terça-feira, 29 de setembro de 2020
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Deus

20 de novembro de 2019 Crônicas Nenhum comentário em Deus

Deus, cansado, velho e já sem inspiração resolve numa cartada contra si próprio, enviar seu filho pela segunda vez à terra. Chama Jesus e diz:
Deus – Volta lá.

Jéza – Mas o que é pra fazer?

– JÁ FALEI QUE É PRA VOLTAR CARALHO…

Jéza, de cabeça baixa, sai da sala e arruma seus panos de bunda pra voltar a terra, the earth, die Erde, la terre, la tierra, 地球. (usei o google tradutor para essa parte)

Jéza não sabe o que fazer. Jéza sabe que os tempos são outros. Jéza tem medo de morrer de novo. Jéza não é mais cabeludo, nem usa sandálias (chinelas, se preferir). Jéza gosta de andar com vários homens ao seu lado. Jéza pensa em si, mas não como salvador… …pensa apenas nele mesmo!

Três são os cenários possíveis:

1 – Jesus volta e é reacionário: afinal os pastores, a bancada evangélica, a Opus Dei e os conservadores de plantão muito fizeram para manter a palavra de seu pai. De forma equivocada, é verdade, mas chegou a hora de cobrar pelo trabalho feito. Jéza olha tudo e diz que sim, vamos catequizar o mundo todo e que se foda quem pensa diferente.

2 – Jesus volta e é ele mesmo, puro amor: Jéza vê as igrejas juntando dinheiro, a ganância, a intolerância, o ódio e percebe que ninguém entendeu nada do projeto original de seu papi (deusão). Resultado disso é que ele reúne uma galera gente fina e sai andando a pé pelo mundo. Meio Forrest Gump, mas é o que ele faz melhor. Uns entendem, outros não aceitam e ele acaba atropelado propositalmente enquanto caminhava na beira da estrada por uma cristã fanática. Fugiu sem prestar socorro.

3 – Jesus volta como contemporâneo: ele olha bem e decide ir morar na periferia, lá conhece Mano Fô, o diálogo segue abaixo:

Jéza – Numa época da minha vida fui levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo. Passei por poucas e boas naquele desertão todo… …xapralá!

Mano Fô – Jéza, o deserto é uma criação onírica, uma representação daquilo que é o vazio da alma e do ser, enquanto ente, enquanto essência.

Jéza – Não fode mano… …mó calor naquela porra lá e o capeta o tempo inteiro na minha orelha, mó carniça, um puta cheiro de enxofre… …que papo é esse de “criação onírica”?

Mano Fô – Aí vamo atrás desse pipoca aí e já era…

Jéza – É o capeta, ele num pipoca não mano… …deixa eu fala, tem três mano atrás de mim querendo o que eu tenho, umas jóia escondida e uma três oito zero.

Mano Fô – Tem que parar com o ratatá, que cê tá na nóia… …tá ligado os alemão… …do comando “Pai, filho e espírito santo”… …tão dizendo que você tá colado na ideia dele.

Jéza – Fecho com esses aí não, os pastor é tudo firmeza.

Mano Fô – Aí… …bora fazer uma petição online pra deus firmá com nóis…

Jéza – Partiu petição… …abre meu facebook aí que vô te mostrá o vídeo que te falei ontem…

E assim a humanidade caminha para uma grande petição online, com mais de 3 bilhões de assinaturas. Porém um funcionário de deus, aliado do Eduardo Biroliro, não protocola o recebimento por entender que a petição tem mais de uma religião envolvida. Alega que deveria ser apenas de evangélicos e não com assinaturas de budistas, cristãos, espíritas, adeptos do candomblé e de religiões outras. Ele não sabe o que é amor. Deus se cala. Moro lê a notícia no celular enquanto caga e ri baixinho disso!

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Sobre o autor

Rafael Moralez

Rafael Moralez é músico, ilustrador e autor da série Peixe Peludo. Conheça seu blog de ilustrações: https://moralezrafa.wordpress.com/