domingo, 25 de agosto de 2019
Nada Pop

A falta das mulheres em grandes festivais de música e a presença feminina no Oxigênio Festival 2019

A luta pela paridade no mundo da música é mais um dos obstáculos enfrentado por muitas mulheres com bandas. Muito já se discutiu e se discute sobre o assunto, festivais de todos os lugares do globo já reconheceram a necessidade de mais mulheres em seus line-ups, mas pouco até o momento tem sido feito para equiparar as atrações com a devida importância das mulheres entre os principais festivais no mundo.

A culpa, geralmente, recaí – e com razão – sobre as organizações dos eventos, mas o público também é responsável por manter o status quo, ao cobrar menos do que podiam/ ou deveriam dessas produções. Ao mesmo tempo, há uma questão de merecimento relacionada a essas bandas, como produtores dos eventos também relatam.

Os espaços precisam ser ocupados e cada palavra que você diz num palco, ou mesmo que nem fale nada, só o simples fato de você estar lá, já é algo muito importante

“Não acho bacana colocar bandas com mulheres para tocar apenas como uma espécie de cota para dar o ‘cala a boca’ das cobranças por parte do público. Também acho que TODAS as bandas precisam fazer a lição de casa e se empenhar para conseguir tocar melhor, se estruturar. Não existe mágica, mas a ‘meritocracia’ dentro da cena também é similar à do macro: se você não tem contato, fodeu”, diz Nata Nachthexen, vocalista da banda Manger Cadavre.

Na ativa desde 2011, Nata comenta que a banda foi melhorando o seu próprio som nesses oito anos de existência. Criaram seu próprio público e foram ocupando espaços, até que alguns convites para grandes festivais começaram a surgir. “Mas isso é 1% do corre, 99% é o bom e velho faça você mesmo”, diz.

Manger Cadavre? – Foto: Divulgação

Nata, no entanto, também ressalta que os festivais precisam colocar bandas com mulheres, pois independentemente do propósito da organização, isso sempre causará algum impacto e poderá inspirar outras mulheres no sentido que elas também podem estar nesses lugares. “Os espaços precisam ser ocupados e cada palavra que você diz num palco, ou mesmo que nem fale nada, só o simples fato de você estar lá, já é algo muito importante”, conclui.

Um panorama da participação das mulheres em festivais pelo mundo

Em fevereiro de 2018, mais precisamente no dia 26 – uma segunda-feira, 46 festivais de música em todo o mudo se comprometeram a aumentar a igualdade de gênero em sua programação antes de 2022. A falta do reconhecimento das mulheres no setor do entretenimento era alvo de debate e muitas mulheres denunciavam o sexismo institucional em diversos setores culturais.

Entre os eventos realizados na Europa e Estados Unidos, como Iceland Airwaves, Reykjavik Rock and Electro Festival e The Great Escape, em Brighton, no Reino Unido, já tinham como “headlines” júris e suas comissões compostas por 50% de mulheres. Outros festivais, como o Gilles Peterson’s Worldwide Festival de Sète e o Midem, participaram da iniciativa, assim como o BBC Proms, festival de verão de música clássica de Londres, e a A2IM, uma associação americana de música independente em Nova York.

No entanto, a iniciativa não inclui muitos dos festivais mais famosos, como o Coachella, um dos mais importantes nos EUA, além do Glastonbury, realizado a cada dois anos, que não contou com nenhuma mulher entre os três principais nomes do evento em 2017.

As manifestações de várias mulheres do mundo da música foram incentivadas principalmente pelo comentário, considerado sexista, de Neil Portnow, presidente da Academia Americana de Gravação, que organiza o Grammy, ao dizer que as mulheres deveriam “dar um passo à frente” para aumentar sua presença entre os premiados.

Com base nesse debate, o portal Pitchfork, que também promove um festival homônimo, aproveitou para divulgar um estudo, em maio do ano passado, que revela a baixa escalação das mulheres para serem headliners dos eventos. De acordo com a pesquisa, em menos de um terço das atrações dos 20 festivais avaliados havia participação feminina.

Os dados revelaram que apenas 19% das atrações principais eram femininas. Outros 11% continham ao menos uma mulher membro. Cerca de mil artistas e bandas foram compilados a partir de 2017, ano que teve desempenho ainda pior no que se diz respeito ao equilíbrio de gênero: apenas 14% dos headliners eram mulheres.

Apesar do crescimento de 4% de um ano para outro, o caminho para o equilíbrio entre os gêneros ainda parece ser longo, muito longo.

No Brasil, mulheres ainda estão muito longe dos grandes festivais

No ano passado, o site Festivalando publicou uma matéria falando da falta de mulheres no line-up de festivais de metal. Com informações de grandes festivais do gênero pelo mundo, a matéria também retrata a situação encontrada no Brasil. Apesar de um cenário desanimador, como o próprio texto diz, uma das idealizadoras do festival feminista Hard Grrrls comenta que uma das razões pela falta de mulheres nesse tipo de festival é o próprio comodismo entre organizadores que “não contemplam bandas com mulheres ou de mulheres porque seus produtores não estão interessados”.

Ainda, de acordo com a organizadora do Hard Grrrls, a chave para a mudança está nos esforços e união entre as mulheres para a construção de novos espaços de visibilidade. Eventos coletivos cada vez mais organizados 100% por mulheres ganham destaque na mídia por todo o Brasil, envolvendo diferentes estilos para além do rock.

Em entrevista ao site Hypeness, publicada no início do ano, Claudia Assef, criadora do prêmio WME – Women’s Music Event, cita que apesar da presença feminina em grandes festivais ainda não ser a ideal, de um modo geral a situação tem melhorado. “Até porque acho que os festivais não querem mais passar vergonha”, diz. “A internet tem sido muito eficiente no sentido de expor festivais que deslizam na equidade de seus line-ups e isso tem feito com que se pense melhor antes de bookar artistas”, completa.

A mudança está nos esforços e união entre as mulheres para a construção de novos espaços de visibilidade. Eventos coletivos cada vez mais organizados 100% por mulheres ganham destaque na mídia por todo o Brasil, envolvendo diferentes estilos para além do rock.

O Women’s Music Event é uma plataforma que atua em várias frentes com foco em aumentar o protagonismo da mulher na música. No Brasil, conforme explica a matéria do Hypeness, os festivais Coquetel Molotov, Psicodália e MADA, além da SIM-SP (Semana Internacional de Música de São Paulo) montaram suas programações com 50% de atrações femininas em edições anteriores.

No entanto, o Lollapalooza, em sua edição no Brasil no ano passado, trouxe 72 atrações – em três dias de shows – não chegando a 20% do line-up composto por mulheres. Dessa porcentagem, apenas uma mulher foi headliner: Lana Del Rey. Neste ano, a constatação de mulheres no Lollapalooza 2019 é ainda menor. Das 60 atrações confirmadas, 11 possuem integrantes mulheres.

Ao mesmo tempo, o Popload Festival pode ser considerado um dos exemplos de equidade. A edição de 2018 do evento contou com sete atrações, quatro delas femininas ou com mulheres. Lorde, Blondie, Mallu Magalhães e Letrux se apresentam no Memorial da América Latina. Já em 2019, o festival também manteve a igualdade, trazendo Litle Simz, Khruangbin, Luedji Luna, Tove Lo, Ilê Aiyê, além da Patti Smith como headliner.

Oxigênio Festival 2019

No dia 11 de julho, a GIG Music e Hangar 110, produtoras do Oxigênio Festival, promoveram uma coletiva de imprensa para revelar as 34 atrações confirmadas para o evento deste ano, que acontecerá entre os dias 13 e 15 de setembro no Via Matarazzo, em São Paulo.

Do total das atrações, 11 bandas eram formadas totalmente ou com integrantes mulheres. Além das bandas anunciadas, outras atrações ainda serão confirmadas, mas considerando os últimos eventos do Oxigênio, o de 2019 é o mais próximo de uma equidade de gêneros e com maior diversidade de estilos, indo do pop punk ao metal, passando pelo folk e rock alternativo.

Em entrevista para o Nada Pop, Rafael Piu Pelegrino, representante da Gig Music, uma das organizadoras do Oxigênio, explica que sempre houve o convite para bandas com mulheres tocarem no evento, mas não pela questão do gênero. “Procuramos bandas boas e não nos importa muito se ela é com mulher, negro, índio… Se for, legal! Eu acho que tem pouca mulher em todos os setores, acho que pode sempre melhorar. Mas além do nosso festival ter muitas bandas com mulheres, ele é formado por muitas mulheres em todos os setores, inclusive temos uma sócia mulher”, diz.

The Monic – Foto: Marcelle Stavale

Para a Dani Buarque, integrante da banda The Monic e que será uma das atrações femininas deste ano no evento, o rock ainda é um universo muito masculino e a participação de mulheres em festivais é completamente desproporcional. Porém, Dani reconhece a importância de se pensar no gênero e no som juntos na criação de um evento. “Não acho que ninguém coloque o seu na reta chamando uma banda com mulher para preencher cota e tirar o lugar de uma banda mais legal que não tem integrante mulher. Eu também sou produtora, organizo festas e shows. A Alê (guitarrista e vocalista da The Monic) e eu temos uma festa chamada Surdina. Já tivemos mais de 50 bandas passando por ela”, conta.

Procuramos bandas boas e não nos importa muito se ela é com mulher, negro, índio… Se for, legal! Eu acho que tem pouca mulher em todos os setores, acho que pode sempre melhorar. Mas além do nosso festival ter muitas bandas com mulheres, ele é formado por muitas mulheres em todos os setores, inclusive temos uma sócia mulher

Dani ainda explica que nunca convidou uma banda que não merecesse estar nos eventos que organiza, mas a regra criada por ela – de ter mulheres nesses eventos – a faz procurar mais bandas diferentes do que já conhece. “Quando você faz esse exercício acaba enxergando que tem muita, mas muita mina foda fazendo som por aí (…) Estou sempre ligada no que tá rolando e sempre vi os eventos do Piu com mulheres no line-up. Fazer um festival com grande participação feminina como o Oxigênio Festival é uma consequência de quem tá olhando para todos os lados, independente do gênero”.

Mas qual a participação do público?

Uma pesquisa realizada pela consultoria de entretenimento Mana, junto com o site Projeto Pulso, dedicado à cobertura de festivais no mundo todo, como como Rock in Rio, Sónar, Tomorrowland, Electric Daisy Carnival e Lollapalooza –, revela que a participação do público nos festivais é movida basicamente pela chamada “experiência”.

Cerca de 3 mil pessoas – que já participaram ao menos de um festival – foram entrevistadas. O estudo revelou que o line-up desses eventos são os principais fatores que embasam a decisão de ir a um festival, mais importantes do que preço de ingresso ou a reputação do festival. Porém, quando os entrevistados foram questionados sobre o que mais gostaram em relação ao evento do qual participou, a “experiência do festival” foi a resposta de 61% delas. A música foi citada apenas em 25% das respostas. O pior ainda está por vir, 30% também afirmaram que não foram em nenhum show fora de festival no ano da pesquisa.

Um curador de festival tem que estar atento a tudo isso. A partir do momento que você quer renovar seu público e conversar com o mundo contemporâneo, você precisa estar antenado. Tanto para sobreviver, como para expandir. E nisso entra a busca pela renovação do público, entender a nova geração, seu modo de consumo e o que busca em um festival. Então tentativas como a do Oxigênio Festival são muito importantes

O Oxigênio Festival aumentou a gama de sonoridades que irá ecoar nos três dias de evento exatamente para agregar novos públicos. Além do punk, hardcore, rock alternativo e indie, a organização também convidou bandas de metal, pop rock, pop punk e até música folk.

