domingo, 15 de novembro de 2020
Nada Pop

Radical Karma e as narrativas do novo EP Sintomas

Sucessor do elogiado ‘Entre o Fim e o Começo’, o EP ‘Sintomas’ é o segundo da Radical Karma e foi lançado na última sexta-feira (29) nas principais plataformas de streaming, via Flecha Discos e Onerpm. O EP reúne quatro músicas que mostram o amadurecimento da banda: está um pouco mais pesado, um pouco mais torto e um pouco mais complexo.

Sintomas foi composto imediatamente após o primeiro e, assim como seu antecessor, tem alguns arranjos colaborativos do Cyro (Menores Atos) e Phil Fargnoli (CPM 22), que também assina a produção. E quanto à composição de Sintomas, a banda conta que o processo foi muito mais rápido: “Entendo que a banda já tinha encontrado uma identidade sonora (que obviamente pode mudar de direção com o tempo) e isso tornou tudo mais fácil”, destaca Mateus Brandão, guitarrista da Radical.

As quatro faixas do EP são músicas que contam histórias diferentes com um denominador comum, a angústia, que talvez seja o maior dos “sintomas” que estão presentes nas narrativas sobre abuso, falta de empatia, descaso e depressão cantadas pela voz potente de Gabriel Zander, que consegue passar toda a emoção que as letras precisam.

A primeira faixa é “Fez”, que tem momentos e atmosferas distintas, sendo tensa e emocionante ao mesmo tempo, com letra que destaca como o falso discurso de meritocracia da política atual pode destruir uma pessoa.

“Fez” foi a música escolhida pela banda para ganhar movimentos, cores e vibrações em forma de videoclipe, que é composto por cenas da Radical Karma ao vivo, captadas durante seu primeiro ano de atividade – foram 11 shows realizados neste período, interrompido devido à pandemia.

Sobre esse registro em vídeo, Mateus, que dirigiu o clipe, disse: “Reunimos imagens ao vivo de praticamente todos os shows, inclusive de apresentações em que a ‘Fez’ foi tocada, antes mesmo de lançarmos o novo EP”, e destacou o trabalho de Douglas Ferreira – que além de filmmaker e diretor de fotografia do clipe, é um nome conhecido na cena punk/hardcore: tocou bateria no final do Fullheart, nos primórdios do Chuva Negra, e em alguns outros projetos junto ao Mateus – “Não foi preciso dizer muito, ele já conseguiu criar um clima foda com o que tinha em mãos e ir na direção que a gente queria”, conta o guitarrista.

A produção também tem inserções das ilustrações que a artista Camila Rosa faz para a banda – ela é a responsável por todas as capas dos lançamentos da Radical Karma.

Capa do EP ‘Sintomas’, do Radical Karma.

A segunda faixa questiona logo no título: “E se fosse com você?” nos propõe a pensar na empatia e a nos colocar na posição de uma mulher que sofre abuso em uma situação de trabalho. Música necessária e atual.

As duas últimas faixas, “Flipando” e “Em colapso”, são músicas que fecham muito bem o EP, com letras que aquecem o coração de quem está a ponto de “entrar em colapso” ou “flipar” em meio a esse momento caótico que estamos vivendo em isolamento.

Como dissemos, Sintomas é um EP que conta histórias, e essas histórias podem ser dos integrantes, de conhecidos deles, mas também podem ser suas ou minhas e, a Radical Karma nos convida a pensar em empatia e encarar nossos próprios demônios, nos ajudando a passar por esse momento de forma menos dolorosa.

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Sobre o autor

Letícia Pataquine

Formada em Letras, fala sobre livros no Instagram, reclama no Twitter e faz listas e resenhas como editora do Nada Pop.