sexta-feira, 13 de novembro de 2020
Nada Pop

Sobre “vidaloca”, gravações a distância e os planos da Binarious: uma entrevista com Andressa Munizo

“Um adjetivo bom pra vida é ‘louca’”. Essa é a frase do refrão de “Vidaloca”, música do trio de indie folk Tuyo. Se antes de 2020, essa letra já fazia sentido, agora mais ainda. Pensando nisso, a Binarious lançou, recentemente, uma versão dessa música e, tanto a gravação dela quanto a produção do videoclipe foram feitos a distância, seguindo o distanciamento necessário em tempos de pandemia de Covid-19.

A Binarious é uma girlband de Brasília, que surgiu como um duo e, depois de mudanças na formação, atualmente conta com Andressa Munizo (vocal e guitarra, única da formação original), Lídia Pessoa (baixo) e Clara Vidal (bateria). As meninas lançaram o primeiro EP em junho de 2019, chamado Um Escape Fácil, e, atualmente estão aprendendo a lidar com gravações a distância.

Conversamos um pouco com a Andressa sobre a Binarious, o último lançamento e os planos futuros da banda.

Como surgiu a Binarious?

A Binarious era um duo, mas agora estamos em três mulheres. A gente se conheceu em um momento muito difícil da banda e o show seguinte seria para a seletiva do festival Porão do Rock 2019, em Brasília. Fizemos vários shows no ano passado, solidificando a formação da banda, e também tivemos a oportunidade de participar do festival CoMa, também em Brasília.

Quais as maiores influências de vocês?

A gente curte muitos artistas da cena independente brasileira, e especialmente a brasiliense, artistas como Bolhazul, Joe Silhueta, Dennehy, Brvnks, YMA, Fresno, Far From Alaska, Supercombo, Boogarins, Vivian Kuczynski, Young Lights, Tuyo, etc. Já os artistas internacionais incluem Twenty One Pilots, Warpaint, Metronomy, The Kills, Pink Floyd, The Do, The Neighbourhood, Nothing But Thieves, Tame Impala e Cleopatrick.

Eu não conhecia a música “Vidaloca”, do Tuyo, até o início dessa pandemia. Quando ouvi, logo associei com esse momento que estamos vivendo e, meses depois, vocês lançaram a versão. Como vocês conheceram essa música e quando decidiram gravá-la?

Eu conheci a Tuyo através do festival CoMa, “Vidaloca” foi a primeira música que ouvi do disco Pra Curar, e passei a acompanhar a banda que, além de produções incríveis, também transmite uma mensagem que a gente acredita e que também faz parte do que pensamos. Logo no início da pandemia, a Lídia sugeriu a música pra esse lançamento de quarentena e toda a banda abraçou a ideia; fomos desenvolvendo o clipe e a música ao mesmo tempo em que lidávamos com as consequências do isolamento social.

Como foi o processo de gravar música e videoclipe a distância?

Todo o processo foi uma montanha russa. Tive que voltar para a minha cidade natal, em Minas Gerais, por conta da pandemia; a Lídia e a Clara estavam em Brasília respeitando o isolamento social; todas nós com problemas causados pela pandemia e a produção sendo feita em home studio improvisado.

Não foi fácil fazer a distância, mas isso uniu a gente como banda, porque houve respeito e muita compreensão. Ficamos muito felizes com o resultado e com os feedbacks que temos tido.

A versão de vocês incluiu, no meio da música, algumas frases absurdas do presidente. Quando optaram por incluí-las na música? Achei que isso deu um tom mais angustiante pra música; era essa a intenção?

Vivenciar um momento histórico junto a um presidente que chama de ”Gripizinha” a Covid-19 e pouco se preocupa com a morte de milhares de brasileiros é mais do que suficiente para angustiar e enlouquecer qualquer um. Colocamos as falas do Bolsonaro como forma de protestar contra sua péssima postura diante da pandemia no Brasil.

Binarious - Foto: divulgação

Binarious – Foto: Pedro Ribas

O que você tem feito para deixar a vida menos louca nesse período de pandemia?

Eu tenho ouvido bastante música, conhecendo novos artistas e isso tem me ajudado bastante a lidar com crises de ansiedade. Evito ficar na TV, mas às vezes assisto, pra saber o que tá rolando; também tenho visto muitos filmes e aprendendo a pintar.

Quais os próximos planos da banda? Podemos aguardar um próximo EP?

Estamos aproveitando a quarentena para compor e produzir músicas novas, então podem aguardar um novo EP para o ano que vem! A gente espera que tudo isso acabe logo e que possamos voltar a fazer shows e entrar em estúdio.

Na música “Artificial”, primeiro single da banda, vocês cantam “ou vivemos os sonhos, ou vivemos sonhando”. Acho que, apesar das dificuldades que uma banda independente passa, vocês vivem o sonho de vocês, certo? Qual o conselho que deixam para as meninas que também querem ter uma banda?

A gente vive o nosso sonho porque compartilhamos e tornamos isso parte do nosso dia a dia, é algo que realmente amamos fazer. O conselho que eu dou para todas as meninas que sonham em ter uma banda é: às vezes tudo parece impossível; ter que lidar com inúmeras situações ruins em um mercado dominado por homens brancos é difícil, mas o importante é saber que vocês não estão sozinhas. Sigam os sonhos de vocês sabendo que são capazes de qualquer coisa e que existem muitas mulheres fodas trabalhando em todos os setores da música com quem vocês podem contar. Não deixem de viver os sonhos de vocês por falácias de um mundo preconceituoso e machista.

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Sobre o autor

Letícia Pataquine

Formada em Letras, fala sobre livros no Instagram, reclama no Twitter e faz listas e resenhas como editora do Nada Pop.