segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Nada Pop

Luca Bori, da Vivendo do Ócio, nos apresenta seu projeto Jardim Soma

Em abril deste ano, a Vivendo do Ócio lançou seu 4º álbum, depois de cinco anos, mas isso não significa que Luca Bori, baixista da banda, não tenha lançado nada nesse período e nem que o disco de abril tenha sido seu último lançamento.

Nos últimos anos, Luca tem se dedicado também a projetos paralelos, tendo até feito parte de um power trio formado por ele, Diego Reis (baterista da Vivendo do Ócio) e Fabio Trummer (Eddie), mas agora o foco tem sido seu ‘Jardim Soma’, projeto solo que conta com o apoio dos músicos Matheus Patriarcha, Luiz Henrique e Janaina Monteiro.

O Jardim soma lançou o EP Antena no ano passado e, há algumas semanas, disponibilizou no YouTube o videoclipe (veja acima), que tem direção do próprio Luca, do single “The End”.

Trocamos uma rápida ideia com o Luca sobre o Jardim Soma e suas influências artísticas, já que o projeto vai além da música. Confira.

Pra quem não conhece, o que é o Jardim Soma? Como ele surgiu e quais artistas foram suas maiores influências pra criar esse projeto?

Luca Bori – O Jardim Soma é música, ilustração e experimentação. Criei o projeto em 2006 com a ideia de trazer novos ares pra minha música; é um projeto pessoal de música totalmente vinculado às artes visuais. Boa parte da minha influência vem da contracultura, do faça você mesmo e da arte urbana; musicalmente acabo absorvendo um pouco de tudo que eu escuto e a lista é grande (risos). Desde Luiz Gonzaga e Ave Sangria a Homeshake e Eddie, passando por Gang of Four, John Frusciante e JJ Cale.

Quais as diferenças entre o Jardim Soma e a Vivendo do Ócio em relação às composições e seu processo criativo?

Luca Bori – Tem sido um processo bem diferente. Na Vivendo do Ócio, a gente montava o repertório, e ensaiava bastante pra depois gravar as músicas, já com o Jardim Soma é o contrário, primeiro gravo as músicas e depois eu vou ensaiar elas com a banda. Inicialmente, me parecia mais fácil, mas ao longo do processo descobri que não! Com essa liberdade de gravar sem ensaiar, 80% do que está no disco do Jardim Soma foi feito exatamente na hora em que eu estava gravando, experimentando, então eu acabava pirando muito mais; tem músicas, por exemplo, com dois baixos, duas baterias… O complicado é fazer tudo isso ao vivo depois, então a gente acaba adaptando muita coisa e, em alguns casos, incorporando novos arranjos ou batidas.

O primeiro álbum saiu ano passado e este mês você lançou “The end”, que é uma versão de uma música do Fabio Trummer. Quando e porque você decidiu regravar essa música?

Luca Bori – Gravei essa música em dezembro do ano passado e, apesar de não fazer a mínima ideia da loucura que seria 2020, hoje vejo que ela se encaixa e dialoga muito com esse momento que estamos vivendo. Na ocasião, eu estava em um momento de muitas mudanças na minha vida e essa música veio representar o final de um ciclo.

Luca Bori lança seu projeto solo “Jardim Soma” – Foto: Fabrizio Bori.

Quais seus próximos planos com o Jardim Soma?

Luca Bori – Ultimamente tenho me dedicado muito em criar conteúdo para o YouTube, trazendo versões ao vivo das músicas e, em alguns casos, com amigos convidados. Tenho feito algumas parcerias musicais que provavelmente devem sair como singles ainda esse ano e também já comecei a montar um repertório para o próximo álbum, que provavelmente deve ficar para o primeiro semestre de 2021.

Além das músicas, você também é responsável pelas capas dos álbuns e singles do projeto, né? O que surgiu antes na sua vida: a música ou o desenho? De onde vem as inspirações pra criar as capas?

Luca Bori – O desenho. Eu comecei a desenhar muito cedo, sempre fui fascinado por desenhos animados, adorava ficar riscando o braço da cadeira do colégio e sempre tomava bronca dos professores por isso (risos). Já a música veio mais tarde, mesmo ela sempre estando presente na minha vida por causa dos meus pais, só com 12/13 anos me apaixonei de verdade, então passava horas assistindo os clipes da MTV e logo depois aprendi a tocar violão com os amigos na escola. Acho que a influência das minhas capas vem de tudo que eu absorvo no momento, da vida, da rua, dos artistas que eu gosto, das capas das bandas que eu escuto, dos desenhos que assisto etc.; na capa do álbum Antena, por exemplo, tive muita influência da arte de Moebius (Jean Giraud), gosto muito das artes dele.

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Sobre o autor

Letícia Pataquine

Formada em Letras pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é colaboradora do Nada Pop com pautas, principalmente, envolvendo mulheres com banda. É natural de Guarulhos, Região Metropolitana de São Paulo.