domingo, 25 de agosto de 2019
Nada Pop

Escuta as mina #2 – The Mönic e o lançamento do Deus Picio

The Monic – Foto: Letícia Pataquine

Por Letícia Pataquine

No dia 13 de julho, Dia Mundial do Rock, o Centro Cultural de São Paulo (CCSP) foi palco do lançamento de Deus Picio, primeiro disco da The Mönic, banda formada por Ale Labele, Dani Buarque, Joan Bedin e Daniely Simões.

O CCSP exige pontualidade, então, às 19h em ponto começou o show de abertura, feito pela Violet Soda, banda de garage rock, comandada por Karen Dió e Murilo Lopes, que, sem os integrantes André Dea e Tuti Camargo – ambos fora de SP por conta de projetos paralelos –, se apresentou com dois integrantes ilustres: Raphael Miranda (Ego Kill Talent) na bateria e Alexandre Capilé (Sugar Kane, Water Rats) no baixo.

O show, que começou com Candyman (música que tem um dos clipes mais legais de 2019) e terminou com Self Esteem, mostrou todo o (ainda) pequeno, mas incrível repertório da banda, disponível nos EPs Ashes e Tangerine, ambos de 2018. A banda também não deixou de fora do setlist a música Do it, da carreira solo de Karen, que coube perfeitamente em um evento no qual as próprias bandas montam e desmontam seus instrumentos e vendem seu próprio merch: just do it, just do it.

Violet Soda – Foto: Letícia Pataquine

O púbico mal teve tempo de respirar depois do show da Violet Soda e alguns minutos depois se ouviam os primeiros acordes de High e a The Mönic começava um show marcante pra todos que estavam no CCSP naquela noite.

A segunda música foi Refém, que, sem subjetividade, é um grito contra a submissão e pela liberdade de expressão e pensamento. Antes de continuar o show, Dani avisou que por conta do tempo, elas falariam pouco com o público entre uma música e outra – “isso é difícil pra mim, vocês sabem”, falou Dani enquanto dava risada e iniciava Complexity, música que, assim como as que viriam na sequência, não estão em Deus Picio, como Buda e Aquela mina. Depois viriam as músicas do álbum, como Mexico, Andy & I e Scars and cigarretes.

No palco, a The Mönic é pura atitude. O som é difícil de ser rotulado e cada integrante tem uma personalidade que é marcante e visível durante o show, mas que se complementam super bem quando juntas. Ver a apresentação da banda, especialmente no Dia do Rock e sendo mulher, foi intenso. O som nos remete aos anos 1990, mas ao mesmo tempo nos lembra de que estamos em 2019, no CCSP, diante de uma banda independente formada só por mulheres.

The Monic – Foto: Letícia Pataquine

E mulheres que têm muito a dizer: antes de iniciar Permission, a última do show, Dani avisou que a mensagem ali era direta para os homofóbicos – Nobody’s asking permission to love./ I can’t buy what church is telling me./ Is this the good world you wanna live in?/ Fed with hate by false prophets?

Quando o show acabou, rolaram agradecimentos e foto com o público, mas a galera gritava por mais uma. Dani perguntou que horas eram e sorte a nossa que ainda eram 20h22, assim deu tempo de ouvir mais uma vez Mexico e Buda. Na última rolou até uma participação especial de uma das atrizes do clipe, Brisa Buarque, irmã da Dani, que saiu da plateia e foi para o palco.

The Monic – Foto: Letícia Pataquine

Falando em plateia, talvez o único ponto negativo da noite tenha sido o fato de que, por ser em uma sala com cadeiras, boa parte do público permaneceu sentada durante os shows, mesmo um funcionário do CCSP avisando que assistir o show ali era mais “caliente” que assistir da parte de cima da sala. Foram poucos os que se levantaram e assistiram os shows nas laterais do palco ou na parte de cima da sala, apesar disso, o funcionário não estava completamente errado, com plateia sentada ou não, foi “caliente” e marcante ver Deus Picio ao vivo.

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