quarta-feira, 26 de junho de 2019
Nada Pop

Dead Fish ainda é uma banda necessária para o hardcore? O novo álbum “Ponto Cego” mostra que sim; ouça!

Dead Fish – Foto: Marcelo Marafante

Foi no início da madrugada desta sexta-feira (31) que o Dead Fish lançou oficialmente seu mais novo álbum de estúdio intitulado “Ponto Cego”. Como era de se esperar, o álbum é uma paulada atrás da outra e confirma o que muitos já sabem: Dead Fish ainda é uma banda necessária para o hardcore nacional.

Na semana passada, o DF já havia divulgado o lyric video da faixa “Sangue nas Mãos” e causou certo estardalhaço ao enfatizar – para ficar ainda mais claro aos fãs da banda – o posicionamento político do grupo.

Gravado no Estúdio Tambor (RJ), Ponto Cego possui produção de Rafael Ramos e os processos de mixagem e masterização foram realizados nos EUA por Bill Stevenson (Descendents, Black Flag, ALL) e Jason Livermore, respectivamente, com lançamento pela gravadora Deck. A capa do álbum é de autoria de Flávio Grão.

Com lançamento previsto para todas as plataformas digitais, além de cópias em CD, vinil e cassete, confira abaixo um faixa a faixa curto de todas as 14 músicas que fazem parte do disco.

Dead Fish – Ponto Cego (2019)

A Inevitável Mudança

A faixa que abre o álbum simboliza que a diversidade é um lugar sem volta, ou seja, se você for um conservador que acredita que cada um deve ficar em seu devido lugar, sem reclamar da opressão que sofre, acredite, essa faixa é pra você.

Sangue nas Mãos

“Sim, foi golpe orquestrado”. Referência direta ao impeachment sofrido pela ex-presidenta Dilma Rousseff no ano de 2016. “O passado volta a ser moda” e aqui é o ponto onde você poderá entender de verdade o que esse álbum significa para os dias de hoje.

Pobres Cachorros

A irracionalidade dos novos entendedores de política, dos cidadãos de bem que só querem manter o status quo e não ligam se precisam usar da violência, na verdade, eles até gostam.

Não Termina Assim

Uma das faixas mais melódicas do álbum e ao mesmo tempo aquela que dá um tom de chamado para a guerra. “Os dias de autoritarismo terão fim, terão fim!”.

Sombras da Caverna

Aqui o simbolismo é com a metáfora criada pelo filósofo grego Platão a respeito do mito da caverna, sobre a condição de ignorância em que vivem muitas pessoas. Outra faixa bem interessante do disco que mostra o quanto o Rodrigo ainda consegue escrever sem se mostrar óbvio para alguns temas.

O Melhor em Um

Tenho certeza que o Rodrigo compôs essa faixa para o seu vizinho babaca, branco e heterossexual que deve acreditar ser superior aos outros por tudo isso o que foi dito.

Doutrina do Choque

Talvez a faixa tenha sido inspirada pelo livro “A Doutrina Do Choque. A Ascensão Do Capitalismo Do Desastre”, da escritora canadense Naomi Klein, ativista que relata em seus trabalhos os efeitos negativos da cultura consumista e as pressões impostas de grandes empresas sobre seus trabalhadores e os diversos “golpes” que existem na política.

Etiqueta Social

A faixa mais curta do álbum não te dá fôlego. As discriminações sociais do dia a dia que juntas se tornam uma sequência cruel e desumana da nossa sociedade.

Suv’s (Stupids Utility Vehicle)

Existe uma crônica do escritor Marcelo Rubens Paiva que usa esse mesmo título e não consigo parar de pensar que não exista uma relação da música com esse texto. Por isso, deixo aqui o link para que você possa tirar as suas próprias conclusões. Clique AQUI para ler.

Apagão

Essa música é como se fosse um retrato das eleições do ano passado. Um apagão generalizado, falta de informação, a instalação do medo e da insensatez… aí surgiu a oportunidade e no que ela resultou.

Janelas

Brumadinho, Paulo Guedes, Eduardo Bolsonaro… Consigo pensar em diferentes aspectos para essa música e ao mesmo tempo nada é citado diretamente.

Messias

Jair Messias Bolsonaro é o alvo da faixa e só por isso não precisamos dizer mais nada. Uma epidemia que se viralizou e alcançou o cargo mais alto da política nacional. Chamá-lo de autoritário e opressor ainda pareceu leve, mas com a própria banda diz, estão aplaudindo esse tal salvador.

Receita pro Fracasso

O Brasil está longe das mudanças necessárias que poderiam trazer algumas melhorias na vida da população, mas com certeza, não é a receita do sucesso que estamos seguindo. Estamos na caminhada do fracasso, emburrecendo a massa e ainda a levando ao fogo. O ódio no poder.

Descendo as Escadas

Em quase todas as faixas é possível ouvir a expressão “ponto cego”. Na última música do disco ela está lá, representando aquilo que está fora do campo de visão, algo que existe e não pode ser visto. Mais do que isso, o vazio que existe dentro de todos nós, buscando uma razão que pode nos confundir do que entender.

Gostou desse Post? Compartilhe!

Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

%d blogueiros gostam disto: