segunda-feira, 19 de outubro de 2020
Nada Pop

Ainda existe vida e cores nas arquibancadas

Uma entrevista com Vinicius Baader sobre o projeto @Meiacancha

Quando a gente vai ficando velho, não tem como não sentir saudade de certas coisas. E sempre quem é de uma geração passada tende a achar que sua geração era melhor por tal e tal motivo. Umas das coisas que eu acho é que o futebol hoje, comparado com o dos anos 90´s ou até do começo dos 2000, é uma merda! Mas, provavelmente, se você perguntar pro seu avô ele vai achar que o futebol dos anos 1970 é que era futebol de verdade e assim por diante.

Uma das coisas que odeio no futebol de hoje é tal da “ousadia e alegria” que pra mim não quer dizer porra nenhuma! Isso aí não é nada perto do futebol com um quê marginal que eu pude assistir há um par de décadas atrás. Compara um Neymar, um William, um Felipe Coutinho, um RODRIGO CAIO! Com Túlio Maravilha, Romário, Júnior Baiano, Vampeta, Edilson, Paulo Nunes, Edmundo, etc. e etc. Não dá! Isso só pra começo de conversa, porque debater o futebol moderno demandaria uma tese de TCC pelo menos, o que não é o objetivo dessas parcas linhas, tenho dito.

Por outro lado, a gente tá vendo florescer várias torcidas do tipo ultras, barra brava, e relacionadas em quase todos os países onde o futebol é um esporte de massas relevante. Com elas vemos o resgate das boas tradições das torcidas organizadas que surgiram ainda em meados dos anos 1960, mas que perderam o punch nos últimos anos. Aqui no Brasil não poderia ser diferente e um fruto direto desse fenômeno são os novos autênticos apaixonados por futebol, que é o caso do Vinicius Baader, nosso amigo Vini.

Nesse novo pitaco da Carta Marginal vamos apresentar o @meiacancha, projeto de fotografia do Vini voltado para as arquibancadas e suas vivas cores. Feita dessa forma, a fotografia pode sim ser considerada uma arte marginal. Diria um dos papas do fotojornalismo, o francês Henri Cartier-Bresson: “Fotografar, é colocar na mesma linha, a cabeça, o olho e o coração”. Eu acho que o Vini tá conseguindo!

Gaviões – Foto: Vinicius Baader

Carta Marginal – O que é e como começou o projeto?

Vini – “Difícil dizer exatamente quando comecei a tirar foto de torcida, acho que foi em 2016/2017 em alguns jogos no Morumbi, na época nem câmera eu tinha, tirava com o celular mesmo. Em 2018, já com uma câmera que por sorte caiu na minha mão, comecei a idealizar um projeto parecido com o Foto Torcida do Gabriel Uchida. E foi numa partida da Libertadores no Morumbi quando registrei a torcida do Talleres que decidi que era aquilo que queria fazer no momento”.

Morumbi – Foto: Vinicius Baader

Carta Marginal – O que te inspira pra realizar esse projeto?

Vini – “O que me move é a possibilidade de conhecer todas as torcidas que admiro e respeito, saber como é o corre, como torcem, ouvir histórias, conhecer pessoas, mostrar um pouco do que passam e deixar registrado pra sempre a relação dessas pessoas com suas torcidas e times”.

Lusa – Foto: Vinicius Baader

Carta Marginal – Fale um pouco das tretas…

Vini – “Treta tem em todo lugar, mas quando se trata de torcida, a mídia sensacionalista cai matando por causa de audiência, então prefiro não dar corda pra esse tema. Já quanto o tratamento da polícia com a torcida presencio todo jogo, Arbitrariedade e violência gratuita… quando se trata de polícia recebendo torcida de outro Estado esse comportamento se multiplica”.

Polícia – Foto: Vinicius Baader

Carta Marginal – Até aonde você tem ido e registrado?

Vini – “(Visitei) menos lugares do que gostaria. Ano passado colei pra Curitiba fotografar o ParaTiba com a Império Alviverde do Coxa e também colei pra Caxias registrar o acesso do Juventude”.

Coritiba – Foto: Vinicius Baader

Carta Marginal – O que você faz é arte? É um ato político?

Vini – “Eu registro em fotos o movimento das torcidas organizadas, não considero isso uma arte, nem atitude política. To querendo mostrar a verdade numa era sensacionalista e das fake news”.

Peru – Foto: Vinicius Baader

Carta Marginal – Quais as suas referências autorais?

“Não tenho e nem busco referências na fotografia, mas curto o trampo de muita gente que leva em conta e registra todas as desigualdades que existem na sociedade de classes. Talvez minhas referências estejam nos autores que li e leio, Marx, Engels, Malatesta…”.

Juve – Foto: Vinicius Baader

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Sobre o autor

Giuliano Mascitelli

Jornalista fracassado e vocal da banda punk Lata do Lixo da História. Escreve textos curtos, crônicas e poemas de qualidade duvidosa.