sexta-feira, 7 de agosto de 2020
Nada Pop

O caos e a leveza do novo disco da Vivendo do Ócio

Se existe uma banda nacional da qual eu vi muitos shows, essa banda é a Vivendo do Ócio. Desde a época da MTV raiz, que eu acompanho a banda, tendo participado até do crowdfunding pro disco de 2015, o Selva Mundo (pode procurar meu nome nos agradecimentos haha), porém depois do Selva, eu vivia “realizando nostalgias” (pega essa referência) com a banda, já que eles entraram em um “hiato não oficial” e hoje vivemos em um tempo sem shows de ninguém.

Em 2018, os caras lançaram “Il tempo”, música bem diferente do que a banda costumava fazer, cantada em italiano. E em 2019, mais duas músicas atiçaram a curiosidade dos fãs, “Cê pode” “Muito”. Eis que, no começo desse mês, em meio à pandemia, surge um álbum homônimo da VDO, com essas três faixas citadas e mais sete inéditas.

Vivendo do Ócio é um disco bem VDO mesmo, aquele que serve para matar as saudades da banda quando ela fica cinco anos sem lançar álbum. É o clássico som indie rock misturado com reggae e música popular brasileira, marca registrada da banda, com letras que vão desde assuntos como relacionamentos amorosos, liberdade e tempo até críticas, por vezes sutis e por vezes bem diretas, à sociedade e ao consumismo.

O disco começa com “Cê pode”, uma das mais dançantes do álbum, e que, como o nome já deixa claro, é sobre poder ser quem quiser, fazer o que quiser, se libertar. E é assim, livres, que seguimos para “O amor passa no teste”, música que traz calma para tempos tão sombrios.

A terceira faixa, “Paredes vazias”, conta com a participação de Fábio Trummer, da banda pernambucana Eddie e antecipa as faixas mais críticas do disco, dentre as quais eu destaco “O Agora”, “Massagem de Ego” e “Nova Ordem”.

“Queimem toda a ignorância” é o refrão de “O Agora” e nem precisa de explicação, assim como o tema tratado em “Massagem de Ego”, que fala sobre a geração egocêntrica das redes sociais, que cria heróis e cancela pessoas em questão de dias. E “Nova ordem” mistura teorias conspiratórias com a realidade ao dizer:

“Você consome sujeira illuminati sem noção do que faz/ É preciso aprender os sinais/ Guerras não são pela paz/ Dinheiro é um satanás/ Que faz o homem enganar e matar em nome de Deus/ Mesmo que ele seja ateu”

E depois desse momento de músicas pesadas sobre o caos que vivemos, o disco volta à leveza inicial, com “Il tempo” e a última faixa, “Vestígios”, com uma letra forte sobre perdão em uma relação de amizade. E é essa mistura de caos e leveza que marca o quarto disco da Vivendo do Ócio, primeiro da banda pelo selo Flecha Discos, que contou com a produção de Gabriel Zander e Thiago Guerra (Fresno).

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Sobre o autor

Letícia Pataquine

Formada em Letras pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é colaboradora do Nada Pop com pautas, principalmente, envolvendo mulheres com banda. É natural de Guarulhos, Região Metropolitana de São Paulo.