segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Nada Pop

Um 8 de março de união feminina no lançamento do álbum da Violet Soda

Dia 8 de março – Dia Internacional das Mulheres. É aquele dia que a gente recebe parabéns, flores, piadinhas sem graça e textões sobre força e resiliência. Ainda bem que nesse ano eu consegui me esquivar de tudo isso e viver um 8 de março maravilhoso e, arrisco dizer, histórico, pois nesse dia Karen Dió e o Violet Soda organizaram um evento bem ‘girls to the front’, só com bandas e participações femininas. As fotos do show foram realizadas pela Paola Oliveira (insta: @aminadasbandas) – Confira todas em nossa página no Facebook.

Miami Tiger

Publicado por Nada Pop em Terça-feira, 10 de março de 2020

O rolê já começou bem com a volta do Miami Tiger. A banda comandada por Carox passou por um hiato devido à gravidez da vocalista. Aliás, esse assunto foi tema de uma fala importante da Carox: ela chorou, dizendo estar muito feliz e emocionada por voltar aos palcos dois meses depois de uma cesárea, que aconteceu por conta de complicações no parto. Carox contou ter ficado 24 horas em trabalho de parto, o que a forçou a fazer a cesárea e a descobrir que tinha endometriose. Ela aproveitou para alertar as meninas a se informarem e se cuidarem.

O show seguiu com Carox e banda tocando as músicas do EP Amblose, de 2016. Carox tirou a camisa e escreveu LIVRE, em caixa alta, na barriga músicas antes de encerrar o show com “Meu Lugar”, hit super pertinente para o dia 8 de março e para todos os nossos dias de luta constante contra o machismo.

Na sequência veio a Putz, a banda mais nova dentre as que tocaram nessa noite, que conta com duas mulheres na sua formação: Giovana Zambianchi, vocal, e Sarah Caseiro, baixo. Esse foi o segundo show da Putz que eu assisti – o primeiro foi no Festa Festival, que você confere a resenha aqui – e o que deu pra notar é que a banda parece mais preparada do que antes, já que o Festa foi praticamente sua estreia. O show foi rápido e, apesar da pouca interação com o público, a banda empolgou mostrando que é um nome promissor na cena.

Entre uma banda e outra, os fãs podiam comprar merch ou aproveitar o flash tattoo com desenhos predefinidos inspirados em músicas da Violet. A tatuadora, Dani Vanzella, não teve um minuto de descanso desde a hora em que eu cheguei. Inclusive, aproveitei um dos intervalos para dar uma olhada no público, que encheu a casa desde a primeira banda e, a cada show, a Fabrique ficava mais cheia. Parabéns aos envolvidos.

Ainda sobre o público, eu não me lembro exatamente da hora em que a The Mönic entrou no palco, mas lembro que a plateia começou a enlouquecer logo no início de “High”, tanto que depois da segunda música, Dani, guitarra e vocal, comemorou o fato de já ter rolado uma roda punk ali na frente.

As minas da The Mönic ressaltaram, entre uma porrada sonora e outra, a importância do evento, falando que, em anos de trabalho na música, era a primeira vez que tocavam em um festival com maior porcentagem de mulheres. Elas continuaram o show, tocando, inclusive, “Just Mad”, cuja letra é sobre feminismo, e discursando a respeito da necessidade de espaços para mulheres no rock. “Vocês sabem, vocês ouvem no rádio… quantas mulheres vocês veem no rock hoje?” – questionou Dani.

A The Mönic contou com duas participações: Carox, que voltou para o palco para cantar “Maldizer”, e Flavia Biggs, em “Scars and Cigarrettes”.

O fim do show mostrou que não só as meninas curtiram muito como todo o público que gritava o nome da banda repetidamente. Se eu fiquei emocionada, como fã, imagino como deve ter sido para elas. Enfim, a galera aguardava a Violet Soda quando as luzes do espaço se apagaram e a Fabrique tornou-se um cinema que exibiu, minutos antes do show, o videoclipe de “Girl!”, lançado na semana passada.

O vídeo serviu para deixar o público mais ansioso, então, finalmente a banda subiu ao palco e fez o melhor show que eu vi da Violet Soda até hoje. Os integrantes, apesar de claramente estarem emocionados, mostraram estar à vontade, confiantes e enérgicos, especialmente Karen, que mais uma vez entregou uma super performance. O show começou com “Charlie” e seguiu mesclando o repertório do primeiro álbum com os EPs anteriores.

O telão exibia os motion audios que a banda tem lançado nos últimos meses para divulgar as músicas do álbum, e a banda também trouxe participações femininas marcantes: Isa Salles no refrão de “I’m trying”, e as meninas do Far From Alaska. Emmily Barreto dividiu os vocais em “Friends”, e Cris Botarelli tocou guitarra em “Do it”, deixando Karen solta para surfar em uma pizza gigante levantada pelo público. Sim, rolou esse momento.

Na minha última resenha aqui, eu contei como foi a celebração da morte do rock machista e ultrapassado em uma noite majoritariamente feminina. Um mês depois eu volto pra casa com o mesmo sentimento de que quando mulheres se juntam, fazem coisas incríveis e de que o rock está cada vez mais feminista, mesmo que seja a passos lentos.

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Sobre o autor

Letícia Pataquine

Formada em Letras pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é colaboradora do Nada Pop com pautas, principalmente, envolvendo mulheres com banda. É natural de Guarulhos, Região Metropolitana de São Paulo.