domingo, 22 de setembro de 2019
Nada Pop

Blear lança clipe de “Bathroom” e bate um papo sobre o novo álbum

Estamos no ano que marca definitivamente a banda Blear como um dos principais grupos em atualidade no Brasil. O quarteto paulista, formado por Erick, Anderson, Rodrigo e Vitor pode ser considerado um verdadeiro supergrupo, já que praticamente todos eles tocam em diferentes bandas e que, sem qualquer coincidência, também transmitem honestidade, autenticidade e qualidade.

Além de reunir esses elementos, o Blear ainda resgata a essência dos motivos que fazem pessoas como você e eu ainda nos apaixonarmos pela música e na diferença que ela causa em nossos dias, melhorando nossa existência ou apenas aliviando os sintomas de viver.

Hoje, foi disponibilizado pela banda o clipe de “Bathroom”, talvez uma das faixas que mais consiga representar o grupo. Com roteiro da própria Blear, Marcelo Koizumi e PC Pereira, o vídeo revela certa influência na nouvelle vague e traz uma expressão pessoal que se assemelha ao cotidiano urbano de tantas outras pessoas.

Marcelo Koizumi e PC Pereira assinam a direção de “Bathroom”. Abaixo você confere nossa entrevista com a banda. A resenha do álbum você pode conferir clicando AQUI.

NADA POP – O primeiro lançamento da Blear aconteceu em 2013. O último e mais recente de vocês saiu apenas agora, em 2016. Por que demoraram tanto para lançar um novo material? 

BLEAR – Diversas situações criaram imprevistos que causaram essa demora. Falta de dinheiro, erro de organização, todos nós passamos por mudanças de trabalho e pessoais que atrapalharam um pouco.

NADA POP – Sobre o clipe de Bathroom, como surgiu a escolha da faixa para o primeiro clipe?

BLEAR – Nós escolhemos essa música porque algumas pessoas próximas a citaram como uma faixa que representa bem o contexto do álbum que lançamos e acabamos concordando com isso.

NADA POP – Uma curiosidade, qual a origem da faixa Papacu? Contem detalhes!

BLEAR – Normalmente quando criamos nossas músicas costumamos apelidá-las com nomes nonsense enquanto elas não têm letra, para que possamos distinguir cada música sem precisar cantarolar ou algo parecido. No caso, a Papacu passou por este processo, fazendo referência a uma pornochanchada de 1986. Acabamos nos inspirando no filme para escrever a letra.

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Erick Alves, guitarra e vocal da Blear – Foto: Fernanda Gamarano

NADA POP – Sobre os shows, como estão rolando e se existe alguma previsão de tour? Quais os planos em relação a isso?

BLEAR – Os shows estão rolando esporadicamente, tocamos no próximo sábado (dia 06/08) na Funhouse e essa é a única data confirmada mas estamos nos organizando para tentar atacar o interiorzão de São Paulo, montando um mapa e correndo atrás dos contatos para viabilizar isso. Rolam planos ainda para esse ano fazer Rio de Janeiro e Minas Gerais, mas ainda estamos estudando algum modo de viabilizar isso.

NADA POP – Com certeza o álbum de vocês deve entrar entre os melhores do ano, mas quais outros álbuns lançados recentemente merecem destaque por vocês?

BLEAR – Porra, valeu por achar que nosso disco estará entre os melhores do ano!!

Este ano tá bem surpreendente em relação a lançamentos. Tem uma porrada de discões, singles e EPs que estão muito fudidos. Alguns que estão no play infinito aqui entre nós são: Amor só de mãe (Giallos), Dirty Man (Bruxas), Intenção e III (ambos do Rakta), Vida Que Segue (Não Ao Futebol Moderno), Behave (Chalk Outlines), Human Being (Sky Down), Mónó (split com Blues Driver Monster, Chabad, Hollowood, Vapor e We Are Piano), Suicidal Citizens (Poltergat), Necrofilia Canibal Subaquática (Dolphins On Drugs), Corpo Fundo (Afrohooligans) e muitos outros.

NADA POP – A Howlin’ Records vem ganhando cada vez mais reconhecimento e surgiu aí no estúdio de vocês, o Subway. Certo? Qual o objetivo de vocês com a gravadora?

BLEAR – O selo surgiu no estúdio Subway, de fato, fruto de conversas entre o Anderson Lima e o Bruno Pinho. O objetivo era reunir as bandas ao nosso redor, para uma vez juntos conseguirmos nos estruturar melhor para gravar discos, organizar eventos, compartilhar conhecimento e experiências. O trampo tem se desenvolvido de forma gradual e nossas atividades estao sendo aprimoradas. Temos alguns projetos em mente e a ideia é colocá-los em prática assim que possível para que as atividades do selo tenham cada vez mais um maior alcance.

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Anderson Lima, baixista da Blear – Foto: Fernanda Gamarano

NADA POP – Estamos vivendo um período onde as grandes bandas atualmente vivem no underground, sem grande repercussão pela mídia de massa. A internet vem assumindo cada vez mais esse papel, contribuindo para divulgação das bandas. Vocês acreditam que as bandas estão usando de forma adequada essa ferramenta (internet)? O que pode ajudar ou atrapalhar nesse processo?

BLEAR – Bem, acreditamos que essa questão é bem subjetiva na verdade. É meio estranho falar sobre uma ‘forma adequada’ de uso da internet, até pela gama absurda de métodos e recursos que ela disponibiliza, mas, se pá, dá pra fazer mais bom proveito dela sim.

A rede em si é foda no sentido de ampliar o alcance das informações que você disponibiliza e das conexões que você pode gerar. Só de pensar no corre da galera pré-internet com fitas, viagens, contatos pessoais na terra natal de X ou Y, considerando agora que você pode abrir um link e trocar ideia com o mano da banda de stoner que mora do outro lado do BR, é algo que muita gente não para pra degustar, saca?

O corre da galera dos selos independentes que se conectam por estados e mais estados, como, por exemplo, a Bichano e a Umbaduba, são uma prova pura disso. Da mesma forma, a própria Howlin é um exemplo também, apesar de sermos mais próximos no sentido geográfico da coisa.

A única ressalva é que com a facilidade na disponibilização e acesso à informação, acaba-se gerando uma saturação e nem todo usuário ou banda sabe lidar bem com ela.

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Capa do novo álbum da Blear, lançado neste ano. Arte por Erick Alves.

O excesso de material por vezes gera um comodismo no seu possível ouvinte e, de repente, aquele trampo que você divulgou não tem nem 1/4 do impacto que poderia ter. Da mesma forma, o corre ou a banda podem divulgar um material sem levar isso em consideração, confiando apenas na possibilidade de viralizar o trampo e deixando o que é promissor ficar na promessa.

Lógico também que ninguém é obrigado a dar a mínima pra você se não sentiu a química, mas o esforço necessário pra mostrar que tem química pode não ser alcançado pelo simples fato da banda acabar ofuscada pela comodidade e pela ilusão de grandeza que a internet pode jogar na tua cara com like, view e qualquer número que brinque com tua noção de alcance. Ah, e isso é apenas uma visão de alguns cenários, não rola pegar todo o role musical underground e encaixar nesse comentário, mas existe essa espiral destrutiva com ar de ‘foda-se’ em alguns pontos e, no fim,. ambos os lados acabam perdendo. Não custa nada ficar esperto nisso.

NADA POP – Quais são os lugares que vocês gostariam de passar e realizar shows com a Blear?

BLEAR – Queremos tocar pra caraio, rsrs… Estamos nessa correria no momento. Acreditamos que fazer shows, viajar pra tocar, conhecer pessoas novas e passar uns perreios, só faz com que a banda evolua e acrescente novas linguagens a sua música e é por isso que queremos tocar o máximo possível. De diferente do circuito alternativo (casas conhecidas, festivais e etc.), temos um projeto de tocar em periferias, em escolas, praças ou onde conseguirmos encaixar nossos equipamentos e projeto. Somos todos nascidos e crescidos nessas regiões e sabemos como é dificil chegar algo desse tipo. No ano passado, tocamos num projeto com este objetivo, produzido pelo pessoal do Rock Ex Machina e foi fudidaço!!

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No próximo sábado, dia 6, a Blear realiza um show na Funhouse a partir das 22. O espaço fica na Rua Bela Cintra, 567,em São Paulo. Para mais informações clique na imagem e seja direcionado para a página do evento no Facebook.

NADA POP – Agradeço o papo e deixo esse espaço para vocês acrescentarem alguma informação que não foi abordada por aqui. Valeu!

BLEAR – Antes de mais nada, agradecemos mais uma vez pelo espaço. Este tipo de iniciativa é muito importante para dar visibilidade para quem faz música única e exclusivamente por gostar demais de fazer disso, já que a real é que bandas como a nossa só se fodem.

Lembramos a galera para ouvir o nosso disco, nunca pedimos nada e garantimos que não vai doer e, se pá, dá até para curtir: http://blear.bandcamp.com/album/blear

Ouçam também a galera da Howlin. Tem bastante coisa lá e em breve vão sair discos de Poltergat e Bufalo. Tem também O Pulso Ainda Pulsa, tributo aos Titãs que conta com algumas bandas da Howlin, como Gomalakka, Sky Down e Penhasco. Para este ano ainda deve rolar singles de Chalk Outlines e In Venus. E tem mais vindo por aí! Não deixem também de acompanhar a página do selo e dar uma olhada na agenda de eventos, não só os nossos, como os da Sinewave, Rock Ex Machina e Tendal Independente. Compareçam! Não basta só ouvir, tem que participar! A gente se vê por aí!

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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