terça-feira, 13 de abril de 2021
Nada Pop

São todas iguais? Um papo sobre fotografia promocional de bandas do underground

Nirvana - Foto por Kirk Weddle

Nirvana – Foto por Kirk Weddle

Você já reparou nas fotos das suas bandas favoritas? Há alguma semelhança entre elas? Pois a gente aqui da redação do Nada Pop se pegou pensando sobre isso e comentando como a maioria das fotos parecia seguir um certo padrão (as bandas formadas totalmente por homens, por exemplo, costumam ter fotos bem parecidas, com os integrantes lado a lado e com “cara de mau”), e como é divertido ver fotos fugindo do “tradicional”, como o Nirvana costumava fazer.

Nirvana – Foto por Kirk Weddle

Foi nessa conversa que surgiu a ideia de sair da opinião de fã e falar com quem realmente entende do assunto: os fotógrafos.

Por isso, chamamos Fernanda Gamarano, Dani Moreira, Felipe Buli, Renan Casarin e Rick Costa e para conversarmos sobre como é o trabalho de fotografia promocional para bandas de rock, quais as dificuldades, se existem padrões a serem seguidos nesse trabalho e quais os fotógrafos e bandas que eles buscavam se inspirar na hora de trabalhar, além de dicas para artistas que estão começando.

Partindo do ponto que desencadeou a nossa conversa aqui na redação, a primeira pergunta que fizemos aos fotógrafos foi justamente se existia o tal “padrão” que acreditávamos haver (lado a lado e com “cara de mau”) e, se caso existisse, se essa padronização facilitava ou atrapalhava o trabalho dos próprios fotógrafos. Houve um consenso afirmando que sim, há um padrão que as bandas curtem seguir quando contratam um fotógrafo e isso pode ajudar ou atrapalhar, dependendo da postura da banda, que deixa o fotógrafo “ousar” ou não. Porém, o “padrão nem sempre é padronizado”, ou seja, o estilo que a banda busca seguir em suas fotos depende muito de suas próprias influências.

“Acho que isso é um retrato das influências, mas a maioria de bandas tem as mesmas referências, então na hora de fotografar já estão com essas ideias na cabeça, mesmo que no subconsciente. O fato de as referências serem parecidas acaba atrapalhando, porque o legal para um fotógrafo é justamente tentar sair da zona de conforto e criar algo diferente sempre que possível”, comenta Rick Costa.

Já Fernanda, que além de fotógrafa é guitarrista da Der Baum, explicou que entende a dificuldade das bandas na hora de dar ideias e explicar o que querem para o fotógrafo. “Acho que quando entramos no termo ‘padrão’ acabamos abrindo vários caminhos do que achamos ser padrão, e acredito que muitas bandas se inspiram em seus próprios ídolos e referências, ou em uma fórmula padrão para entrar no mercado, usando o lado comercial. Mas, e isso eu posso falar isso como musicista, quando estamos começando é difícil achar um jeito criativo logo no início e fazer a identidade da banda aparecer”, disse.

Apesar de todos comentarem que algumas bandas evitam fugir dos padrões e são mais fechadas no início do trabalho, nenhum deles disse ter passado por algum atrito com os artistas que trabalharam e citaram como maiores problemas o nervosismo inicial da maioria das bandas – e como é importante que os fotógrafos tentem tornar o clima mais agradável para que os integrantes “se soltem” e posem o mais natural possível, além de tentar captar o estilo da banda em uma foto.

“Eu peço sempre que tragam referências, porque eu incorporo no processo fotográfico de criação; também escuto o som da banda pra poder entrar na vibe e converso se querem a reprodução fiel da referência ou se podemos ousar, recriar em cima”, pontuou Felipe Buli.

No mesmo sentido, Renan complementa que “em uma sessão, os primeiros clicks são quando a banda ainda não se soltou o suficiente, então saem poses ‘meio duras’, mas isso é uma questão de criar afinidade com a banda, ir trocando ideia e, principalmente, se divertir durante a sessão. As bandas geralmente vêm com uma ideia inicial, me mostram algumas referências e aí eu acrescento as minhas ideias”.

Inclusive, conhecer bem a banda com quem vão trabalhar foi a dica que os fotógrafos deixaram como primordial pra quem está querendo iniciar no ramo da fotografia.

Mas e para as bandas a serem fotografadas? Além de buscar referências e tentar passar para o fotógrafo uma ideia que faça sua essência musical transparecer na foto, confiar no fotógrafo e buscar se divertir durante a sessão foram as dicas dos entrevistados. Mas Dani reforçou um ponto bem importante, a divulgação nas redes sociais. “Para bandas iniciantes, tenham paciência na hora de uma sessão, pois hoje, com as redes sociais em alta, um trabalho diferencial e de qualidade ajuda muito na divulgação da sua imagem. Fotografem e tirem quantas fotos forem necessárias, pois com um trabalho de mídia bem feito, sua banda já sai ganhando muito”, conclui.

Por último, perguntamos quais as bandas e fotógrafos que inspiravam nossos entrevistados e a lista foi bem diversa. Fernanda citou as bandas dos anos 1980, como The Cure, New Order e Blondie, e o fotógrafo e cineasta Anton Corbijn, que dirigiu videoclipes do U2 e do Depeche Mode.

Dani disse gostar muito das fotos promos das bandas Metallica, Slayer e Enforcer. Rick e Felipe destacaram o trabalho de Bob Gruen, que fotografou Led Zeppelin, Sex Pistols e outros; e Renan indicou o fotógrafo Travis Shinn, cujos trabalhos mais recentes incluem Serj Tankian, King Diamond e o rapper DaBaby.

Os fotógrafos também deixaram nessa matéria alguns de seus trabalhos. E se você gostou de algum estilo específico ou de todos, siga os perfis dos entrevistados no Instagram: @rickezito, @renanfcasarin, @fefotografia1, @danimoreirafotografia e @felipebulifotografia.

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Sobre o autor

Letícia Pataquine

Formada em Letras, fala sobre livros no Instagram, reclama no Twitter e faz listas e resenhas como editora do Nada Pop.

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