sexta-feira, 19 de julho de 2019
Nada Pop

[entrevista] Cint Murphy, da In Venus: “É a mulherada ficando embucetada”

In Venus – Foto: Marcela Guimarães

{introdução pela própria Cint}

Meu nome real é Cintia Ferreira. Eu nasci em 20 de agosto em São Bernardo do Campo, fui criada em Santo André (SP). Santo André tem total influência no que eu sou. “Nasci num subúrbio operário de um país subdesenvolvido”, parafraseando o Garotos Podres. Minha mãe é manicure, meu pai é aposentado de montadora de carro. Eu morava há uma avenida da Favela do Cigano. Eu vivi a morte de amigos. Eu não estudei nas melhores escolas da cidade porque meu pai nunca teve grana. Fui bolsista de esporte, jogava handball quando adolescente, trampo desde os 14 anos.

Aos 18 eu pegava trem lotado às 6h da manhã, atravessava São Paulo para trabalhar de telemarketing em Osasco. A revolta é a mesma revolta de qualquer pessoa que teve que lutar pra caralho pra ter um privilégio mínimo, mas que hoje já está a quilômetros de distância de qualquer pessoa que ainda permanece em Utinga. Essa vivência, felizmente, hoje não é mais a minha, mas é ela que me inspira. O que é uma bosta, porque isso não é uma romantização do sofrimento, ninguém merece passar por isso. Ninguém deveria passar por isso.

A loucura/arte foi onde eu me encontrei pra falar sobre. Nem sei se tem gente que me escuta, mas se tiver, saibam que eu fui vocês um dia. Por sorte estou um pouco mais privilegiada hoje, morando em $P, me sustentando, tendo um salário que me dá uma vida confortável. E eu falo por que eu fui vocês um dia, e cutuco feridas pra vocês serem lembrados, porque no que depender de 50 milhões de brasileiros, a quebrada vai ser esquecida.

{fim da introdução pela Cint}

Não há um jeito simples de explicar o som da In Venus. Um estilo meio no wave ou post-punk, noise ou dark oitentista. Já as letras possuem uma pegada feminista e constroem um sentimento de tensão em camadas, em uma crescente catarse sonora de ruídos e texturas muito fácil de se pegar flutuando entre os prédios cinzas da cidade mais cinza ainda.

Somente em São Paulo a banda poderia ter nascido, pois a construção sonora da banda, do grupo, usa como como base as estruturas concretizadas dos muros que não constroem apenas pontes para o transitar dos carros, mas que nos separam em muros feitos de egos, insensibilidade, pressa e pichação. Aqueles e aquelas que buscam fugir da Matrix acabam marginalizados dos fluxogramas predispostos em suas vidas, tornando inviável o convívio pacífico e criando o desconforto em viver em sociedade, um verdadeiro caos indissolúvel em suas almas e, ao mesmo tempo, o combustível necessário para a arte que transcende o poder de viver e a dor que nos abala.

Formada em 2015, atualmente a In Venus é composta por Cint Murphy (voz e teclado), Jiulian Regine (bateria), Rodrigo Lima (guitarra) e Patricia Saltara (baixo).

Cint Murphy – Arquivo pessoal

No ano seguinte de sua formação, surge o single “Mother Nature” e o primeiro videoclipe do grupo. Em 2017, surge “Youth Generation”, outro single que antecede o álbum Ruína, com nove faixas e produzido por Lucas Lippaus, no Estúdio Aurora, em São Paulo.

Ruína foi considerado por muitos como um dos melhores álbuns lançados daquele ano, com o estardalhar necessário capaz de alavancar a banda a alguns dos seus principais shows e apresentações que banharam São Paulo com aquilo que se vê de melhor entre som e conceito, mulheres à frente do tempo, do seu próprio tempo, mostrando que o que nem todo mundo ainda estava preparado para perceber e, muito menos, ouvir.

A nossa entrevista de hoje é com a Cintia Ferreira, mais conhecida como Cint Murphy. Mulher autônoma, que carrega em suas mãos a chama de uma vida em combustão e arte.

Leia essa entrevista ouvindo esse som (por recomendação da Cint):

NADA POP – Cint, como você acredita que os seus amigos te enxergam e o que diriam as pessoas nem tão amigas assim sobre você?

CINT MURPHY – As pessoas me veem com uma mulher marrenta. Briguenta, que não consegue fingir que as dores do mundo não me atingem. Para algumas pessoas passo até um pouco como descontrolada e eu acho que eu realmente passo essa imagem, pela minha história, por tudo que eu já me envolvi, por todos os lugares que eu passei.

Meus amigos talvez tenham essa mesma visão, mas de um ângulo um pouco diferente, enxergando isso com admiração, ressignificando esses comportamentos como eu sendo uma mulher forte, atenta, parceira e guerreira, mas não consigo dizer o que o mundo constrói sobre mim na cabeça delas.

Hoje em dia, eu tô meio que cagando para o que as pessoas tão pensando. Só deixo elas pensarem o que elas quiserem sem que isso me atinja. Já foi muito problemático a imagem que eu construo no imaginário das pessoas, hoje em dia não faz muita diferença.

NADA POP – A arte tem apaziguado as dores do mundo neste caso? Para muitas pessoas, talvez, se não fosse a arte só existiria loucura. Você concorda com isso?

CINT MURPHY – Pra mim a arte não tem tranquilizado, ou diminuído essas dores. As dores do mundo me machucam de uma forma muito torturante, por que o que eu sinto é impotência diante de tudo que acontece ao meu redor. Sinto que eu estou numa enxurrada que só tá descendo e que eu não vou conseguir sair dela e me salvar, muito menos salvar as pessoas que me cercam. Quem dirá as pessoas que não me cercam.

Eu tenho enxergado a arte como loucura, uma loucura diferente do que aquela que a filosofia e a psicologia exploram. Uma loucura produtiva, que te imerge em si, que faz sentir coisas que não sentimos normalmente. Ou seja, pra mim elas são uma coisa só e acho que por isso não vejo salvação e tranquilidade através da arte.

A arte existe pra mostrar beleza, encantamento, mas principalmente pra incomodar, pra descobrir que essas dores existem, pra enxergar as próprias sombras, olhar para as doenças do mundo. Mas eu não acredito que a arte cura, e se ela é loucura, ela é só uma condição da mente humana na qual a sociedade julga ser anormal. Ser anormal isso é bem positivo. Isso é arte pra mim. Ou seja, a arte é a loucura, uma não existe sem a outra.

NADA POP – Se a arte é loucura, a In Venus seria a reunião de loucos que se assemelham nas emoções? O que você pode contar um pouco que seja sobre os outros integrantes da banda?

CINT MURPHY – Com certeza eu vejo na In Venus uma reunião de loucos com afinidades. Uma família bem louca. Bem por quê antes de existir banda, existe minha relação com o Rodrigo, né? Meu companheiro há 6 anos. Existe minha relação com a Vinhão, que eu considero uma irmã que me salvou de uma depressão profunda. Existe minha relação com a Duda, que é como se fosse uma irmã mais nova, com a qual eu tenho um cuidado e carinho. E existe a relação entre eles, e deles comigo, que essa eu não consigo descrever (hahahaha).

O que eu posso dizer é que eu sou um reflexo deles, cada um em uma característica própria, mas que se assemelham a mim em algum lugar. Por exemplo, a Vinhão e eu somos parecidas na objetividade, no “sangue nozói”. Somos mulheres metódicas das planilhas, da produção. Já com a Duda, é um lance de sermos muito profundas no que estamos sentindo e na forma como expressamos esses sentimentos, que normalmente é na raiva. Já o Rô reflete em mim tudo o que eu tenho de pior e preciso melhorar em mim, como uma foto em negativo. Nós somos o oposto um do outro. ele mostra que a paciência, a calma, a tranquilidade, que não fazem parte da minha natureza, são características maravilhosas e necessárias, e que eu desenvolvi graças a ele. Então, somos uma família de loucos, a imagem, semelhança e diferenças uns dos outros, que me completa, me contempla e me torna quem eu sou como individua.

NADA POP – Como foi a sua evolução musical, nesse contexto, qual a sua primeira lembrança sobre música, como tocar instrumentos e cantar entrou na sua vida? Por favor, descreva suas bandas anteriores, discos, experiências que de certa forma definiram a Cint de agora, principalmente as pessoas que participaram nisso com você positivamente e negativamente. Não precisa citar nomes.

CINT MURPHY – Interessante essa pergunta, pois falei sobre isso há poucos dias no twitter. O fio condutor da minha vida que passou por muitos lugares desconexos sempre foi a música. Todas as minhas amizades mais profundas foram criadas a partir da música. Todos os melhores e piores momentos da vida estão relacionados à música. A minha personalidade foi moldada a partir de bandas. A minha infância teve a música como guia de comportamento. A música ditou minha adolescência e hoje me leva ao conhecimento intelectual. Embora uma das minhas primeiras lembranças seja o clipe de Lullaby, do The Cure, quando criança. Eu ouvia qualquer coisa popular. Eu nasci e cresci na quebrada em Santo André (SP), então o que eu escutava era Xuxa, Sandy & Junior, uns axé, pagode, samba, sertanejo, pop que toca na Jovem Pan.

Meu pai trouxe umas referências de MPB e chorinho que eu vim gostar só depois de velha. Comecei a ouvir rock por causa do meu irmão que do nada aparecia com uns discos do Garotos Podres, Ramones, umas coletâneas da Bizz… Eu fui uma adolescente rebelde e me encontrei no Punk/Hardcore. Até os 18, 19 anos eu era só uma espectadora empolgada, quando fui convidada a integrar a Justiça. Esse momento foi um divisor de águas na minha vida, conheci gente muito foda, viajei pra vários lugares, vivi vários momentos absurdos, positiva e negativamente. A banda durou uns 6 anos mais ou menos, quando decidimos que precisávamos trilhar caminhos que não iam se cruzar mais.

Diferente do riot grrrl tradicional, a gente fazia um som mais pesado. Hardcore mesmo. Tenho muito carinho por essa fase, foi uma construção muito importante para a maioria de nós e tenho quase certeza que também foi importante pra uma pá de mina que colava nesses rolês que era dominado por meninos. Depois do Justiça eu dei uma pausa longa antes de voltar a tocar, eu precisava de um momento pra mim, eu precisava me enxergar de outras formas.

Justiça Punk em seu último show, no CEU Butantã, no ano de 2009 – Foto: Arquivo pessoal

Até que em 2013 eu conheci o Rô, e a nossa afinidade instantânea foi a música. Daí ele despertou de novo essa vontade em mim de fazer alguma coisa, a ideia de ter um projeto juntos era uma forma de nos sentirmos mais próximos. No começo a In Venus não me contemplava, por que não era uma sonoridade que me agradava, mas sentia que tinha que continuar fazendo, que uma hora ia chegar lá. Daí juntei grana, viajei, comprei um sintetizador, voltei inspirada e as coisas foram se encaixando mais com meu gosto. e esse gosto foi cruzando com o gosto do Rô e da Camila — ex baterista da In Venus. ai a vida vai trilhando seu caminho, sem que a gente tenha controle, né?

In Venus – Foto: Marcela Guimarães

Atualmente passo longas horas debruçada no silêncio. Só escuto os ruídos da reforma na casa do vizinho, as conversas na rua, da chuva… nunca estive tão distante da música como nesse momento da minha vida. É um silêncio na alma, que carrega um incômodo do não entendimento do vazio de música. Poucos artistas me interessam. Poucas sonoridades me atraem. me sinto uma crítica chata que não se conecta com quase nada nesse mar de informação jogadas sem cuidado na internet. Sinto uma obrigação por trás da maior parte das produções feitas. E sinto uma obrigação dos espectadores em gostar das coisas por quem está produzindo e não pelo resultado. Eu não consigo sentir verdade e entrega e isso também me fez refletir se fazer música é uma verdade pra mim. Ainda não cheguei em nenhuma conclusão, mas tô em paz com isso.

NADA POP – A música tem sido uma forma de muitas mulheres se posicionarem politicamente sobre seus direitos, conquistas e corpos… Isso, em alguns casos, assusta/ incomoda os homens inseridos na mesma cena musical que essas mulheres. Você concorda com isso? Por que seria assim?

CINT MURPHY – Concordo 100%. Uma mulher em posição de destaque incomoda os caras, tira o brilho deles. Uma mulher que ainda cutuca as feridas que os caras não querem olhar, então… a mulher no imaginário patriarcal tem uma figura sempre frágil, que está por trás dos caras. Pra eles, o palco não é lugar das minas. O backstage e a produção então, nem se fale. Se for uma mina fora do padrão (negra, gorda, sapatão, trans…), então, pode ter certeza que só é convidada para eventos de nicho ou se tiver bombando e as produções de eventos tenham algum interesse nessa figura feminina. E não seria assim. É assim. E é assim por que a gente vive numa estrutura falha, que foi criada para beneficiar homens brancos heteros. Se você não faz parte desse seleto grupo, você é menos. No nosso caso, a gente precisa ficar se provando o tempo inteiro pra mostrar que nós somos tão boas quanto. E o que é mais treta, é que algumas vezes esses comportamentos são inconscientes, quando você percebe, já aconteceu.

NADA POP – Se você tivesse que guardar apenas uma única lembrança na música, diante de todas as que você tem até hoje, qual seria?

CINT MURPHY – Um momento que eu acho que vou lembrar pra sempre foi o show da In Venus, no CCJ (Centro Cultural da juventude). Tinha um menininho de uns 7, 8 anos, que sentou no palco pra assistir o show, e ele colocava muita atenção em todos os nossos movimentos, tudo que a gente fazia parecia muito especial pra ele. Sei lá, acho que de alguma forma mudamos a vida dele.

NADA POP – Você citou uma depressão profunda pela qual passou. O que moveu o seu espírito a continuar e qual frase Você diria a si mesma se voltasse no momento mais crítico da sua vida?

CINT MURPHY – O que moveu meu espírito foi o descobrimento sobre mim. Foi perceber que eu não sou uma pessoa horrível como eu imaginava e como eu fazia as pessoas me enxergarem. Foi o suporte que tive das minhas parceiras e amigos e a vontade deles de me fazer presente. Foi o Rô e o nosso amor compartilhado, foi escrever num caderninho pra ler todo dia que todo mundo tem suas sombras, que elas são muito importantes pra ser quem somos, que a raiva é impulsionadora se bem conduzida, que a dor é um processo de cura de doenças que a gente não enxerga, só sente. E eu aprendi a sentir. Sentir amor por mim. Sentir carinho por mim. Sentir a minha presença em mim. Sentir vontade de cuidar de mim e de estar viva pra poder compartilhar e eu devo tudo isso a ayahuasca e todas as medicinas da floresta que me fizeram conectar com a minha ancestralidade indígena e descobrir um lado meu menos rígido.

Sobre a frase… Acalma a cabeça que o coração acalma também. Relaxa, vai ficar tudo bem.

NADA POP – A música/arte pode ser o nosso bote salva vidas em alguns momentos. Qual música da In Venus poderia ser o seu?

CINT MURPHY – Talvez alguma que venha por aí nessa nova fase que estamos trilhando. As anteriores dizem muito sobre uma outra Cint que não existe mais. Inclusive, é por isso que a In Venus decidiu fazer uma pausa pra criar coisas novas. O repertório diz sobre nós do passado, que faz parte de nós, mas não nos representa mais.

NADA POP – Na música, artistas se tornam nossos heróis/ ídolos e não raramente viram nossos vilões. Artisticamente falando, não entrando na questão onde todos estão sujeitos a erros, quem são os seu ídolos/heróis e quais se tornaram vilão pra você? E por quê?

CINT MURPHY – Não tenho heróis, não gosto desses títulos. Mas tenho afinidade com a Kathleen Hanna e pela Tobi Vail pelo que elas representaram na história das mulheres dentro do rock. Agora vilão… hum… sei lá, vários macho, acho que prefiro não perder meu tempo descrevendo boy uó (hahahaha).

NADA POP – Bandas acabam criando laços, seja por afinidade musical, seja por afinidade pessoal. Quais bandas vocês possuem uma relação próxima. Cite até cinco bandas, por favor, e a relação com as mesmas.

Sky Down: o Caio é meu amigo mais antigo da vida, a gente se conhece há 18 anos. E nossa amizade foi baseada em música. Eu me encantei pelo André quando eles me convidaram pra participar de um show deles. Quando a Amanda entrou no rolê foi só uma amarração de laços que já existiam. A Amanda também é dessa mesma leva de amigos da época de escola.

