segunda-feira, 27 de setembro de 2021
Nada Pop

Um lugar chamado Brasil, onde idolatramos ricos enquanto nos afundamos na miséria

Dissidentes - Foto: divulgação

Ahhh como é bom morar no Brasil. Sério, muito bom mesmo. Tirando a corrupção de familícias, o fato de não poder comprar mais carne, além dos preços da gasolina, gás, luz e outras coisas que se transformam cada vez mais em obstáculos para sobreviver. Sem contar um tal sete de setembro que quase virou um novo 1964, mas sabem como é, tá tudo ótimo, tá tudo bem. Somos um povo alegre, contente, que ri das próprias desgraças, que apanha e continua sendo leal a Deus, ao trabalho e que ainda não se importa o suficiente para arrancar um certo câncer desse país de lá do Palácio da Alvorada.

Mas é bom viver no Brasil, onde a cultura e educação são tão sucateadas que nem mesmo o ferro velho aceita mais. A violência cresce, aqueles que fazem arminha com a mão se escondem, as fake news são naturalizadas pelo governo e o Tico junto com o Ciro vão em manifestações convocadas pelo MBL.

Uma piada pronta e sem graça, uma comédia de stand up cheia de humoristas que ao invés de contarem piadas ficam é rindo da nossa cara. Vamos chamar o Temer para pacificar o país… Outra piada, só que o bobo da corte e suas imitações só alegram os ricos, o presidente da mídia, donos de rádios fascistas e o vídeo “perdido na web” revela (mais ainda) o quanto a desigualdade é um verdadeiro abismo muito, mas muito maior do que a gente imagina.

Mas vamos lá, falar do que interessa, não é mesmo? Afinal, conquistamos nossos objetivos, trabalhamos mais de dez horas por dia e contribuímos para as férias internacionais de nossos patrões.

Irmã Talitha

Em 2014, quando esse humilde blog ainda aprendia a caminhar (hoje ele se rasteja, eu sei, mas tenha fé), resenhamos o álbum “Irmã Talitha e o Sentido da Vida”. Na época, a banda era formada pelo Wagner Cyco (guitarra e voz), Chubaka (baixo e voz) e Du (bateria)  que, juntos, construíram um disco sólido, com um som direto, seco e rápido que transformava todo o contexto do álbum em uma odisseia humana retratando o próprio inferno e purgatório, longe de qualquer paraíso.

Após tantos anos, a faixa “Trilha do Fracasso” ganhou um lyric video, produzido pela Motim Underground. O que impressiona é que as coisas não mudaram e a música se encaixa de forma perfeita com os dias atuais. Para ler a nossa resenha naquele período basta clicar AQUI, mas já recomendo que procure esse disco diretamente com o Wagner Cyco, representante do hardcore metal underground do ABC Paulista, integrante também do Mollotov Attack.

Sem querer me repetir em palavras, naquele tempo escrevemos que “num país que parece valorizar mais o futebol do que a educação, o mais recente álbum da banda Irmã Talitha é praticamente uma aula de antropologia, abrigando reflexões sobre a humanidade e o seu comportamento de consumo, incluindo sua atual escravidão tecnológica em detrimento de uma consciência sobre a sua própria submissão”. Novamente, mais atual do que nunca.

Dissidentes

A banda Dissidentes também é daquelas dos primórdios do Nada Pop. Não só tenho um verdadeiro apreço pelo grupo, como o próprio Toni, vocalista da banda, chegou a fazer parte do início do site e com resenhas publicadas em nosso primeiro ano. Ou seja, o grupo é praticamente da casa.

Sobre o álbum “Só o Rock Salva”, ele foi lançado em 2015 e produzido por Leandro Nô, ex-baterista do Dead Fish, e por Bruno Mulinario, no Great Music Studio. A arte da capa foi realizada pelo próprio Toni e traz o músico Japa, baixista do grupo, representando a banda.

O grupo também lançou há pouco tempo o lyric video da música “Qual é o seu problema?”, também realizado pela Motim Underground, que vem ajudando as bandas independentes. Assista o vídeo acima e veja que é mais uma banda com letra atemporal para um país como o nosso, o que infelizmente faz a gente perceber que além dos problemas antigos, que não são resolvidos, acabamos criando problemas novos. Para ouvir o álbum da banda Dissidentes acesse o Bandcamp do grupo, o link está logo abaixo.

Caio Uehbe

Caio Uehbe é um cara que vamos falar um pouco mais nos próximos dias, mas adiantamos esse clipe da música “E Agora?”, o que traz uma mudança brusca em sua carreira artística. Do punk ao MPB, isso mesmo. Com a banda Rota 54, Caio lançou discos de punk rock e realizou diversos shows, saindo em 2019 o trabalho mais recente divulgado pela banda, representado pelo álbum “Náusea” no qual tive a oportunidade de presenciar o lançamento ocorrido no Espaço Som, em São Paulo, naquele mesmo ano.

Não sabemos ainda se foi a pandemia, se as mudanças já estavam acontecendo ou se tudo isso é apenas uma “pira” do Caio, mas o que não dá para negar e a musicalidade existente na faixa “E Agora?”, reunindo e transformando crítica social em poesia e usando metalinguagens audiovisuais para explicar suas ideias. Um trabalho que impressiona pela evolução artística e versatilidade musical.

“Sinto que na MPB eu posso ser punk, roqueiro, macumbeiro, romântico, brega, sambista, reggaeiro, forrozeiro, axezeiro, militante, tudo ao mesmo tempo. E é justamente isso que pretendo com esse trabalho que virá com seis músicas”, comenta Caio que em breve irá soltar um EP.

Ainda vamos bater um papo com o Caio e vamos querer saber mais detalhes dessa mudança. Para ouvir o novo single, intitulado “Coração Maior do Mundo”, basta clicar AQUI.

Por fim, enquanto o Brasil não nos engole de vez, vamos sobrevivendo e resistindo com a arte e mesclando o antigo, o novo e, talvez, o futuro no Nada Pop. Em breve novas e sinceras opiniões. Se você leu tudo isso até aqui, não deixe de compartilhar e nos ajudar a chegar e atingir mais pessoas.

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Sobre o autor

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop

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