De acordo com o release divulgado pelo evento, a estrutura será basicamente a mesma da edição de 2018, que além de dois palcos, oferecerá diversas atividades relacionadas a games e skate. Uma novidade é o Karaoke Band, em que qualquer pessoa da plateia pode – previamente, por meio de cadastro junto à Gig Music – escolher uma música, agendar horário e subir ao palco para cantar.

O editor do site Hits Perdidos, Rafael López Chioccarello, cita que nos últimos anos o comportamento do público e o formato dos festivais estão em constante transformação. O desafio de tirar alguém de casa, ou das mil outras possibilidades de lazer, se soma a outros fatores, no qual, segundo explica, “novos tempos exigem novas ideias”. Ao mesmo tempo, a internet tem proporcionado pequenos fenômenos, sejam de identidade, público, linguagem e valores. “Um curador de festival tem que estar atento a tudo isso. A partir do momento que você quer renovar seu público e conversar com o mundo contemporâneo, você precisa estar antenado. Tanto para sobreviver, como para expandir. E nisso entra a busca pela renovação do público, entender a nova geração, seu modo de consumo e o que busca em um festival. Então tentativas como a do Oxigênio Festival são muito importantes”, comenta.

É o que também diz Thiago Ones, da banda Wiseman – outra atração do Oxigênio neste ano. Além de considerar “totalmente positivo” as diferentes sonoridades do festival, o próprio “rockeiro” no País, de acordo com Thiago, ainda precisa evoluir muito. “O Brasil já era um país complicado pra se fazer arte (seja a linguagem que for) e agora, obviamente, tem piorado muito. Fechar-se em nichos só prejudica. Se 50% das pessoas que perderam tempo reclamando na internet acompanhassem as bandas novas que estão no corre, certeza que o festival conseguiria se manter mais próximo da proposta inicial. Mas a vida real, longe dos mouses e teclados é bem diferente. Boa parte dessa galera não comparece nem nos shows das bandas que se diz fã”, afirma.

Thiagones – Foto: Fabio Banin

As reclamações citadas pelo Thiago envolvem a própria diversidade de estilos anunciada pelo evento. Alguns comentários em redes sociais comparavam – em tom de brincadeira – o Oxigênio Festival com o Lollapalooza. Mas o próprio Rafael Piu, questionado se o evento poderia ser comparado aos festivais mainstream, explica que o Oxigênio apenas se modificou e tentou abranger outros tipos de música. “A essência rock and roll continua, nas letras, no engajamento, no discurso, no protesto. Não consigo equiparar a eventos como Lollapalooza, mas acho que se conseguirmos chegar a esse tamanho, mas colocando a música independente, o hardcore, o punk, misturado com outros estilos, por que não?”.

As mulheres como representantes de si mesmas

Em 2015 surgiu o selo feminista Efusiva Records, totalmente independente e criado para promover, gravar, divulgar e distribuir materiais produzidos por bandas e artistas mulheres, cis e trans. Atualmente é formado por Hanna Halm, Letícia Lopes, Soso e Vita Parente. Cada uma delas possui uma função no selo, seja a comunicação visual a redes sociais, assessoria de imprensa, produção e registros audiovisuais.

“Existem muitas mulheres fazendo rock no Brasil que andam se organizando e realizando seus próprios festivais. Me parece que nesses festivais patrocinados, a proposta é fazer o line-up com o maior número possível de bandas já conhecidas pelo público, mas de repente seria interessante mudar essa lógica e incluir na pesquisa da curadoria as movimentações dos coletivos e selos independentes, bandas que estão começando e que fazem um som que seja compatível com a proposta musical do festival”, comenta Letícia Lopes.

Seria interessante mudar essa lógica e incluir na pesquisa da curadoria as movimentações dos coletivos e selos independentes, bandas que estão começando e que fazem um som que seja compatível com a proposta musical do festival

Mesmo com a proposta de um festival com mais mulheres no palco, Letícia ressalta que pensar apenas na “meritocracia” em um cenário onde a maioria é branca e cheia de privilégios acaba não sendo o suficiente. “Às vezes a banda é boa, a mana tem um talento incrível, tem uma trajetória bonita, mas como fazer para registrar? Como fazer para estar nos lugares? Como ter acesso às pessoas certas? Imaginar uma mina negra, periférica, materna, que precisa escolher entre investir em equipamento ou pagar boletos, dividir o dia entre trabalho, estudos, cuidar dos filhos (às vezes da família inteira), que não pode circular livremente na cidade por conta da violência, porque o trem acaba cedo, ou porque existe toque de recolher na cidade onde ela mora, ou não conhece alguém que possa oferecer abrigo depois que o rolê acaba. Muitas pessoas ficam imaginando que tudo se trata de esforço/merecimento, mas esquecem de incluir nessa conta que para essas mulheres, entre o esforço e o merecimento existe um abismo com milhões de fatores que não deixam essa conta fechar”, ressalta.

Além disso, para Letícia, a maioria das pessoas não vão mais em shows de bandas e artistas iniciantes, não frequentam casas pequenas, só ouvem o que tá disponível no Spotify, ou só vão no SESC e grandes festivais. A pergunta que fica nesse caso é: “como essa mina vai ser ouvida e vista?”.

Talvez falte ressignificar tudo, desconstruir os padrões e se permitir recriar, olhar mais para o outro lado, entender o que está rolando e sempre se questionar

Quando questionada sobre uma possível solução para festivais plurais de verdade, Letícia comenta que talvez falte para a curadoria e a organização observarem os movimentos da cidade, no que está rolando por debaixo do radar das plataformas digitais. “Têm se falado muito em banda independente, mas ainda assim a gente não pode deixar de pensar em privilégios. Nem toda banda ou artista independente tem acesso às mesmas ferramentas de comunicação por exemplo. De repente estipular uma cota de participação não resolva enquanto a produção e curadoria estiverem ligadas em número de seguidores nas redes ou em material disponível online. Daí a gente vai ficar mais algumas décadas vendo as mesmas pessoas nos palcos de grandes festivais”.

Por fim, Letícia encerra dizendo que “talvez falte ressignificar tudo, desconstruir os padrões e se permitir recriar, olhar mais para o outro lado, entender o que está rolando e sempre se questionar”.

De acordo o editor do Hits Perdidos, os lançamentos mais relevantes dos últimos três anos foram feitos por mulheres. “Eu nem gostaria de estar respondendo sobre isso em 2019, mas como vivemos numa Brasil conservador e machista ainda discutimos isso. Particularmente sempre amei bandas de minas e era julgado por isso desde os tempos de colégio. O machismo está em todo lugar”, diz em um misto de tristeza e raiva.

Nata, da Manger Cadavre, também ressalta que o cenário da música reflete o machismo, que é estrutural. No entanto, como também explica, se o festival abraça um discurso é preciso que seja colocado em prática. “A realidade é que há inúmeras bandas com qualidade que possuem mulheres em sua formação e nem sempre elas têm esse mesmo espaço, se não possuírem alguma indicação. No nosso caso, por eu não fazer parte do hardcore melódico, não conhecia ninguém do Oxigênio Festival e realmente acredito que a seleção tenha sido feita por conta do nosso som e trajetória no underground”, finaliza.

