sábado, 17 de agosto de 2019
Nada Pop

[lançamento] Alto Nível de Insanidade é realmente… Insano!

Alto Nível de Insanidade: Nayra (voz), Felippe (guitarra e voz), Marco (bateria) e Id (baixo). Foto: divulgação

Lembro de uma conversa com o Felippe, guitarra do Alto Nível de Insanidade, em meados de 2016 (se não me engano), no qual falava que gostaria de ver um lançamento da banda, com os sons que ouvia dos ensaios do grupo que eles me mostravam em vídeo.

Obviamente, diante das dificuldades, esse plano de gravar um álbum existia pela banda, mas ainda parecia que iria demorar um pouco. Afinal, estamos bem longe dos anos 80, mas quem diz que gravar um álbum nos dias de hoje é super fácil realmente não conhece a realidade brasileira. Mas isso é papo para outro momento.

Assim, foi com grata surpresa que recebi do próprio Felippe o link com o álbum de estreia do grupo. São nove faixas gravadas, mixadas e masterizadas no estúdio Hardcaos, do Fábio Godoy, que mostram toda a raiva e insanidade do grupo que leva como vocal a Nayra, no baixo o Id, na batera o Marco e, claro, o guitarra Felippe. A arte do álbum é assinada por Leonardo Alves Silva.

Ao ouvir, num primeiro momento, achei que meu fone de ouvido estava com algum problema. Pois era só colocar a música para tocar que ele caía da minha orelha. Pelo visto, ele não aguentou o peso do som… coitado.

O álbum começa com “Corra, viva, morra!”, acordes lentos e que em seguida explodem na sua cara. Não perca tempo pensando, viva a sua vida… Mas não caía em armadilhas, pois sempre terá alguém tentando controlar você, pode ser um patrão chato ou o próprio dinheiro. Mensagem clara e direta, impossível não se identificar.

Depois temos “Livro sujo”, um bela metáfora comparando um livro com a vida que há tempos não lembro de ter visto no punk. Poderia falar mais sobre isso, mas esse é o caso em que ouvir é melhor do que falar sobre, pois as interpretações dessa música podem variar bastante para cada um. Então fica o recado: ouça!

Em “Custo do progresso”, outra faixa incrível, o medo é o mote da música. Já parou pra pensar na quantidade de pessoas que usufruem do seu suor, do seu sacrifício enquanto te pagam uma miséria e você se vê diante de várias dificuldades, constrangimentos, desconforto e lágrimas? Pois é…

Na quarta faixa, “Conflito”, vemos um acorde simples que consegue com extrema facilidade demonstrar o abismo que vivemos, ou melhor, como vivemos na beira do abismo. Talvez o limite entre ambições, trabalho ou um copo de veneno seja mais tênue do que possamos imaginar.

Depois de várias explosões sonoras, uma paulada na orelha atrás da outra, meu fone de ouvido já está todo estourado. A banda agora me deve um fone de ouvido novo… Mas continuamos na escuta e uma das faixas que mais gostei da banda começa. Em “Agonia” a habilidade musical do grupo transparece ainda mais e a letra, que letra meus amigos, é um manifesto contra o tédio.

Já em “Brain melt”, faixa em inglês e que a tradução significa algo como derretimento do cérebro, simboliza o vazio que sentimos diante do mundo que pode ser causado por diferentes fatores. Pode ser a forma como nos sentimos deslocados de tudo, pela falta de amor, pelo tédio. “O que você pode fazer quando está perdido dentro de si mesmo?”, a pergunta que simboliza a música e o sentimento de que seu cérebro está se esvaindo aos poucos.

Você pode se sentir escravizado no trabalho, pode estar preso em horários, obrigações e exausto, mais você ainda pode ser livre em sua mente. Uma bela mensagem na faixa “Poros pútridos”. Claro, você poderá perceber outros significados nessa música, por isso, mais uma vez eu digo: ouça!

Na penúltima música intitulada “Ironia”, descobri outra faixa incrível e que se tornou também minha preferida. Longe daquelas mensagens curtas e rápidas que estamos acostumados no punk, aqui temos uma mensagem longa, mas necessária. São seis minutos de música, mas com variações que se tornam diferentes músicas dentro de uma só. E acredite, não ficou estranho. Tudo se fecha e se transforma em algo grandioso o bastante para se tornar uma daquelas faixas memoráveis por muito e muito tempo.

A banda encerra o disco com “Not just boys fun”, do 7 Seconds, bem justo. Se você for daqueles idiotas que acha que o punk não é lugar de mulher e que torceu o nariz por ouvir uma menina no vocal de uma banda agressiva e forte como o Alto Nível de Insanidade, bem… você realmente está no rolê errado.

Bom, depois de tudo isso o que eu disse, acho que só cabe a você curtir a página da banda e frequentar os shows do grupo. Ouça em alto e bom som!

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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