sábado, 4 de julho de 2020
Nada Pop

Black Flag: Som baixo, cerveja MUITO cara e pouca conexão com o público

Black Flag no Carioca Club

Vamos por partes, e antes de você começar a xingar ou até mesmo sorrir com esse texto, quero deixar claro que essa é uma opinião pessoal e que de forma alguma tem interesse em falar mal do evento, mas apresentar alguns pontos que tornaram o show do Black Flag, infelizmente, sem alma.

Diante dos nossos contatos e amizades, ouvimos muita gente dizer que não iria nesse show, chamando-o de ‘Black Flag Cover’. Particularmente, também não iria no show e me sentia convencido disso até poucas horas antes do início da apresentação. Mas poxa, era a primeira vez da banda aqui no Brasil, um dos logos mais conhecidos da história, sendo um dos grupos de punk/hardcore mais lendários dos Estados Unidos. Foi quando me vi, às 18h do último domingo (8/3), na frente do Carioca Club, tomando uma cerveja na frente do espaço, aguardando calmamente para entrar.

Show sem banda de abertura

O que me chamou a atenção é que não houve banda de abertura, o que me trouxe uma certa estranheza. O espaço do Carioca Club realmente é grande, quem conhece sabe que rolam shows de diferentes estilos no lugar, de sertanejo, samba, punk, entre outros. Com espaço para mais de 1.000 pessoas, não estava lotado. Mas o público estava chegando cada vez mais. Acredito que um pouco mais de 500/600 pessoas tenha sido o público do evento (chutando alto). Fiquei na pista aguardando o início do show, música rolando enquanto observava ao redor. Sem dúvida, o local estava majoritariamente tomado por homens entre 30 anos para mais. Sei que você deve estar falando “o que isso tem a ver com o show?”. Tá, é uma observação sobre o próprio público do hardcore, será que o gênero está se renovando? As bandas que nasceram há mais de 40 anos são capazes de conquistar um público de outra geração? Qual a diversidade de gênero em um show como esse? Não estou problematizando nada, apenas observando. Com essas informações, tirem a própria conclusão.

O show começou pouco depois das 20h30, logo com “Depression”. No meio da música uma pessoa sobe ao palco para o que seria primeiro mosh da noite quando é agarrado pela camisa pelo vocalista Mike Vallely. Ele cantando no microfone com uma das mãos e na outra agarrando um cara pela camisa para colocá-lo fora do palco. Mike até tenta derrubá-lo com um chute, mas aí os “ajudantes de palco” vieram e retiraram o fã empolgado de lá (assista o vídeo acima).

Foi uma situação tensa que durou poucos segundos, cheguei a ouvir o início de algumas reclamações, mas foi acabar “Depression” e emendaram na sequência “No Values”. A situação voltou ao normal, mas todo mundo que subia no palco era imediatamente expulso de lá. Tudo bem, tudo bem… Tem a questão que o povo sobe, pisa nos pedais, em cabos, quer ficar dançando no palco e tals… mas pô, um show desses é querem todo mundo comportadinho só na pista? De cara já quebrou um clima. Outros fãs não se importaram muito e continuaram o pogo.

Guitarra do Greg Ginn com volume baixo

O show ficou durante uma boa meia hora – ou mais – com a guitarra do Greg Ginn com o volume baixo. Não se sentia o peso do instrumento enquanto o batera Isaias Gil e o baixista Joseph Noval estavam com uma melhor audição. Em alguns momentos, o vocal do Mike não era tão nítido e isso chegou a ser comentado entre as pessoas próximas a mim no show. Felizmente, após esse período, aumentaram o volume da guitarra do líder da banda.

O Black Flag continuava jorrando seus clássicos no público, que foi empolgando cada vez mais, mesmo que de forma tímida em alguns momentos. A banda não falava nada com o público, ia tocando seus clássicos. Entre eles “Fix Me”, “Gimmie Gimmie Gimmie”, “Black Coffee”, “Loose Nut”, “White Minority”, “Jealous Again”, “Nervous Breakdown”, “TV Party”, “Rise Above”, “Louie Louie”, “Six Pack”, e algumas pirações como “Slip it In”. Nesses momentos de piração, solos intermináveis de Greg Ginn, com o Mike de costas para o público e de frente para o baterista. Isso esfriava bem o público, porém muitos fãs continuavam pulando. O show terminou em alta, mas sem qualquer despedida e… sem tchau, bis e todos sem ideia se teria continuação ou não. Quando as portas laterais do espaço se abriram, ficou claro que o show tinha acabado, uma hora e pouco depois do início.

Conclusão

Tanto o Greg quanto o Mike foram cumprimentar o público depois do show, o que convenhamos foi uma atitude bem simpática. Tiraram fotos, conversaram com as pessoas, receberam até presentes. Ficou claro que eles estavam satisfeitos por estarem ali. Minha percepção é que o Black Flag poderia ter obtido uma conexão muito maior com o público durante o show. Greg é um excelente guitarrista, a banda está marcada na história e mesmo sem os integrantes que ajudaram a construir a concepção trazida desde início pelo Black Flag no mundo da música, que com certeza foi além do punk, há que se reconhecer que o show satisfez quem apenas queria ouvir alguns dos clássicos da banda ao vivo.

Para outros, que como eu, esperavam criar algum vínculo mais especial com esse show, infelizmente não deu.

Cerveja MUITO cara

Não vou me estender muito sobre o Carioca Club, mas um lugar que cobra R$ 12,50 uma lata de cerveja por si só já demonstra o quanto é acessível ou não. Mas esse valor é referente a compra da bebida diretamente com o garçom, já no caixa para pegar uma ficha o valor da lata de cerveja era de R$ 9, mas o pulo do gato estava na cobrança de uma taxa de R$ 2 na comanda. Ou seja, você teria como pegar uma comanda, mas essa taxa era incluída no serviço. Se você é especialista em direito do consumidor, ou conhece alguém que seja, agradecemos se puder confirmar se esse procedimento é legal ou prática abusiva. Fica dica para os próximos rolês no local: beba antes de entrar.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop