quarta-feira, 25 de novembro de 2020
Nada Pop

Os shows que podem mudar a sua vida acontecem em São Paulo a partir desta sexta-feira (04/10)

A partir da próxima sexta-feira, entre os dia 4 e 5 de outubro, três shows podem mudar a sua vida, mesmo que você não conheça algumas dessas bandas. Os grupos Questions, Statues on Fire, La.Marca, Versus Mare, Superbrava, Garotos Podres, Flicts e Faca Preta estão entre os principais grupos de hardcore e punk no país. Claro, algumas delas possuem mais experiência do que outras, uma história já consolidada na música. Outro grupo reúne integrantes de bandas nacionais também importantes e, não menos relevante, duas ou mais delas podem não ter todo o reconhecimento necessário, mas todas, sem exceção, possuem shows que podem mudar a vida de qualquer pessoa apaixonada por música.

Para contar um pouco mais sobre esses shows, vamos trazer individualmente e abaixo um pouco da história de cada apresentação e o motivo delas serem únicas, especiais e inesquecíveis. Se você não concordar, tire a prova indo ao show e depois deixe seu comentário. O mesmo pode ser feito depois, se você concordar com essa matéria.

Sexta-feira, 4 de outubro | Questions e Statues on Fire no Sesc Pompeia

Statues on Fire é formado por (da esquerda para a direita) Alex, Regis, Lalo e André. Foto em Berlim por Sebb.

O peso dos instrumentos e a energia nos álbuns e no palco já seriam o suficientes para transformar todos os shows do Questions históricos. São quase 20 anos de estrada do grupo formado em São Paulo por Pablo Menna (guitarra/vocal), Eduardo Sasaki (bateria), Eduardo Andrade (vocal) e Helio Suzuki (baixo). No entanto, um diferencial pode marcar o show da banda no Sesc Pompeia: pela primeira vez em sua história a banda está cantando em português. Se você já ouviu o álbum “Libertatem”, sexto disco do grupo, sabe do que se trata. Paixão, raiva, integridade e os punhos em riste. “Questionamento e persistência (…) Vitórias nascem do querer em confrontar (…) Encontram-me sempre destemido”, cantam na faixa “Questionamentos”.

Mais do que um disco obrigatório para pessoas de pensamento crítico, é um disco vital e imprescindível na carreira da banda. Nesse dia, os caras se apresenta ao lado da Statues on Fire, que merece também destaque.

Flyer do show do Questions e Statues on Fire, que acontece nesta sexta-feira (04), às 21h.

Quando morava em Santo André, no ABC Paulista, e precisava atravessar a cidade para chegar ao centro de São Paulo, um dos discos que me ajudava a enfrentar o sono, a solidão e a tristeza de um transporte público de péssima qualidade era o “No Tomorrow”, segundo disco da Statues on Fire. A faixa “Nothing Is Really True” está entre as minhas músicas do coração e tenho pelo Alex (bateria) e André (guitarra e vocal) uma das maiores admirações nesse meio que muitas vezes é tóxico, machista e egocentrista. Ter gente assim no hardcore é mais do que um orgulho, mostra que, de verdade, poderíamos ter uma “cena” muito melhor do que ela é hoje. Posso citar o Lalo (baixista) e o Régis (guitarra) também, mas com eles tenho pouco contato, mas não há como negar que são excelentes músicos. O Lalo, inclusive, com o seu Fender vermelho, é quase que um símbolo de todo o garoto que sonhava ser baixista de uma banda foda (tipo eu).

Mas foi com o álbum “Living in Darkness” que a perfeição de um disco surgiu na Terra. Músicas ainda mais pesadas, um instrumental técnico, mas sem ser exibicionistas e letras ácidas e contundentes. TODAS AS MÚSICAS desse disco são de um nível que os coloca entre as principais bandas do mundo. Questions e Statues on Fire é um dos shows que você simplesmente não pode perder.

Esse show acontece no Sesc Pompeia, que fica na Rua Clélia, número 93, no bairro da Água Branca. A previsão de início dos shows é a partir das 21h. Para mais informações e compra de ingressos acesse o endereço: http://bit.ly/2o6KUON

Sábado, 5 de outubro | La.Marca, Versus Mare e Superbrava

Banda La.Marca – Foto: divulgação

Já falei sobre isso em outra matéria, vou me repetir, mas tudo bem. Dentro do hardcore ou até mesmo do punk rock, não existe uma fórmula ou obrigações que determinem que uma banda que escolha esse estilo precise falar apenas de política, contestação social. Existem bandas que acabam obtendo reconhecimento pelas mensagens positivas, de autoconhecimento, amores (vide o emo), família, amizade ou histórias (engraçadas ou não) que de algum modo nos conecte com a música e letra. Poderia citar várias bandas assim, entre Ramones a CPM 22.

Show de aniversário de dez anos da banda La.Marca com a participação de Versus Mare e Superbrava. Será na Rua Augusta, 339.

La.Marca é exatamente essa banda que se preocupa em passar uma mensagem de otimismo e autoconhecimento. Formada em 2009, vinda do extremo Sul de São Paulo, lançaram em 2009 o EP intitulado “Subliminar”. Seu primeiro álbum surgiu em 2012, o “Válvula de Escape”, e chegou a contar com o próprio Badauí (CPM 22), na faixa “Uma Saída”, assumindo de vez a proposta de banda com mensagem positiva.

Mudanças de formação surgiram ao longo da existência de 10 anos de história, mas atualmente o La.Marca é o Danilo (voz), Ronaldo (baixo), Eduardo (guitarra) e Funga (batera). O mais novo álbum da banda se chama “A nova versão de uma velha estória”, é um disco pegado, com várias mensagens interessantes e que retratam a vida dos próprios integrantes. Acredito que, quando uma música busca ser otimista, o autor também quer que aquela música seja uma ferramenta de otimismo também para si. A voz do Danilo alinhada ao som que esses caras fazem os colocam de igual para igual com qualquer outra banda mais conhecida desse gênero, como CPM 22 e Hateen. Estou exagerando? Não, acredite. Esse show marca o início das comemorações dos dez anos do grupo. Essa banda canta sobre a vida, a sua e a minha.

Para esse show de celebração, as bandas Versus Mare e Superbrava foram as convidadas de honra. No caso da Vesus Mare, guitarras, poesia e literatura diferenciam a banda de outras do ABC Paulista. O álbum “Cordilheira” é o terceiro álbum do grupo formado por Agnaldo (Gui) Nascimento, Romulo Oliveira, Thiago Ramos e Adonis Guerra. Uma coisa interessante sobre a Versus Mare é que o Adonis e o Gui eram integrantes da Jack’s Revenge, uma das bandas mais promissoras dessa década que por uma grande tristeza do destino acabaram encerrando as suas atividades – se não me engano – após dois ou três álbuns/EPs. Porém das cinzas desse grupo, surgiu a Versus Mare com tudo o que há de melhor, ainda mais intenso, ainda mais artístico, ainda mais bonito e com a qualidade que os caras sempre tiveram. Ouça a faixa “Equatorial”, do álbum Cordilheira. Sinta essa brisa e a viagem pelas raízes sul-americanas.

Versus Mare – Foto: Thiago Ramos

Já a Superbrava vem diretamente do litoral paulista, com melodias que lembram o emo, mas sem aquela lance pejorativo que permeia o estilo no hardcore. O single “Todas as Cores” é uma das pérolas sonoras que se ouvem no repeat por horas, talvez dias… Em entrevista para o site Blog n’Roll a banda conta o seguinte: “A proposta é se divertir. A gente já está ficando mais velho, então a finalidade tem que ser sempre essa. Claro que a gente também se posiciona perante o que acha que é certo, né? A veia punk sempre tem que estar presente”, comenta o guitarrista, Rodrigo Dido.

O Zona Punk acertou em cheio ao dizer que a Superbrava “trabalha com uma postura inclusiva e que vem a somar nos bons discursos do hardcore punk”. O nome do grupo foi retirado de música do Samiam e a banda conta com referências de Garage Fuzz, Fugazi, Hot Water Music e Descendents. É um dos grupos do litoral de São Paulo mais promissores atualmente. Não sei se a brisa do mar, a areia ou o calor, mas nós sabemos que o litoral sempre traz bandas boas.

Esse show será no bar Augusta 339, que fica na Rua Augusta, número 339. Os shows terão início a partir das 18h e o ingressos podem ser comprados no dia do evento: R$ 20 dinheiro ou 22 cartão. Para mais informações acesse: http://bit.ly/2mxnPoi

Domingo, 6 de outubro | Garotos Podres, Flicts e Faca Preta

Garotos Podres – Foto: Raquel Camargo

Neste dia, três gerações do punk nacional se reúnem no Fabrique Club para um show que será histórico. Garotos Podres, Flicts e Faca Preta formam uma trinca punk de mensagens, sugerindo uma continuação da cena punk paulista. Estamos falando de um encontro mais do que especial, uma reunião que faria qualquer “direitista” tremer em suas bases.

Formada em 1982 no ABC Paulista, o Garotos Podres foi diretamente influenciado pelas bandas punks do final dos anos 70 e começo dos anos 80. O sucesso do primeiro disco, “Mais Podres do que Nunca”, lançado em plena ditadura militar, popularizou a banda e a cena punk no Brasil e, mesmo com letras modificadas e censuradas, resultou em shows por todo o país e abriu as portas do mainstream para outras bandas. Em 1993, o quarto trabalho dos Garotos, “Canções para Ninar”, consolidou a banda internacionalmente, com shows na Europa e nos Estados Unidos.

Show dos Garotos Podres, Flicts e Faca Preta no Fabrique, localizado na Barra Funda.

Na linha de frente do grupo, que já foi alvo de brigas na Justiça por ex-integrantes, está o Mao. Uma persona totalmente politizada e que nessa batalha judicial venceu o direito de ser um garoto podre. O Combate Rock pode dar mais detalhes dessa história, clique AQUI. Mao voltou mais podre do que nunca e junto com os outros integrantes da atual formação da banda vem mostrando porque os Garotos Podres ainda continua tão necessário quanto na época da ditadura. Será que aqueles tempos estão voltando?

Para o Kid Vini, sobre o disco “Garotozil de Podrezempam – 100mg”, ele disse o seguinte: “Além do humor e do sarcasmo já peculiar dos Garotos Podres, os caras também levam um pouco de cultura pros ouvintes, como no caso do resgate do hino dos trabalhadores “A Internacional”.

Já o Flicts, formado em 1996, ou seja, 14 anos depois da fundação do Garotos Podres, levanta as mesmas bandeiras e com uma sonoridade quase parecida, percorrendo o streetpunk, oi! e punk. Neste ano, a banda completa 23 anos com alguns álbuns emblemáticos na bagagem e músicas que já se tornaram hinos na cena punk nacional, como “Desmascarar Sua Bandeira”, “Latino America” e “Pauliceia”. Particularmente, “A Todo Anarquista” é mais do quem um hino, é um canto de guerra para aqueles que sonham com dias melhores para o mundo. Flicts foi (e ainda é) uma das minhas bandas preferidas. Em 2014, meio que tremendo de nervosismo (e gaguejando também), conversei com o Arthur (vocal e guitarra) durante os intervalos do Punktoberfest. Assista aqui: http://bit.ly/2nhf9mf

Flicts – Foto divulgação

Levando em consideração a mesma linha de tempo, o Faca Preta, por sua vez, foi formado 17 anos depois do Flicts, em 2013. Trazendo um fôlego ao streetpunk, o quinteto lançou um EP 7’ pela HBB, que tem a já clássica “Lutando de Braços Cruzados”, e prepara seu primeiro disco completo para ser lançado ainda em 2019. Ela é formada por músicos experientes do circuito underground: Anderson Boscari (guitarra), Dudu Elado (guitarra), Fabiano Santos (vocal), Marcelo Sabino (bateria) e Shamil Carlos (baixo).

Mais uma vez, a Powerline é a produtora de um evento que acontece na Fabrique Club, que fica na rua Barra Funda, número 1.071, na Barra Funda. Os ingressos custam R$ 40 online e é possível comprar online neste endereço: http://bit.ly/2mNZ5bc

ATUALIZAÇÃO (às 10h desta terça-feira, 1° de outubro):

Cólera e convidados especial celebram os 40 anos da banda em um show especial no Sesc Pompeia. 

Como bem fomos avisados, no dia 3 de outubro, no Sesc Pompeia, uma das bandas mais importantes do MUNDO irá celebrar 40 anos de trajetória no punk rock. Estamos falando do Cólera!!

Nesse show a banda irá percorrer seus principais hinos até chegar ao seu novo trabalho, o “Acorde! Acorde! Acorde!”, álbum que consolida a nova formação – agora com Val, Pierre, Wendel e Fábio.

Cólera é uma das primeiras e principais expressões do punk rock nacional, sendo, ao lado de grupos como o Olho Seco e Ratos de Porão, integrante de uma geração que revolucionou a estética e o discurso no cenário musical, não só do país, mas da América Latina.

O show contará com a participação do Ariel, da banda Invasores de Cérebro, Mao, do Garotos Podres, e até do Edgard Scandurra (Ira!).

Compre o ingresso na plataforma do Sesc, no endereço: https://bit.ly/2mHHgLe

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop