segunda-feira, 27 de setembro de 2021
Nada Pop

Novo clipe da HAYZ mostra o pavor de mulheres ao andarem sozinhas à noite

Lançado em novembro desse ano, o single “A Soma de Todos os Medos“, da banda paulistana de queercore HAYZ ganhou uma produção audiovisual assinada por Brunella Martina.

O clipe traz a tona o medo que assombra mulheres e pessoas dissidentes quando precisam andar sozinhas pelas ruas. Fato que fica muito evidente quando realizamos uma pesquisa simples em qualquer site de buscas por notícias a respeito.

De acordo com uma pesquisa realizada com 2.500 mulheres maiores de 16 anos, em quatro países – Brasil, Índia, Tailândia e Reino Unido, aponta que 86% das mulheres já sofreu assédio na rua, e 68% teme chegar em casa ao anoitecer. E um levantamento realizado em 2014 pelo jornal O Estado de S. Paulo, por meio do Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDHPR), apontava que os episódios de preconceito contra gays, lésbicas, travestis e transexuais já superavam a marca de 6.500 denúncias. E 26% desses casos acontecem nas ruas das grandes cidades.

Para simbolizar essa sensação de medo, a diretora optou por captar imagens das integrantes transitando isoladas, e faz com que seus caminhos se cruzem a partir de multitelas, até que as três se encontram. “Apesar de retratar essa problemática, o clipe termina com uma redenção, a partir da sororidade e da junção de pessoas enquanto coletivo”, define a diretora Brunella Martina.

E pensando no contexto pandemico atual, a produção foi realizada com equipe reduzida e as próprias integrantes foram protagonistas da história, para evitar a exposição de outras pessoas ao risco de uma possível infecção pela Covid-19.

Para ambientar o clipe, a diretora optou pelas ruas do Brás, bairro histórico de São Paulo, que foi palco de movimentos sociais importantes, como as imigrações italiana e nordestina e, também, de manifestações operárias.

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Sobre o autor

Lety é feminista interseccional, mãe, baixadense, compõe, toca guitarra, grava, produz e faz contatos na Trash No Star, fundadora e produtora na Efusiva Records e MOTIM. Troca água por café e o dia pela noite, edita, escreve e dá palpites anárkicos no Nada Pop.

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