quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
Nada Pop

Foi realmente uma festa! – tudo que rolou no Festa Festival, parte da SIM SP

Meninas sobem ao palco durante show da Chuva Negra - Foto: Mara Alonso

Festival Festa – Noite SIM SP 2019

Resenha por Letícia Pataquine e fotos por Mara Alonso

No último sábado, dia 7, rolou na Fabrique, ali na Barra Funda, o Festa Festival, parte da programação da SIM SP (Semana Internacional de Música de São Paulo) e se você perdeu, continue lendo pra saber tudo que rolou nesse festival.

A casa abria às 15h e os shows estavam marcados para começar às 16h15, com a banda Putz. Rolou um pequeno atraso de uns 10 minutos, mas foi bom porque deu tempo de chegar mais gente pra assistir a estreia dessa nova banda que promete muito, formada por músicos conhecidos da cena, como Cyro Sampaio, do Menores Atos, e Antonio Fermentão, do Corona Kings, junto das minas Giovanna Zambianchi, no vocal e guitarra, e Sarah Caseiro, no baixo.

PUTZ

Incluindo no repertório as duas músicas que estão disponíveis nas plataformas digitais – “Eu sei” e “Vou cair” –, a banda fez um show curto, terminando antes das 17h, mas que valeu como apresentação não só do Festa, mas também da Putz.

Durante um momento imprevisto, enquanto os roadies arrumavam às pressas um problema no bumbo da bateria, Giovanna e Cyro aproveitaram para agradecer os presentes que chegaram mais cedo e também pra avisar que no primeiro semestre do ano que vem a banda lança seu primeiro álbum e que nos próximos dias rola o lançamento de um videoclipe.

Violet Soda

O atraso antes da primeira banda não impactou o restante dos shows, pois, pontualmente, às 17h10, as cortinas do palco se abriram para uma das bandas mais relevantes do cenário atual. Tocando “Charlie”, música do recém-lançado álbum, a Violet Soda, comandada por Karen Dió, começava o segundo show da noite. E quando eu digo que a banda é comandada pela Karen, isso se deve ao fato de que ela dominou o show inteiro, mostrou toda sua potência vocal e aproveitou os momentos finais do show pra mandar um girls to the front, chamando as minas pra um bate cabeça, descendo do palco e terminando a música ali na plateia mesmo. Uma verdadeira frontwoman.

O fim do show ainda contou com a presença de Caique Fermentão, baterista do Zander, que foi, segundo, Murilo Benites, guitarrista da Violet Soda, uma das pessoas que mais ajudou a banda no início (e foi a pessoa que mais tocou no festival, vocês vão ver ao longo desse post). Caique tocou guitarra nas músicas “Self esteem” e “Do it”, deixando Karen, que normalmente toca, livre pra mostrar o quanto ela estava se divertindo ali e porque a Violet Soda tem feito tanto sucesso em tão pouco tempo de existência.

Molho Negro

Com a plateia já empolgadíssima pelo show da Violet, Molho Negro entrou no palco pouco depois e foi um dos melhores shows da noite (e da vida dessa pessoa que escreve pra vocês). Com letras criativas, ácidas, divertidas e sarcásticas, as músicas “Concurso”, “O jeito de errar”, “Souza Cruz” e “Gente chata” foram cantadas por toda a plateia, que participou ativamente do show coordenada por João Lemos, vocalista da banda. João pedia pra galera cantar, abaixar e pular todos juntos, segura-lo enquanto ele dava um mosh tocando guitarra e se separar pra um bate cabeça insano. Em um momento do show, João abriu um espaço entre a plateia e terminou a música ali no meio, deitado no chão.

Quando a música “Rui Barbosa” começou, a plateia parecia tão hipnotizada pela presença da banda no palco que até se esqueceu do momento certo de começar a porradaria. Então, João pediu para a banda parar e brincou que a plateia já tinha que saber que depois do trecho “ele é o fodão da internet”, o bate cabeça começava e que, assim, parecia que o público tinha ido ver outras bandas, não o Molho Negro, sendo essa a primeira piada do grupo no palco. A segunda, na minha opinião, foi dizer que ninguém da plateia estava se divertindo mais do que eles ali no palco. João disse que se alguém provasse o contrário, ganhava uma camiseta da banda. Bom, eu e mais uma galera estamos esperando nossas camisetas, João.

Chuva Negra

Minutos depois do catártico show da Molho Negro, a Chuva Negra anunciou os primeiros acordes e a casa de repente ficou mais cheia.

Chuva Negra é uma banda clássica de hardcore, com refrões que empolgam qualquer um e músicos muito carismáticos. O público da banda marcou forte presença e cantou todas as músicas do início ao fim. Foi quando começou o “sobe e desce” de fãs no palco, sempre gritando os refrões, interagindo com os caras da banda e mostrando todo o fanatismo do público do Chuva Negra.

A banda que já mostra seu posicionamento político pelas letras, incluindo uma música chamada “Essa casa mata fascistas”, também se posicionou a favor das minas. Rodrigo Chinho, vocalista da banda, sempre questionava se elas estavam se divertindo e, no fim do show, as minas subiram ao palco e dominaram os microfones pedindo respeito enquanto cantavam a música “Faça você mesma”. Tinha tanta mina lá em cima do palco que Rodrigo sumiu. Atitude foda e um encerramento mais do que lindo, tanto pro festival quanto pro ano de 2019, um ano difícil demais para as mulheres.

Zander

Enfim, chegou o momento de um dos maiores nomes do line-up, ou melhor, de qualquer line-up, pois é inegável a importância que o Zander tem no cenário independente e a comoção que é um show deles. Eu sou fã, cantei junto todas as músicas e percebi naquele momento que a casa estava mais cheia ainda e que a quantidade de ar-condicionado já não era suficiente pra conter o calor do público, que vibrava a cada acorde e refrão cantado pelo Gabriel, sempre chamado de Deus pelos fãs. Ele inclusive falou sobre isso em entrevista recente aqui no site.

O show contou com duas participações muito especiais repetindo a forma do álbum Vivo, último lançamento do Zander. Cyro Sampaio subiu ao palco pra dividir os vocais na música “Dezesseis” e João Lemos puxou o refrão incansável de “Depois da Enchente”, música que sempre serve pra nos lembrar como Zander é bom e que faz a gente querer gritar “O emo tá vivo! Tá vivo!”.

Gabriel aproveitou o momento de discurso para agradecer, fazer um balanço de 2019 para a banda e avisar que ano que vem o Zander lança álbum novo – o último disco de inéditas saiu em 2016 –; “A gente só tem umas 20 músicas só”, brincou Gabriel, afirmando que falta a banda escolher quais vão entrar nesse novo trabalho. Enquanto isso não acontece, a gente aguarda ansiosamente por isso.

Sugar Kane

E falando em ansiedade, apesar do cansaço, era assim que o público, que aguentou das 16h às 21h ali na Fabrique, aguardava pelo Sugar Kane, banda clássica que levou a galera ali presente de volta ao passado. Um passado que é diferente se formos falar do que estava em alta nas mídias de entretenimento quando o Sugar Kane estourou, mas bem semelhante politicamente. Na verdade, pior politicamente. E a política foi o que pautou todos os discursos de Alexandre Capilé, que comentou como as letras do último álbum, Ignorância Pluralística, de 2014, se encaixam perfeitamente no momento atual do Brasil, ressaltando que hoje é mais difícil ainda ter, como o nome de uma das músicas do álbum, “Paciência pra burrice”.

Ainda sobre política, Capilé afirmou que a mais nova música do Sugar, lançada este ano, é sobre o que estão fazendo com a Amazônia e que é extremamente necessário que nós, chamados pelos europeus e norte-americanos de Sudacas, de forma pejorativa, resgatemos nossa autoestima de sul-americanos e não deixemos que nos tirem o que temos de melhor. A revolta com a política, pelo menos, serviu para deixar os fãs felizes em saber que ano que vem tem álbum novo do Sugar Kane, pois, segundo Capilé, ele precisa falar muita coisa sobre o que está acontecendo.

A banda subiu ao palco sem André Dea, que também desfalcou a Violet Soda, mas contou com a ilustre participação de Daniel Perim, baterista do Machete Bomb. “O Daniel tocou em uma passagem de som do Sugar há anos em Curitiba e arrasou”, disse Capilé, que afirmou que Daniel topou participar do show sem ensaio.

O último show também contou com participações especiais de Giovani Baggio, Caique Fermentão (provando que foi a pessoa que mais tocou nesse festival) e Ric Mastria, ex-guitarrista do Sugar, que hoje toca com o Dead Fish. E nos minutos finais, a banda levou todo mundo pro palco: fãs e integrantes de outras bandas curtiram ali em cima as últimas músicas do Sugar Kane e provaram que o nome do festival tinha razão de ser. A festa foi linda e quem estava lá, com certeza, vai lembrar desses shows pra sempre.

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Sobre o autor

Letícia Pataquine

Formada em Letras, fala sobre livros no Instagram, reclama no Twitter e faz listas e resenhas como editora do Nada Pop.