Coletiva Oxigênio Festival 2019. Da esquerda para a direita: Dani Buarque (The Monic), Marcão (Hangar 110), Carol Navarro (Supercombo), Rafael Brasil (Far From Alaska), Badauí (CPM22), Rafael Piu (Gig Music) e Marcelo Mancini (Strilke). Foto: Mara Alonso

Qual o futuro do Oxigênio Festival?

A organização do evento informou que por enquanto o Oxigênio será realizado apenas em São Paulo, sendo um investimento muito alto de dinheiro, tempo e concentração. “Imagina se tivesse que fazer tudo isso em três ou quatro cidades diferentes? Acho que eu morreria antes dos 50”, explica Piu Pelegrino. “O evento vai sempre tentar expandir, seja em número de bandas, ou atividades, ou em um lugar maior. A questão é mesmo tentar encontrar formas de viabilizar isso e não depender somente de venda de ingressos. A ideia é sempre dar oportunidade, inclusive com as bandas que podem encaminhar o som direto pelo site do festival e serem selecionadas para a enquete pública”, diz.

O evento vai sempre tentar expandir, seja em número de bandas, ou atividades, ou em um lugar maior. A questão é mesmo tentar encontrar formas de viabilizar isso e não depender somente de venda de ingressos

Durante a conversa com o Pelegrino, citamos a matéria do site Audiograma, que fez críticas sobre o comportamento da organização em respostas consideradas ácidas ao público nas redes sociais, além da afirmação de que a produção do evento é 100% masculina. Em resposta, Pelegrino lamentou dizendo que “é triste ler o que o Audiograma escreve”, sugerindo que o site tenta imputar um problema muito maior ao evento. “Tantas bandas boas tocando. A interpretação de texto chega a ser tão estranha que, ao falarmos que queremos bandas boas, seja de homens ou de mulheres, o site diz que estamos falando que mulheres não são boas. Seria legal se o site fizesse matéria com as bandas que eles curtiram. Se eles curtem as que tem mulheres, façam uma mais especial ainda”, diz.

O produtor ainda ressaltou que não procede a informação de que não há mulheres na realização do evento. Para confirmar a presença feminina no Oxigênio Festival, Pelegrino nos enviou os números do último ano:

– 3 sócios no festival, 1 é mulher;
– 22 das 35 pessoas da equipe são mulheres;
– 9 das 45 bandas tem mulheres na formação (esse ano são 11 de 34 bandas);
– 3 das 5 produtoras são mulheres;
– Agência de Marketing liderada por 2 mulheres;
– 1 mulher comanda as redes sociais;
– 42% do público atual é mulher;
– Dos 8 patrocinadores, 5 são mulheres à frente.

Além das bandas já anunciadas (veja abaixo), o evento também promete o anúncio de um nome de peso do rock nacional, que será revelado durante o mês de agosto. O Oxigênio também está com um concurso para selecionar as bandas de abertura; serão três, uma para cada dia. O cadastro das bandas deve ser feito no site do evento: https://www.oxigeniofestival.com.br/

Como nas edições anteriores, o Oxigênio conta com a parceria das marcas Vans, Budweiser, Goose Island, Monster Energy e Jack Daniels.

Idealizadores do Oxigênio Festival: Gig Music e Hangar 110 (crédito: Ovo Graúdo/@munizleo)

Bandas já confirmadas o Oxigênio Festival 2019: CPM 22, Francisco El Hombre, Far From Alaska, Big Up, Supercombo, Strike, Pense, Terra Celta, Dibob, Sugar Kane, Glória, O Bardo e o Banjo, Rivets, Granada, Rumbora, Autoramas, Teco Martins e Sala Espacial, Esteban, Zumbis do Espaço, Nervosa, Bayside Kings, O Inimigo, Codinome Winchester, Darvin, Cefa, Molho Negro, Charlotte Matou um Cara, Cólera, Violet Soda, Armada, The Mönic e Wiseman.

Fontes e materiais de consulta

Gostou desse Post? Compartilhe!

Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

%d blogueiros gostam disto: