quarta-feira, 16 de setembro de 2020
Nada Pop

Confuso, inquietante e metafórico; Alarde lança clipe de “As Crianças Dançam”

Certa noite, quando caminhava de volta para casa depois de um dia inteiro de trabalho, entrei em uma determinada rua pela qual nunca havia entrado antes. Estava sozinho e com a sensação de que alguém me olhava de forma escondida, esperando o melhor momento para me dar o bote. Apertei o passo, mas parecia que não saia do lugar. Já no escuro, perdido e com medo, achava que seria morto a qualquer momento. Encontrei um portão entreaberto, resolvi entrar e tentar a minha sorte, era viver ou morrer. Um corredor apertado dava para um porta, onde se lia o número 22. Apertei a campainha, bati palma e na porta, ninguém atendia. Resolvi girar a maçaneta e percebi que a porta estava destrancada. De forma imediata, entrei na casa. Me deparei com um relógio gigante no meio de uma sala iluminada. Naquele instante, poucos segundos depois, o despertador toca e faz uma barulho ensurdecedor. Me agachei e com as mãos tentei tampar os ouvidos. Fechei os olhos e quando abri novamente, estava deitado na minha cama com o despertador ao lado da cabeceira, berrando na minha orelha, e eu atrasado para o trabalho.

Sonhos são assim, estranhos e confusos. Nem sempre os guardamos ou falamos sobre esses sonhos. O que eles podem significar? Há muita pesquisa sobre o tema, mas ainda há certas combinações realizadas pelos sonhos que são difíceis de entender. Assim é o novo clipe da banda Alarde, “As Crianças Dançam”, que integra o álbum “Destruir o Ego”, lançado neste ano. A faixa é o primeiro single do álbum, uma parceria de autoria da banda com o produtor Guilherme Held e participação especial do Danilo Sevali nos vocais. Ele é o diretor do videoclipe e assina o argumento junto com o Luiz Silva (guitarra e vocal da Alarde). Resumindo, de acordo com o Luiz Silva, o roteiro se baseia numa viagem espiritual guiada por crianças entre demônios e anjos.

A minha sensação com o clipe foi incômoda, a melodia ao fundo e a sensação de estar novamente naquele corredor escuro, perdido e com a sensação de que me observavam, trouxe à tona as lembranças de um sonho perdido. A fotografia é outro ponto que nos chama a atenção, com as cores escuras, com momentos mais claros, a angústia do personagem fica ainda mais evidente. Mas voltando ao disco…

Sim, esse é o terceiro álbum da banda que traz oito faixas: “Banquete”, “Gatilho”, “Por um Triz”, “As Crianças Dançam”, “Caiu”, “Destruir o Ego”, “Labaredas de um Incêndio Profundo” e “Único Remédio”. É, provavelmente, o mais experimental dos trabalhos do grupo.

Luiz, guitarra e vocal da Alarde, explicou um pouco sobre esse novo álbum. “O conceito paro disco novo foi de fazer um álbum conciso, direto, objetivo com músicas de estrutura simples, sem muito refrão e solos longos e que as letras contassem uma história, uma narrativa amarrada pelo conceito de destruição do ego. Destruir o Ego é um processo constante. Despertar da consciência. Desconstrução da ilusão. Auto observação. E que o egoísmo é um veneno”, explica.

Ainda de acordo com o Luiz, esse terceiro disco da Alarde é mais curto que os outros, de trinta minutos intensos. Esse trabalho foi gravado ao vivo no estúdio Held, em São Paulo, produzido e mixado pelo Guilherme Held e masterizado pelo Brendan Duffey, na Califórnia.

Assista o clipe acima e ouça o disco clicando AQUI. Ah, e sobre o número 22 na porta que sonhei, pode ser porque é o dia do meu aniversário. Mas não sei se era essa, de verdade, a razão.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop