quarta-feira, 26 de junho de 2019
Nada Pop

A crítica poética do curta “Como Largar de Palhaçada”

Talvez você já tenha vivido um momento de decisão em sua vida no qual certas escolhas poderiam traçam o seu futuro. Nem todo mundo consegue assimilar o prazer de fazer aquilo que realmente gosta com o ganho material, ou pelo menos, não é algo natural no início de qualquer carreira. Assim, muitas pessoas optam por desistir de um sonho – nem que seja temporariamente – em busca do retorno financeiro mais rápido, afinal, as contas não esperam.

Com essa ideia surge o curta “Como largar de palhaçada…”, que mescla arte, documentário, animação, palhaços e concursos públicos. O filme foi escrito e dirigido por Ana Carolina Nicolau, também conhecida como Querolx. As filmagens foram feitas em Brasília e conta a história do ator Jujuba que tem que decidir se continuará atuando ou vai se render aos concursos públicos.

Essa é uma história que não vai muito além da realidade dos atores do curta e da própria Querolx, sendo a equipe do filme (quase) toda formada por estudantes de Cinema e Audiovisual. De um jeito ou de outro, todos precisam lidar com esse universo constantemente e responder perguntas sobre o mercado de trabalho.

O filme foi realizado com ajuda de um financiamento coletivo, além de contar com a colaboração de todos que trabalharam ou atuaram no curta. Fazer um filme não é fácil e em muitos casos as ideias só saem do papel com muito esforço e dedicação, contando sempre com a ajuda de outras pessoas. Afinal, não é assim a vida?

Abaixo é possível conferir o nosso papo com a Ana Carolina, que nos dá detalhes sobre a produção, realização e exibição do curta, além de falar um pouco sobre as suas experiência com audiovisual. A Ana tem um histórico bem interessante e além de dirigir clipes e curtas, também é fotógrafa e toca na banda Dino Bang. Não deixe de curtir a página do filme clicando AQUI.

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Equipe do filme “Como largar de palhaçada”. Crédito: Matheus Bacellar

NADA POP – Como a ideia do filme foi concebida?

ANA CAROLINA – Escrevi o roteiro durante as filmagens de um longa metragem no ano passado, a concepção veio da realidade brasiliense em que quase todo mundo é concursado. Eu cresci ouvindo sobre estabilidade e quais caminhos deveria tomar pra alcançar isso o mais rápido possível, cresci vendo várias pessoas talentosas largando seus “sonhos” pra trabalhar com algo que odeiam. O filme fala sobre essa decisão de um jeito um pouco mais poético.

NADA POP – Qual a sua intenção com o filme, ou seja, o que você gostaria de despertar nas pessoas com o curta?

ANA CAROLINA – Queria que as pessoas se sentissem livres pra escolher e tomar decisões de acordo com os sonhos delas, e não construir sua história seguindo regras de um manual pra ter uma vida financeira estável.

Esse filme foi um processo de aceitação artística pra mim e pra algumas pessoas da nossa equipe espero que também seja pra quem assistir o filme.

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Cartaz do curta “Como largar de palhaça”, realizado pelo César Passa-Mal.

NADA POP – Onde será possível assistir?

ANA CAROLINA – Estamos inscrevendo o filme em vários festivais de curtas nacionais e internacionais, o objetivo é exibir bastante o filme nas telas de cinema e depois que a “carreira” nos festivais acabar (os filmes tem tipo uma data de validade pra participar) vamos colocar na internet.

NADA POP – Quem são esses atores?

ANA CAROLINA – enquanto escrevia o roteiro pensei no Tulio Starling pra fazer o Jujuba, até porque ele foi uma das inspirações pro personagem . Ele entrou com tudo no filme e fizemos o casting juntos, os atores e atrizes que participaram não poderiam ser melhores, trabalhamos com professores da universidade, atores veteranos, atores iniciantes e minha irmã, que na época tinha 8 anos.

NADA POP – Como foi a produção do filme? É todo independente ou tem algum incentivo?

ANA CAROLINA – Pra produzir o filme fizemos uma campanha de crownfunding e vendemos rifas. No cinema tudo é muito caro e fazer filme de baixo orçamento não é fácil, todos que participaram toparam trabalhar de graça, então o dinheiro (cerca de 4mil reais) foi só pra alimentação, transporte e arte.

NADA POP – É o seu primeiro filme?

ANA CAROLINA – Como diretora é o meu segundo curta, mas pra fazer um filme existem MUITAS funções, já participei de filmes com produção, diretora de fotografia, assistente, still, etc .

NADA POP – Sabemos que você já dirigiu clipes de algumas banda. Pode citar esses trabalhos?

ANA CAROLINA – Eu fiz Nada em Vão, Outubro, Dissonicos e os da Dino (claror). Os links seguem abaixo:

Aproveite e depois leia a nossa entrevista com a Ana Carolina sobre a sua exposição fotográfica “Muito Além dos Amplificadores”. Basta clicar AQUI.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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