Miêta: Eu conheci a Célia quando a Lu, uma das minhas melhores amigas, foi morar em Belo Horizonte em 2013, 2014 (eu acho). E desde que a gente se conheceu, nossa troca foi maravilhosa. Quando eu soube que ela estava com banda, fiquei infernizando ela pra mandar um som, pra tocar juntas, pra qualquer coisa. E a sinergia foi instantânea. Foi absurdo e ainda é uma das únicas bandas puramente indie que eu piro.

The Biggs: é uma das bandas que eu mais gosto de ver show. Sempre fico impressionada pra caralha com a performance daquelas pessoas. E nossa, como são pessoas fantásticas. Tenho uma admiração gigante.

Felinto: Ele é um artista que me provoca, me incomoda, mas ao mesmo tempo me traz paz com a música. Eu fico confusa, me causa sentimentos que eu gosto de sentir. E a performance dele é muito brutal, a fala dele é muito brutal, ele é uma pessoa linda, e eu nem o conheço, mas me sinto muito bem num show dele.

Mulamba: Embora não seja o tipo de som que eu gosto de ouvir normalmente na vida, eu gosto da forma como elas se posicionam, como elas enxergam a vida. O show delas é um espetáculo e eu me conecto a elas, sou fã mesmo.

NADA POP – Você citou a pausa que a In Venus teve. Quais os próximos passos, álbuns, shows, tour que vocês pretendem fazer e como funciona o processo de composição entre vocês?

CINT MURPHY – Não é bem uma pausa, é só uma reclusão pra compor. Temos um show marcado no fffront em junho e só. Queremos focar, e como temos outras vidas rolando em paralelo a banda, a gente precisa nos dar esse tempo pra compor. A ideia é lançar um disco de composições novas pra poder voltar fazer shows falando sobre o que somos nós agora.

O processo de composição é orgânico, hora alguém traz algum tema para o ensaio, hora as coisas vão saindo em jam sessions, hora as coisas não saem e tá tudo bem. A gente só tá respeitando nosso momento de criar juntos, porque esse momento é o mais divertido e prazeroso.

In Venus – Foto Marcela Guimarães

NADA POP – Como você avalia a atuação da Hérnia de Discos na cena independente e qual o tipo de tamanho, por assim dizer, que vocês buscam alcançar?

CINT MURPHY – Hérnia de Discos é um selo encabeçado por mim e pela Desirée Marantes que tem como objetivo fomentar produção fonográfica de alta qualidade, sendo projetos/criados e com mulheres à frente. Nós, hoje, funcionamos como gravadora e a ideia é dar oportunidade de uma gravação não amadora a novas artistas que não tenham oportunidade, por se tratar de um lance caro e um processo difícil e longo muitas vezes.

NADA POP – Representatividade. Essa palavra cabe na música, em relação às mulheres? Ou é possível dizer que vai muito além disso?

CINT MURPHY – Sim. Muito. Quanto mais a gente ocupa os espaços, mais crescemos. Uma mana vê outra em determinada posição, se ela tá na vibe de fazer algo, ela sabe que pode porque ela tem uma inspiração.

NADA POP – Se você tivesse a oportunidade de dar um título para essa entrevista, qual seria?

CINT MURPHY – “É a mulherada ficando embucetada”, só pra usar as Mulambas que eu tanto sou fã (hahahaha).

NADA POP – O que a Cint de hoje espera encontrar na Cint daqui a 10 anos?

CINT MURPHY – Uma pessoa com força, saúde, sabedoria, calma, energia, esperança e distribuindo amor (bem hippie hahahaha).

NADA POP – Cint, a entrevista virou quase um mestrado sobre você. Para não tomar tanto o seu tempo, diga qual som você sugere para quem for ler sua entrevista e por qual motivo. Além disso, qual a mensagem que você gostaria de encerrar o papo para quem chegou até aqui? Obrigado e espero que você tenha gostado de participar.

CINT MURPHY – Uau, que tour! Foi uma exploração de coisas que eu não tinha pensado, ou que estavam muito apagados em mim, de aflições, de amor, de olhar para as minhas dores. Que foda. Obrigada por isso. Espero que quem chegou até o fim dessa entrevista tenha gostado e/ou se identificado comigo. Espero que tenha sido tão legal pra você, quanto foi pra mim. Obrigada pela oportunidade!

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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