segunda-feira, 20 de maio de 2019
Nada Pop

Um último adeus ao Walden! (Atualizado)

Banda Blear

No último domingo, dia 19/1, aconteceu mais um evento organizado pelo coletivo Nada Pop no Espaço Cultural Walden. Dessa vez com as bandas Dissidentes, Blear e Giallos. Se você estava vivendo em outro planeta ou caiu nesse texto por acaso é provável que não saiba, mas o Walden fechará suas portas ainda neste mês. Se quiser saber um pouco mais sobre isso basta conferir a entrevista que realizamos com o Cesar Zanin, proprietário do espaço, clicando AQUI. Mais de 500 bandas passaram pelo Walden em 21 meses de existência, difícil quantificar o que essa perda significa para o cenário alternativo de São Paulo, mas o barulho tem que continuar…

Por isso existia um clima de despedida do Walden no domingo, mas nem por isso os shows foram melancólicos. Ao invés disso as bandas apresentaram toda a sua força, sua raiva e sua arte, começando pela banda Dissidentes e no seu punk rock sem qualquer firula, mandando na lata o que tem pra dizer. Canções como “Sua vida”, “Caos Mental”, “Nessa Vida é Assim” e “O Francês está vindo” questionam o indivíduo e sua participação na sociedade. É uma pena se você ainda não conhece a banda.

Banda Dissidentes

O show deles apresentou uma pequena microfonia, mas nada que pudesse atrapalhar. O Mario Bracetti, baterista da banda, soube superar muito bem as dificuldades de tocar com um pedal de bumbo “um pouco” solto – coisas que acontecem no mundo underground. Sem dúvida o cara está acostumado com adversidades, afinal são 10 anos de banda e muitos “rolês” por aí.

Logo em seguida foi a vez da Blear, banda com influências do grunge e shoegaze. Mesmo sendo uma banda com pouco tempo de existência foi impressionante ver a qualidade técnica do grupo. Mas não senti deles qualquer falsidade no som, na energia ou na amizade. A sensação que tive é que cada som foi construído pela amizade, pelo prazer puro e simples de tocar e, claro, pelo talento de cada um.

O Erick Alves, vocalista da banda, conseguiu disfarçar muito bem a sua febre. O Rodrigo, guitarra solo, mandou muito bem na canção “Fuck Me”. Basta conferir no vídeo abaixo. No final do ano passado a banda deu uma entrevista para o coletivo, vamos publicá-la nos próximos dias, aguardem!
Por último, mas não menos bacana, a banda Giallos surge com o seu rock inclassificável. Guitarra, bateria e vocal numa explosão de punk, jazz e anos 80. Foda, né? Eu achei… No primeiro momento confesso que estranhei, meu cérebro estava tentando encontrar alguma lógica no estilo e na apresentação da banda. Depois, naturalmente, o som foi sendo absolvido pelo meu córtex. Giallos é uma banda que me pareceu capaz de dissolver os sentidos, o som visceral deles (palavra bonita, né?) me trouxe uma sensação lisérgica e a certeza de que preciso de outra dose desse som. No dia 25 deste mês eles fazem um som na Rua Augusta, será uma session especial de lançamento do disco de vinil da banda. Vinil? Sim, isso mesmo… Mais foda ainda. Será de graça… Vamos? Para mais informações do evento basta clicar AQUI. Uma correção: tinha escrito antes que o Clemente, da banda Inocentes, iria participar da session dos caras nesse dia, mas foi engano meu. O Clemente faz uma participação especial no disco, mesmo assim não é toda banda que pode contar com uma participação bacana dessas em seu álbum de estreia. Vamos falar mais desse álbum depois…

Banda Giallos

A ideia do coletivo é essa: realização de shows, divulgar bandas, falar dos nossos shows, dos shows dos outros e manter essa relação de que somente o nosso interesse em participar da cena independente ao invés de ser um espectador passivo dela é que pode fazer a diferença.

Agradecemos a todas as bandas que participaram, ao Espaço Cultural Walden por mais essa confiança, ao público que prestigiou o espaço e as bandas e a você que leu esse texto feito depois de um dia exaustivo de trabalho. Em breve mais novidade por aqui.

Até!

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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