NADA POP – Quais os planos para o futuro? Tem algo relacionado a música também?

LEMOS – Meus planos consistem em terminar e me dar por satisfeito com minha evolução no processo criativo e no resultado final, conseguindo tocar mais pessoas, fazendo com que uma mínima reflexão surja da arte. Está totalmente ligado com a música em curto prazo, porque pretendo seguir realmente a ideia de fazer as músicas desenhadas. Tenho uma listinha longa já de músicas com alto potencial de serem rabiscadas. Quem sabe também monto um power trio com meu irmão pra tocar hardcore por aí, mas isso é outra história.

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NADA POP – Fique à vontade para dar um recado ao pessoal.

LEMOS – Meu recado é para que as pessoas reflitam em si as mudanças que queiram ser para o mundo. A história não acabou, a humanidade é uma grande família, e nos esquecemos disso. Reveja seus valores, hábitos e comportamentos. Escute e vá viver o mundo e as pequenas experiências do dia a dia. Conteste sempre, nunca negue seu senso crítico e sua liberdade de pensar. Uma vez que a gente pensa e enxerga, não tem mais volta. ”Conformismo e resistência” como diria a canção. Queria deixar um salve pra galera do site e pela grande oportunidade de expor meu trabalho. Espero que gostem e se identifiquem, tem muito mais por vir. Valeu galera!

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Para ler a história completa baseada na música “Rotina”, dos Inocentes, clique AQUI. Para entrar em contato o Lemos acesse o perfil dele no Facebook: https://www.facebook.com/lucas.fawkes.9

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Sobre o autor

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Nada Pop é um espaço sobre punk, hardcore e alternativo.

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