domingo, 18 de agosto de 2019
Nada Pop

[estreia] Pata lança “Shit and Blood” e mostra porque é uma das promessas para o punk rock nacional

Estou aqui, às 7h da manhã, de uma segunda-feira, correndo atrasado em direção ao trabalho e amaldiçoando a própria vida por não ter nascido em berço de ouro, quando do nada lembro dos meus fones de ouvido bluetooth e de um tal disco intitulado “Shit and Blood”, da banda Pata, que foi encaminhado para o Nada Pop pela Efusiva Records para uma audição em primeira mão. Sem pensar duas vezes coloco o álbum para rodar. O álbum foi lançado nesta quinta-feira (13) e está disponível em diversas plataformas digitais.

A Pata é uma banda que surgiu em 2017, em Belo Horizonte, Minas Gerais, sendo formada por Lúcia Vulcano (guitarra e voz), Luís Friche (baixo) e Beatriz Moura (bateria). Estou pirando com a faixa “Downer”, que abre o álbum. É uma mistura de grunge com punk, mas é muito mais do que isso. No entanto, eu juro que parecia ter me teletransportado para os anos 1990, onde camisas de flanela ainda faziam sucesso.

Em seguida, “Poor little rich kid” tem início. É a segunda faixa do “Shit and Blood” e estou definitivamente fisgado pelo álbum, que nessa altura já se mostra com algumas construções e um subjetivo feminino bem interessante. São 10 faixas gravadas no Estúdio Motor, lá em Belo Horizonte, com a produção de Rafael Dutra e eu me pergunto: “por onde andava essa banda que conheço pouco e considero pacas?”.

Capa do álbum “Shit and Blood”, da Pata.

“Selvagem Cabeluda” definitivamente não é uma música “family friend”, mas de uma pessoa que se tornou mulher e, assim como disse Simone de Beauvoir, está imersa nesse mundo com suas estruturas sufocantes e deterministas. Sim, roubei essa frase do release da banda, pois definitivamente é isso. Destruir o patriarcado é o objetivo de mulheres que não querem ser princesas… e elas possuem toda a razão.

Com “I won’t lie”, que por algum motivo que não sei dizer, mas fez lembrar do álbum “Incesticide”, do Nirvana (ou Norvona se preferir), é quase uma balada, mas não se engane! Quando o refrão entra é impossível não cantar junto.

Em “Life doesn’t get better” você sente aquele velho punk que lembra um pouco o bubblegum. O início é lento, porém divertido, e fica mais pesado com o decorrer da música. É mais ou menos o contrário que acontece com a faixa “26”, sexta do disco. O riff para essa canção é pesadíssimo, com algumas partes mais lentas.

Banda Pata, de Minas Gerais – Foto: divulgação

“Monster” começa com a batera e logo depois o baixo em uma cozinha espetacular de bom com algo simples. A explosão sonora durante a faixa e a volta para o início exige um entrosamento que seria ótimo ver ao vivo. Se estivesse em Belo Horizonte, não perderia por nada o show de lançamento do disco no dia 14 de junho, no Stonehenge Rock Bar (Rua Tupis, 1.448). Além da Pata, tocam Weedra e Miêta. Para mais informações sobre o lançamento do álbum CLIQUE AQUI.

A vocalista Lúcia Vulcano, que possui uma voz incrível, explica que, em pouco mais de um ano, o trio conseguiu circular bastante para uma banda que conta somente com um EP na bagagem. “Conhecemos muita gente massa também e fizemos músicas novas que estão bem legais. Além disso, é importante deixar claro que estamos mais sábios e perigosos”, ressalta vocalista extrovertida.


Falando em Monster, pode-se dizer que essa faixa é são duas em uma só. Melhor do que explicar, ouça. Sério, ouça.

As últimas faixas do álbum, “Therapy Session”, “The witches” e “Next Year”, encerram de forma espetacular esse que pode ser considerado um dos melhores lançamentos de 2019. Destaque para “Next Year”, mais uma vez, impossível não pensar no acústico MTV do Nirvana.

Consegui chegar ao trabalho com a sensação de que na volta para casa ouviria novamente “Shit and Blood”. Que álbum pessoal, que álbum!

Encontre a Pata nas redes sociais:

Facebook: https://www.facebook.com/patamusic/
Instagram: https://www.instagram.com/patapnk_/
E-mail: patacabeluda@gmail.com
Bandcamp: https://pata.bandcamp.com/releases

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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