quarta-feira, 25 de novembro de 2020
Nada Pop

#51 – Os 10 álbuns de Bah Lutz, vocalista da banda Bertha Lutz

Preta, gorda, sapatão! Quem nunca ouviu esse clássico do Riot Grrrl Nacional não sabe o que está perdendo. Esse hino é fruto da luta e resistência da nossa convidada para a coluna “Os 10 álbuns” de número 51.

Mineira, ativista negra, compositora, zineira, designer de produto por formação, desenvolvedora, vocalista da banda punk/hardcore Bertha Lutz, Bárbara Aguilar (Bah Lutz para as íntimas e admiradoras).

Bertha Lutz lançou o disco ‘Minha Resistência é Minha Revolução’, ouça:

Citei o trecho da música ‘Preta Gorda Sapatão’, porque a Barbara, além de tudo o que listei acima, possui um trabalho atuante no combate à lesbofobia, gordofobia e como adicionar ser negra nessa conta torna tudo isso bem mais violento.

E tem mais. Bah é idealizadora do Preta&Riot, que é uma proposta de mapeamento em formato de zine, para promover visibilidade e valorização das minas negras na música underground. Surgiu em 2016 depois de uma episódio racista que ela sofreu num show. É um projeto que conta com uma série de pequenas publicações com reflexões e críticas sobre o lugar das minorias raciais no espaço da cena musical independente. Ficou disponível online em Fevereiro de 2018 e você pode acessar aqui.

Preta & Riot Zine

Bora derrubar o sistema racista byte por byte

Esse projeto se desdobrou numa roda de conversa com o tema “Cadê as minas pretas no Rolê” que girou por Minas Gerais, Rio e São Paulo (por favor, acabando a covid levem a Bah para sua cidade).

Um dos últimos trabalhos que eu pude acompanhar, é a palestra sobre Racismo e tecnologia que ela faz desde o início de 2019. De acordo com o que ela mesma publicou em suas redes sociais, “Bora derrubar o sistema racista byte por byte”.

Isso foi um resumo da maravilhosidade da existência desta mulher, que inspira, resiste, luta. Fiquem com a indicação dos 10 álbuns de Bah Lutz:

#051 – Os 10 álbuns de Bah, vocalista da Bertha Lutz

01- Bulimia – Se julgar incapaz foi o maior erro que cometeu

Bah com disco ‘Se Julgar incapaz…’ da Bulimia

Bulimia foi a primeira banda só de minas que eu escutei, ‘Punk rock não é só pro seu namorado’ foi literalmente a música que mudou a minha vida e me mostrou um novo universo de bandas militantes feministas. Esse cd eu ganhei de presente no meu aniversário de 15 anos em 2003, eu já era fã da banda há um tempo mas em BH era difícil de achar. Foi um presente surpresa da minha melhor amiga <3 Eu amo o encarte e as mini fotos da banda dando rolê. Com certeza esse cd tem um significado mais que especial.

02- Dominatrix – Beauville

Dominatrix – Beauville

Esse é o cd que mais me marcou do Dominatrix, rápido, potente e melódico. Eu já era fissurada na banda, posso afirmar que é a banda que referenciou o feminismo, militância, lesbianidades e riot grrrl
pra mim. Um dos cds mais poderosos que já ouvi, muito sangue nos olhos, foi o feminismo entrando na minha vida com os dois pés na porta, com muita raiva, sofrência e emoção.
É um dos melhores albuns de hard core já feitos, sou incapaz de ficar indiferente qnd toca o self delight, porque ele mexe lá no fundo.

03- Placebo – Without you i’m noting

Placebbo – Without You I’m Nothing

Impossível escolher um albúm só do Placebo, mas esse é bem significativo. É muita escorpianice, uma profusão de sentimentos, mágoas, sofrimentos, excessos, drama, ah quanto drama!!!!
Minha banda favorita, a frente do tempo e lançando mil tendências lá nos meados dos anos 90. Molko apavorando na performance androgina, na guitarra e nas letras.
Destaque pro melhor match de todos os tempos: Molko e Bowie.

04 -Team Dresch – Personal Best / Captain my captain

 

Impossível escolher apenas um, então vou sugerir logo os dois cds do Team Dresch que foram a trilha sonora da minha descoberta da sexualidade sapatão, de cada crush secreto, de cada sentimento de inadequação, de cada micro lesbofobia que a gente sequer sabe nomear e identificar… essa banda é aquelas q vc dá o play e sente que não ta sozinha.
Album obrigatório pras sapatonas da sofrência rs. Me faltam adjetivos para descrever o quanto TD é potente e esse cd traz tudo isso junto – dyke drama, humor, angústia adolescente e uma visão muito humana e real sobre a lesbofobia e a misoginia em nossas vidas.
A letra de musical fanzine ressoa muito na forma como organizo a minha militância política enquanto vocalista da Berthalutz.

05 – Red Hot Chilli Peppers – Californication

Red Hot Chilli Peppers – Californication

Ganhei um cd pirata quando lançou, era 99/00 eu estava na quinta série e escutei esse cd até ele descascar anos depois e não rodar mais no som.
Absolutamente perfeito, não tem nenhuma música ruim e quando ainda escuto é só nostalgia boa. Uma das bandas de rock mais incrível do mainstrean. RHCP é amor <3

06- Sade – The best of

Sade – The Best Of

Quem me vê acha que sou super punkzera, cria do hardcore. MENTIRA!
É isso aqui minha escola de música. Esse clima de taxi da madrugada, good times e bailinho de tia. Escutei muito quando era criança, tenho uma profunda memória afetiva com esse albúm. Elegante e classudo, melhor pedida para um karaokê.

07 – Laços de Família – Internacional

Laços de família – Internacional

Absolutamente a melhor trilha sonora de novelas já lançada nesse país. A curadoria das músicas é incrível, a trilha de cada personagem combina com a essência de seu drama.
Escutaria em looping sem problema algum e não é zuera, é bom mesmo! As músicas de smooth jazzanova típicas do imaginário Global novelístico sobre o Leblon. Cafona e belo <3

08- Racionais MC – Sobrevivendo no Inferno

Racionais Mc’s – Sobrevivendo no Inferno

Racionais é a maior referencia do rap nacional e esse cd pra mim foi tão marcante que ainda sinto o mesmo arrepio quando toca o beat de diário de um detendo. É a “escrevivência” dos caras e sua percepção da periferia e do racismo no país. É um álbum tão importante que virou livro e obra indicada pro vestibular da unicamp. É uma aula de sociologia e política cantada em primeira pessoa. É rap venenoso, é fúria negra!!

09 Portishead – Dummy

Portishead – Dummy

A materialização musical do sad and sexy, se você dá o play com tesão vai ser uma delícia e se der o play bem triste vai ser uma puta duma fossa deprê.

10 – Sleater-Kinney – Dig me out

Sleater-Kinney – Dig me out

Elas levaram o riot grrrl pra outro nível. E esse cd tem tanta raiva e tanta fofura que é impossível não amar.
Tem um ranço nas letras, uma mágoa de ex, essa banda é tipo uma catarse terapêutica. AMO

Ouça a playlist da Bah no Spotify

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Sobre o autor

Redação Nada Pop

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