segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Nada Pop

Larissa Alves, da Teorias do Amor Moderno: Cores, shows e amores líquidos

Teorias do Amor Moderno – Foto: Vinícius Cerchiari

A Teorias do Amor Moderno é uma banda com origem em 2007 na cidade de Santo André, no ABC Paulista. É um power trio formado por Larissa Alves (guitarra e vocal), William Sales (baixo e backing vocal) e Maurício Rios (bateria). Com letras autobiográficas, românticas e até com um pouco de humor, apresenta um rock alternativo de um forma simples, sem firulas na sonoridade, mas traz em suas músicas mensagens de reflexão. Para ser sincero, a banda não se prende em rótulos, basta conferir a discografia do grupo, que conta com um EP homônimo (2013), o single “Obrigada, não!” (2016), o EP “Trilátero” (2019) e agora o single de trabalho “Depois do Sol” (2020), que conta com a participação do Jajá Cardoso (Vivendo do Ócio).

Neste sábado, 22, a banda se apresenta em Osasco (SP), ao lado das bandas Putz, Vir Go e Deb and the Mentals durante o Carnarock 2020. Os shows serão realizados na Praça do Samba, será gratuito e, das 10 bandas participantes, quatro contam com mulheres nos vocais. A organização é da Orangeira Music com apoio da Secretaria da Cultura de Osasco. O evento faz parte do Carnaval Oficial da Cidade.

Abaixo a programação do evento e uma entrevista especial com a Larissa, vocal e guitarra da Teorias do Amor Moderno. Conheça um pouco mais a banda.

Carnarock em Osasco. Será neste sábado (22)

Carnarock Osasco

Evento: >>>CLIQUE AQUI<<<
Data: 22 de fevereiro de 2020
Horário: das 11h às 21h
Local: Praça do Samba (rua Alexandre Baptistone, 190 – Osasco/SP)
Entrada gratuita: no dia do evento serão arrecadadas doações, que serão direcionadas para diferentes projetos sociais da cidade. Contribua! Opções de doações: 1kg de alimento não perecível, brinquedo em bom estado, agasalho e ração para gato ou cachorro.
Realização: Orangeira Music

Programação musical – Carnarock

11h – Concentração com bloco + DJ Cris
12h – BMBC
12h – Sukinho di 10
13h40 – Azoo
14h30 – Radio Attack
15h20 – Expresso Valvulado
16h10 – Cidadão Cafeína
17h – Teorias do Amor Moderno
18h – Putz
19h – Vir GO
20h – Deb and The Mentals

Entrevista com Larissa Alves, da Teorias do Amor Moderno

1 – Larissa, a primeira vez que ouvi o nome da banda pensei automaticamente na teoria triangular do amor, de Robert Sternberg. Existe de fato alguma relação dessa teoria com o nome da banda?

Me perguntaram isso há uns bons anos atrás (risos), mas não, não tem relação, tanto que só conheci as possíveis formas de amor do Stemberg, depois dessa pergunta e achei interessantíssima e poderia até mentir dizendo que tem relação, que seria muito mais intelectual do que o motivo real do nome. (risos)

2 – Para o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos em um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível, que traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos, um amor líquido. Você acredita nessa fragilidade dos relacionamentos e o que motiva as composições da banda sobre esse tema (amor)?

Eu acredito que hoje num todo, tudo está muito “líquido”, são milhares de possibilidades, trilhões de informações, uma exposição gigantesca, que eu acho que isso nos deixa tão acelerados, que às vezes parece que a gente sempre está perdendo alguma coisa, ou sempre tem algo melhor do que o que temos. Nos colocando em dúvida de “será que é isso mesmo que eu quero ou será que agora eu quero esse negócio novo que apareceu aqui?”.

As pessoas estão cada vez mantendo relações mais distantes, a internet se tornou um encontro de várias solidões e que você acaba encontrando o que quer por aqui, ai quando vai pro teti-a-teti parece que a gente não sabe mais interagir, e se a outra pessoa não atende 100% das nossas expectativas e idealizações, já não serve e aí fica mais fácil e confortável voltar a busca nesse mar de opções que a internet muitas vezes nos iludi que é. A gente esquece que nós mesmos temos imperfeições pra caramba que também precisam ser compreendidas pelo outro.

E como as músicas são sobre os meus relacionamentos, acho que não peguei essa fase do amor líquido, na verdade aqui é tudo bem sólido, que já me deram cada pedrada, que olhaaa… (risos)

Mas hoje eu tenho “a sorte de um amor tranquilo”, então espero continuar cantando sobre ele e sobre essas pedradas que a gente supera.

3 – Em qual momento você criou a vontade de ter uma banda e de compartilhar as suas músicas com outras pessoas? Esse sentimento vem sendo renovado mesmo diante – acredito eu – de sacrifícios? E quais os dilemas mais diários que vocês enfrentam como banda?

Acredito que desde a minha primeira composição. Como minhas músicas são muito autobiográficas, elas sempre foram bem fortes pra mim, do tipo de eu sentar, ouvir minhas músicas e chorar curtindo uma fossa (risos), ou sentir um puta orgulho de dar a volta por cima, por superações e afins. Então eu sempre quis levar para as outras pessoas o sentimento que elas me trazem.

Eu acho que hoje, mais do que nunca a vontade de compartilhar se torna maior, porque a gente anda vivendo dias tão difíceis, tão cheios de dor e raiva, que é preciso cada vez mais falar sobre amor, sobre luta, se manter firme em dias tão tumultuados. E com a música é onde eu tento fazer um pouquinho que seja pelo outro, quando eu recebo uma mensagem de “Larissa, parece que você escreveu essa música pra mim”, ou um “Obrigado por esse som”, me sinto com a missão cumprida e todo o esforço valeu a pena, porque não é fácil pra uma banda independente materializar uma música.

E os dilemas? Esses são vários, internamente e externamente… internamente porque os meninos são meu relacionamento mais longo e eu sendo lésbica, levar um relacionamento de anos com dois caras, as vezes é meio complicado (risos). Brincadeiras à parte, acredito que um dos maiores dilemas de uma banda independente é “como fazer as pessoas apertarem o play na minha música no meio de trilhões de informações que elas recebem diariamente?”. Isso faz a gente bater bastante a cabeça, mas aí procuramos fazer nosso trabalho o mais profissional possível, com os recursos que temos e vamos no “trabalho de formiguinha”, então vem o outro dilema, a PACIÊNCIA, tem que ter muita paciência, responsabilidade e persistência.

4 – Fernanda Gamarano, da Der Baum, publicou no seu Facebook uma pergunta feita a ela por um proprietário de um espaço para shows. A pergunta era “quanto de público a sua banda leva”. Se essa pergunta já foi feita para vocês eu não sei, mas qual seria a melhor resposta em sua opinião para essa questão?

Ahh já, há alguns anos postei sobre isso. Uma casa chamou a gente pra tocar uma vez, mas não era contratando o show da Teorias do Amor Moderno, era um bar contratando um serviço de música ao vivo, (naquele esquema de 3 entradas, um repertório de 725 músicas, enfim rs) e neste formato, o cara me perguntou quantas pessoas a gente levava, eu respondi que levava a mesma quantidade de gente que o garçom da casa leva. Ele não chamou a gente pra tocar, não entendi porquê. (risos)

Esse comentário da Fernanda até rendeu depois um vídeo no canal da Bratislava. Assista aqui: https://bit.ly/2T7hf3U

É difícil responder uma pergunta dessa já num cenário normal, contratando o show autoral, porque são muitos fatores envolvidos. Mas eu acho que um dos que mais impactam sobre um evento legal, tanto para a casa quanto para a banda (porque assim como a casa precisa ter gente, não existe banda que gosta de tocar pra ninguém rs), é o conjunto da obra, é ser uma casa que tenha uma infraestrutura legal (banheiros bons faz toda a diferença pra quem frequenta haha), um bom atendimento, preços bons, que o valor da entrada seja condizente, que tenham bandas na line que “conversem” para que aumente a possibilidade dos públicos se mesclarem, o profissionalismo das bandas, o trabalho de divulgação de ambas as partes… enfim, poderia ficar aqui horas descrevendo tudo o que eu acredito que envolve para conseguir ter uma perspectiva de público e mesmo assim, a probabilidade de errar é gigante. (risos)

5 – Você participou do clipe de ‘Autocontrole’, da banda Continue. Foi lançado neste mês. Qual a importância dessa relação entre as bandas e como vocês acreditam que isso contribui para o cenário musical independente?

Pra mim esse sempre vai ser o ponto chave de tudo. Antes da Teorias eu sou ouvinte, então precisa deixar de existir essa marra de não valorizar o trabalho do amiguinho do lado, por ter uma falsa ilusão que ele pode te tirar algum espaço (espaço que por muitas vezes só existe na nossa cabeça rs). E participar do clipe da Continue e poder partilhar desses momentos com uma galera que rala tanto e que tem um trabalho ótimo e honesto, é muito gratificante.

Larissa em um dos momentos do clipe ‘Autocontrole’, da banda Continue. Assista o clipe neste link: https://bit.ly/2HEynJ4

E eu vou aqui tentando fazer minha parte no que acredito que contribui pra cena… eu uso praticamente todos os dias camisetas de bandas independentes, que faço questão de comprar o merch pra dar uma força (que a gente sabe muito bem a força que dá), eu tenho uma playlist com as minhas músicas preferidas das bandas que vamos conhecendo nos palcos e ouço elas diariamente, (chama “Rock Conecta” no Spotify pra quem quiser conhecer). Pra nós que tocamos quase que todo final de semana, as vezes ficamos sem possibilidade de estar em shows, mas procuramos sempre estar presentes em eventos independentes… E é óbvio que não são todas as bandas independentes que a gente vai se identificar pessoalmente com o som, mas nada te impede de compartilhar o trabalho, pra que outras pessoas que não tem o mesmo gosto que o seu, tenha a possibilidade de conhecer.

E pra mim é dessa forma que a roda da cena independente vai girando.

6 – Gostaria de fazer um ping pong contigo. Mas de uma forma diferente. Farei algumas perguntas curtas e vou pedir que para cada resposta você escolha e inclua uma cor, ok? Se você tivesse que escolher uma dia da semana, qual seria?

Quinta-feira, porque é ótimo dizer “Amanhã já é sexta” rs. Quinta tem cor amarela pra mim.

7 – Cite três discos que você não pretende deixar de ouvir nunca.

  • Foo Fighters – Concrete and Gold (todos, mas hoje esse é o que ando ouvindo mais rs)
  • Los Hermanos – Ventura
  • System of a down – Mezmerize
  • Cor rosa

8 – Cite a sua melhor e pior qualidade como ser humano, não como profissional.

Empatia e teimosia. Cor preta.

9 – Uma banda (atual) que você deseja fazer um show juntos?

Supercombo. Cor laranja.

10 – Se eu tivesse que ouvir uma música da Teorias por um dia, qual música você escolheria pra mim?

“Depois do Sol”. Cor lilás.

12 – Dueto ou duelo? E com quem?

Dueto. Dave Grohl seria massa (hahaha). Cor azul

13 – Percebeu que pulamos a pergunta 11? Obrigado pelo papo. Encerre com uma citação que você goste. Até!

Percebi e foi ótimo, acabou no meu número da sorte (se fosse pra acabar no 17, ficaria chateada hahaha). Cor vermelha

Mais informações sobre a Teorias:

Site Oficial | Facebook | Instagram | Twitter | YouTube

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop