quinta-feira, 20 de junho de 2019
Nada Pop

Aletrix e seu clássico álbum moderno

No dia 14 de novembro estive no projeto Noise Free, que traz bandas em formato acústico em todas as sextas-feiras na Associação Cecília, centro de São Paulo. Não fui ao espaço apenas para curtir o evento, ouvir um bom som e até aproveitar o ótimo hambúrguer realizado pelo grande Enilson, mas também conferir de perto o trabalho do Alê Lima, o Aletrix. Neste dia, também tocou a banda Pastor Rottweiler, pelo pouco que ouvi – não fiquei até o final, tive que sair – acredito que foi mais do que válido o clique na página deles no Facebook, é provável que o seu clique também seja, faça isso AQUI.

Não espere aqui uma resenha sobre a apresentação do Aletrix, até mesmo porque algumas músicas do setlist foram cortadas para não atrasar demais o término do evento, o que não prejudicou, mas não contribuiu. O objetivo deste texto é falar sobre o álbum “Herpes aos Hipsters”, lançado no final de 2013, mas que só agora chega ao nosso conhecimento (o meu, no caso).

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Aletrix, no dia 14/11, se apresentando no projeto Noise Free

Mas antes de falar do álbum, em minha segunda presença no Noise Free, mais uma vez percebi que os técnicos de som do espaço só dão a devida atenção aos músicos quando os mesmos pedem alguma ajuda, após torcerem os pescoços por alguns instantes até encontrar alguém capaz de orientar ou socorrer a banda. Talvez isso ocorra porque a mesma pessoa que cuida do som também ajude a vender cervejas, aí você pensa, quem deve esperar, o cliente ou o músico? Se você ficou na dúvida, então imagine a dúvida de quem trabalha lá? Difícil mesmo.

Outro detalhe, sem dúvida pior, é a constatação de que eventos como esse poderiam ter mais público, mas que o mesmo público que reclama da “falta de novidade musical” não move uma palha para sair do sofá. A Mariângela, organizadora do evento, tem feito a sua parte na divulgação, chamando o público cara a cara, com flyers entregue em mãos, o que nos dias de hoje é um diferencial no meio de tantos eventos e convites virtuais, onde você “clica” e participa de todos, mas na real não vai a nenhum.

Herpes aos Hipsters - Capa

Capa do álbum “Herpes ao Hipsters”

Espero que novas edições do Noise Free aconteçam em 2015. Fique ligado na página do Noise, porém é mais importante que você vá! Quem sabe uma banda que você gosta não surge por lá, o Autoramas, por exemplo, se apresenta no dia 28 no projeto, formato acústico também. Interessou?

Mas vamos lá, a verdade é que “Herpes aos Hipsters” é um álbum que vai além da música, sim! Sites, redes sociais e Youtube representam muito bem o conceito do álbum, é a clara demonstração que a música em si continua sendo importante, mas que consumir música de forma visual também faz parte deste trabalho. Ao observar o encarte do digipack, o vinil (sim, o álbum também está disponível em vinil), os vídeos no Youtube e o próprio site do Aletrix, há uma clara mensagem de que existe uma preocupação visual e, ao mesmo tempo, uma qualidade nessas plataformas digitais que despertam a curiosidade do espectador/ouvinte.

Eu mesmo fiquei fuçando no site, no Youtube e até na página da banda por mais tempo que costumo ficar. Felizmente, a música do Aletrix também incentivou essa curiosidade, música ruim nem com reza brava dá jeito.

Apesar de um som mais pop aos meus ouvidos, o álbum traz uma influência interessante de bandas, a primeira música, “UFC/Anorexia”, trouxe a lembrança o The Cure, com “A Forest”. Além disso, Smashing Pumpkins e Rogério Skylab parecem ter se encontrado e colaborado para algumas faixas. Os melhores exemplos disso são as canções “Eros X Tânatos”, “Caixa Vazia” e até “Debut do Aletrix”. Pixies também deve ter visitado muito o estúdio, “Louie Louie Chuva Dourada” é uma clara inspiração em “Monkey Gone to Heaven”.

O Aletrix é a viagem musical do produtor Alê Lima, responsável por todas as letras e melodias do álbum. Com o álbum pronto a banda surgiu para fazer shows e tocar por aí, me disse o Ale – o Aletrix – durante o Noise Free.

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Baixista Mia, qualquer semelhança com a D’arcy, do Smashing Pumpkins, não será mera coincidência

“Pro Brasil seu som não combina”

Uma das frases que mais fazem sentido no álbum é exatamente essa: “pro Brasil seu som não combina”. Num modelo cada vez mais atual de composição no rock pop, onde o formato é “introdução, letra romântica, refrão clichê, volta para a letra romântica, refrão, solo batido, mais refrão clichê e encerramento”, nada mais natural que o álbum “Herpes aos Hipsters” seja tão diferente aos olhos e ouvidos de todos. Se você dúvida do que estou falando, horrorize-se você também com essa música do Capital Inicial com o Cone Crew, clique AQUI. Juro que tenho um arrepio ao ver esse clipe, e não é de nenhuma forma positiva. A revolução num videoclipe da Vevo? Ok, senta lá Dinho…

Aletrix, dessa forma, nasce com um álbum “clássico moderno”, a banda poderá continuar, e espero que continue – a baixista Mia é a versão morena da D’arcy, do Smashing Pumpkins (sério!) – e talvez, daqui alguns bons anos, alguém descubra este álbum num sebo, ou pela internet mesmo, e diga “que banda!”. No entanto, espero que o Aletrix receba o reconhecimento que merece ainda em atividade com a banda e que ninguém mais diga “quem será esse arrombado?”.

Aletrix

Site: http://www.aletrix.com.br
Facebook: http://www.facebook.com/AletrixOficial
Youtube: http://www.youtube.com/user/aletrixtv/videos

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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