sexta-feira, 7 de agosto de 2020
Nada Pop

Um Asteroid passou pelo Brasil e deixou um rastro de stoner, psicodelia e fuzz

Pela primeira vez no Brasil, os suecos do Asteroid desembarcaram no país para dois shows, um em São Paulo e, o outro, no Rio de Janeiro, nos dias 6 e 7 de dezembro. Quase que um festival de stoner que presenciamos ao vivo nas duas cidades com organização das produtoras Powerline e Abraxas. Um pouco do que aconteceu nesses dois dias você confere abaixo.

Confira as fotos do show em São Paulo no Flickr do Nada Pop. Acesse: https://bit.ly/2rbi3uR

Asteroid, Weedevil e Spiral Guru em São Paulo

Por Maurício Martins

Foram dias pensando nos shows das bandas Weedevil, Spiral Guru e Asteroid. A apresentação das bandas aconteceu no dia 6 de dezembro, na Jai Club. Os shows ainda fizeram parte da programação da Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM São Paulo), promovida entre os dias 4 e 8 de dezembro.

A primeira a banda a subir no palco foi a Weedevil, formada pela brilhante vocalista Fabrina Valverde, com Caio Caraski na guitarra, Dani Plothow no baixo e Flavio Cavichiolii, na bateria. Precisamos dizer que Flavio é figura carimbada no cenário, sendo ex baterista do Forgotten Boys e atual integrante do Pin Ups, que surge com a Weedevil e traz influências que passam por Black Sabbath, Trouble, Sleep, Electric Wizard, Riffcoven, entre outras do gênero.

O show de estreia da banda teria todas as chances possíveis para se apontar defeitos, mas ao contrário disso, foi uma das apresentações mais impactantes da noite. Fabrina conseguiu controlar o show quase como uma maestra. Sua voz potente com o peso da guitarra fez uma mistura de causar o caos (e no melhor dos sentidos). Flavio destruía a bateria sem dó e não ficava nessas de querer aparecer mais do que a banda. Todas no grupo se focaram em fazer uma estreia que gerasse o melhor impacto possível, mas ao mesmo tempo, com a diversão de estarem fazendo o que mais gostam. E deu certo, se fosse para dar uma nota a banda de zero a dez, com certeza seria 11. Além da já clássica “Morning Star”, o grupo apresentou as músicas “Weedevil”, “Icarus”, “Illusionist”, “Burn Like Hell” e “Follow the smoke”.

Spiral Guru foi a segunda banda da noite, o quarteto paulista de Space Rock/Stoner Rock e Heavy Psych, com influências que vão desde Black Sabbath e a psicodelia do anos 1970 até o pós-punk dos anos 80, de destacou pelo contraste entre um instrumental pesado, riffs e um suave vocal feminino. É aquele tipo de som que traz uma brisa intensa, na qual você fica vagando ou sendo levado para outros mundos. Neste ano, o grupo lançou o álbum Void. Se você gosta desse tipo de stoner mais viajante, irá pirar com a Spiral Guru.

Em seguida, os suecos do Asteroid subiram ao palco com a mesma simplicidade que ficaram assistindo aos shows das outras bandas. Assim que é bom, sem estrelismos. A banda é formada por Robin Hirse (vocal e guitarra) e Jimmi Kohlscheen (bateria) e Johannes Nilsson, baixista fundador da banda e também irmão de Joakim Nilsson, frontman do Graveyard.

Ao todo, o grupo possui três discos lançados. O mais recente, de 2016, é o “III”, elogiado pela crítica especializada e que vai além do próprio gênero stoner, com um estilo quebrado de prog-jazzísticas e até mesmo levadas heavy metal, com muito fuzz, groove e psicodelia. Ao mesmo tempo, é um rock setentista e pesado, chegando a ser de certa forma progressivo

Durante o show, era fácil me ver ao lado do palco, de olhos fechados e sentido a força do som. “Você estava fritando, cheguei a falar com você, mas você nem me ouvia”, disse o Flavio Cavichiolii pra mim. Mal sabe ele (ou sabe) que tinha um pouco de salinas também nesse “transe”.

Asteroid, Muladhara, Neon Desert e Pedro Salvador & o Caos Rastejante no Rio de Janeiro

Por Yasmin Silva ou, também conhecida como Paçoca Psicodélica

Rio de Janeiro, Espaço Kubrick, 7 de dezembro de 2019. Noite especial para os fãs de Rock Progressivo, Psicodélico e do Stoner e suas possibilidades criativas. Noite da sueca Asteroid depois da apresentação “chapante” em SP. Cheguei esbaforida (aí o trânsito!) e fui logo pra frente do palco. O trio Muladhara, abriu a noite mostrando seu som que mistura Grunge, Metal, Prog, Doom e Psicodélico. Embora a banda seja recente (2018) e o pessoal ainda estivesse chegando por volta de 19h, a apresentação dos caras prendeu a atenção com seu som por vezes meio sombrio e sempre viajante. A galera pediu “mais um”, mas o tempo tava contadinho com cerca de 30 minutos pra cada banda, daí não rolou. Uma moça me olhou estranho, acho que foi porque eu estava com camisa de banda Punk. Boba ela.

Em seguida subiu ao palco a Neon Desert e de cara uma surpresa: Felipe Ramos, da Pedras Pilotáveis, era o guitarrista da banda. Ótimo presságio que se confirmou com a apresentação! Apesar dos problemas técnicos com o microfone (sabotando a voz potente de Lucas Pereira), tava muito bom e me perdi em pensamentos tipo caraca maluco o Stoner é um camaleão muito louco…. Grunge com Hard Rock 70…. Mas eu não era a única sendo levada pelo som. O baixista tocava boa parte do tempo de olhos fechados enquanto tinha sua palheta grudada na testa; uma garota perto de mim fazia fotos, dançava, cantava e bebia felizona, uma garrafinha de pinga. Ela pisou no meu pé, então fizemos amizade. “Quer Paraty? Paraty é a sua cara! Conhece lá?” Eu tinha sido tomada como Punk, agora por Hippie e ainda nem era 9h da noite. Adoro.

Fui para o mezanino ver a terceira banda, Pedro Salvador & o Caos Rastejante. Pedro é da Necro e da Messias Elétrico e com ele no palco, além de outros músicos fodas, tinha o Paulo Emmery, baixo da Beach Combers. Eu gosto de um monte de coisa, mas meu coração é tropicalista então não teve como não me identificar imediatamente com o som dos caras: Viva nosso sangue latino! Viva a Psicodelia Brasileira e a Antropofagia Cultural! Pensei. Vi uma amiga dançando imersa no som e outra lá de baixo me gritou “PAÇOCAAAA” (percebi por leitura labial e sorri). Essa última usava sapato boneca branco que brilhava com as luzes e tinha na mão, um drink que também brilhava. Eu falei baixinho pra mim mesma “mano, eu tô viajando de cara”.

Por volta de 22h, a Asteroid surgiu e meu primeiro pensamento foi “Acredito num músico que toca de pés descalços” (me referindo ao Jimmi Kohlscheen, baterista e ao Johannes Nilsson, o baixista, que também estava com aquele cardigã liiiindo das fotos). Em alguns instantes a expressão POWER trio se ressignificou pra mim e entendi o porquê da euforia dos fãs presentes: o som da banda não deixou sequer um maldito espaço vazio no ambiente! Muito Fuzz, Groove, Psicodelia, Prog-Jazz… Arrisco dizer que se eu fechasse os olhos poderia me convencer facilmente de que não estava num show contemporâneo de quem bebeu da fonte setentista , mas molhando meus próprios pés na fonte!

Asteroid – Tour

Perto de mim, pulavam 3 amigos (dois caras e uma garota)que logo descobri que viajaram de Itaperuna (quase Minas Gerais) só para o show. Cantaram todas as músicas: Disappear, Edge… em Speaking to the Sea a garota Itaperunense pirou (se você ouvir a música vai compreender) e acho que foi nessa hora também que pude ver uma certa fascinação nos olhos de músicos presentes. Lindo demais! Até que… Infelizmente deu tilti geral no microfone, apesar do empenho da técnica em solucionar. Meio sem graça, mas muito simpático Robin Hirse (voz e guitarra) anunciou que na próxima música, Garden, a gente teria que cantar junto pra “ajudar”. Nessa e na seguinte (e última), ele e o Johannes se alternaram num único mic, sem estrelismo. O show terminou e a garota de Itaperuna, ainda com os olhos molhados sorria como se tivesse valido cada centavo e cada minuto no busão para estar ali. A Suécia é um “pouquinho” mais distante, mas acho que para a Asteroid estava valendo a pena também!

Em tempo: Os caras da Asteroid curtiram tanto que fizeram um show gratuito no centro do Rio, no dia 10, com o Pedro Salvador. Eu num disse? Viva a Psicodelia Brasileira, carai!

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Redação Nada Pop

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