sexta-feira, 3 de julho de 2020
Nada Pop

Deadman Dance lança single (In)sane e nos deixa ansiosos pelo EP

Deadman Dance – Foto: Eduardo Geraissate

Formado no final de 2018, o power trio paulista Deadman Dance, formado por Eduardo Geraissate (violino – sim, violino! – e vocais), Rafaela Antonelli (bateria) e Henrique Codonho (baixo), lançou seu novo single, chamado “(In)Sane”.

Usando de sonoridades cruas e às vezes brutais, com um violino altamente distorcido no lugar de uma guitarra, o Deadman descaracteriza o que se espera de um som de power trio, puxado por influências do grunge, stoner rock e músicas tradicionais brasileiras.

“(In)sane” é o segundo single da banda, com fortes influências de Queens of the Stone Age e Black Sabbath, e com uma letra que fala sobre alguém com ansiedade e tensão, um déja vu de sofrimento, por estar revisitando situações em que esse alguém não sabe como agir. São cenas cotidianas e reais, que acabam perdendo o foco e sua materialidade, conforme são repetidas, em uma tensão que nunca chega a lugar algum. A melodia casou bem com a letra, como Eduardo destaca: “O Henrique chamou a atenção para o ponto de que a harmonia fica se repetindo, criando uma tensão que nunca chega. O cowbell eternamente presente e insistente veio da Rafa, ajudando muito em aumentar esta sensação ao longo da canção. É um vai e volta que dialoga com a letra, falando de uma época que eu tive bastante crise de ansiedade. Era esse eterno ficar preso num pensamento e não conseguir sair dele”.

Sobre o processo criativo da banda, Eduardo afirma ser coletivo: “Alguém manda uma gravação pro grupo e vamos mexendo a partir daí. Geralmente, eu tenho ideias em momentos aleatórios, então costumo gravar usando o celular e depois tento montar de forma mais coerente. A letra fica sempre por último. Cada um trabalha separado e depois juntamos ao vivo nos ensaios; é uma forma que funciona muito bem pelo nosso entrosamento, então é mais nossa cara, com as individualidades e influências de cada um sendo colocadas nos instrumentos.
No caso da (In)Sane, tive essa ideia de intro que soou muito legal no baixo estalado do Henrique, então não tinha como ser de outra forma. O riff principal carrega a influência do Black Sabbath que é uma banda bem forte pra gente e a segunda parte da música traz o peso que é bem característico do stoner, mas com uma pitada mais nossa, ou, como o Henrique batizou, Neo-Stoner. Essa foi a última música que fizemos pro nosso EP, então ela mostra uma banda mais amadurecida”.

Deadman Dance – Foto: Paola Oliveira (@aminadasbandas)

Atualmente, a banda integra o casting dos selos Howlin’ Records, Oxenti Records (BR) e Fuzzy Cracklins (EUA) e está planejando o lançamento de seu primeiro EP, Ticking Clocks, com previsão para o segundo semestre de 2020 e o Edu também nos contou um pouco sobre ele: “Tínhamos planejado um lançamento com apenas dois singles, “Hard Times” e “(In)Sane”, mas com a pandemia estamos optando por estender um pouco o prazo, soltando mais singles antes do EP final. Gravamos as 6 músicas lá no Estúdio Cavalo, com o Alyson Borges, que também mixou e masterizou. Todas as músicas foram compostas no final de 2018 pro comecinho de 2019, então acabam dialogando com esse momento tenebroso que a gente vive; “Won’t”, por exemplo, uma das faixas mais pesadas, foi escrita após o resultado de eleições, e serve como um recado de que nunca vamos aceitar esse presidentinho.”

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Sobre o autor

Letícia Pataquine

Formada em Letras pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é colaboradora do Nada Pop com pautas, principalmente, envolvendo mulheres com banda. É natural de Guarulhos, Região Metropolitana de São Paulo.