segunda-feira, 19 de julho de 2021
Nada Pop

O obscurantismo brasileiro é retratado no clipe da banda O Preço

No meio das sombras, dentro de um prédio abandonado, surge o som punk da banda O Preço com o single de “Sonhos da Televisão”. Tão marcante quanto a música, o vídeo simboliza o obscurantismo vigente no Brasil nos últimos anos, estimulado cada vez mais pelas fake news e ampliando o negacionismo da ciência, além da polarização política.

De acordo com Christian Targa, fundador da banda e eterno ex-Blind Pigs, a música já existe há muito tempo, mas continua tão atual quanto à época de sua criação. Mas com o clipe, diante dos simbolismos visuais, a música ganha novos contornos. O prédio abandonado representando um país jogado às margens do mundo, colocado de lado e com perda de representação política, virando uma piada internacional ou, ainda pior, sendo um novo covil de fascistas em um onda que já está sendo chamada de “nazismo à brasileira”.

O vídeo ainda acerta em traduzir o obscurantismo de um estado anticultural por meio de penumbras e silhuetas, o que poderá tornar “Sonhos da Televisão” obra de futuros estudos de semiótica. Isso é, se ainda existir futuro diante da espiral de mentiras e das diversas tentativas do atual governo em obstruir as descobertas sobre o seu gabinete paralelo, chamado também de gabinete das sombras (em inglês, shadow cabinet).

O Preço surge das sombras no clipe para refletir e gritar contra os atuais “ignorantes” e que a verdade nos tem sido subtraída, tudo tem sido negado e que já roubaram o futuro. Coincidência ou não, a arte não se rende. Ela luta contra a escuridão e insiste em buscar um certo tipo de luz. Não uma luz que nos ilumine o corpo e a alma como se fosse uma auréola divinal, mas um caminho para a igualdade e a justiça, gritando por uma razão de liberdade em meios às sombras de um desgoverno.

Além de Targa, O Preço é Mario Rolim (bateria), Marcos Rolando (baixo) e Luccas (guitarra). A música “Sonhos da Televisão” faz parte de um compacto de sete polegadas que além da faixa título contará com a música “Futuro Infeliz”. O disco é um lançamento conjunto dos selos Detona Records (@detonarecordsbrasil), Neves Records (@nevesrecords) e Vertigem Discos (@vertigemdiscos), disponíveis nas cores, azul, vermelha e verde.

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Sobre o autor

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop

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