segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Nada Pop

Dope Times e o álbum ‘Life Is a Mess’

A cartinha chegou pelo correio, no velho estilo “Faça Você Mesmo”. No pequeno pacote estava um CD, adesivo, botton e uma folha sulfite impressa com a história da banda, a arte de capa do álbum e o logo do selo Craic Dealer Records. Fazia tempo que não recebia esse tipo de “mensagem”. Hoje em dia, diante de tantos recursos digitais, e-mail e facebook e até instagram, que acabam sendo ferramentas mais (bem mais) utilizadas, fiquei feliz por saber que existem bandas que ainda acreditam nesse tipo de contato. Enquanto por e-mail a mensagem parece ser igual a um “oi, sumido. há quanto tempo?”, nesse estilo realizado pela banda “Dope Times” me parece algo como “ei, tô passando na sua casa para a gente sair e tomar umas”. Não sei se todos vão entender essa comparação, mas vamos falar do álbum “Life Is a Mess”.

Hoje, dificilmente vemos uma banda lançar de cara, como primeiro trabalho, um álbum cheio. Mas como os caras disseram na carta enviada, eles são “aficionados pelo conceito vintage de full album”. Espetacular, sem nem mesmo ouvir os sons, já me simpatizei com o grupo. Life is a Mess traz 12 faixas no melhor estilo ska punk. Mesmo soando diferente de outras bandas do gênero ou que também gostam dessa mistura, como Rancid, NOFX, Madness, Mad Caddies, Goldfinger, Reel Big Fish, entre outras, é possível perceber essas influências no Dope Times.

Não consigo destacar apenas uma música do álbum, mas recomendaria a todos que ficaram curiosos a ouvir as faixas ‘Dope Times’, ‘Wasted Ways’, ‘The Champion’, ‘I Do Remember’ e ‘The Unknow’. Belíssimas canções, entre emocionais e divertidas, mas todas com uma mensagem interessante. A faixa que intitula o álbum possui uma mensagem muito forte, encerrando com uma “Everything is gonna be ok/ And I gonna be with you” (não importa o que você faça, tudo ficará bem e eu vou estar com você). Sim, as músicas são em inglês, mas se você quiser, acesse o YouTube da banda, além das faixas, você encontrará as letras por lá.

No ano passado, antes do lançamento do álbum, a banda divulgou o single de ‘Wasted Ways’, junto com um belo clipe dirigido pelo (sem necessidade de apresentações) Christian Targa, mais conhecido como o Gordo, ex Blind Pigs e atual O Preço (cê tá ligado, né?). Outra faixa com uma mensagem que vale a reflexão, e que apesar da melodia mais alto astral, fez os pelinhos do meu braço se arrepiarem. “I had to lose to start to win and then to carry on/ Now I understand where all begun”, essa não vou traduzir não, se você sentir qualquer arrepio na alma não será mera coincidência.

Para encerrar essa resenha, só deixar o registro que o Rafael Jales (guitarra e voz) e Paulinho Greg (bateria) são ex integrantes da banda Marginal Attack, que encerrou as atividades em 2018. Sabemos que apesar das dificuldades, muitas grupos que encerram acabam com os seus integrantes não desistindo da música. Ao lado do baixista Maniac Biffs, do Spitfire Demons, e do guitarra Fábio Gomes, ex Ketamina, surge então o Dope Times, que esperamos tenha vida longa pela frente.

Não bastasse a banda, Jales, ao lado do Matheus Krempel, do The Bombers e Estúdio Porto Produções Musicais, criaram o selo Craic Dealer Records. Ou seja, enquanto houver vida, sonho e sentimento, haverá música rolando nos amplificadores. Bonita essa frase, hein? Ou você achou piegas demais? Deixe seu comentário.

Ouça Dope Times: Spotify | YouTube

Redes sociais da banda: Facebook | Instagram

Gostou desse Post? Compartilhe!

Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop