segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Nada Pop

Grindhouse Hotel comenta sobre os shows com o Mondo Generator e lança seu primeiro clipe

Grindhouse Houtel – Foto: divulgação

“Centaurus” é o single do álbum “Built in Obsolescence”, primeiro disco de estúdio da banda paulista Grindhouse Hotel, que foi lançado pelo selo Abraxas em março deste ano. Nesta quinta-feira, 31/10, o lançamento do um clipe vem em conjunto com uma tour do grupo com o Mondo Generator, banda de Nick Olivieri (Queens of the Stone Age, Kyuss), que começa no dia 14/11, em Campinas, e finaliza no dia 24/11, no Festival Do Sol, em Natal/RN, passando por São Paulo e Recife.

Inspirado nos livros do escritor Isaac Asimov, “Centaurus” trata de um futuro obscuro e incerto onde robôs escravizam a raça humana em um planeta distante. No clipe duas crianças se escondem em seu laboratório secreto para tentar contato com seres de outros planetas.

Em contraste ao nome do disco, o som do Grindhouse Hotel é calcado em riffs e atmosferas atemporais, com MUITO peso. A banda formada por Leandro Carbonato (voz e guitarra), Roger Marx (baixo), Luiz Natel (voz e guitarra) e Bart Silva (bateria).

A entrevista abaixo foi concedida pelo Leandro Carbonato, que também é proprietário da agência Powerline (fizemos uma entrevista com ele para o nosso podcast, o ARTE INFLAMA – Clique AQUI para ouvir).

Links da banda: Facebook | Spotify | YouTube

A sonoridade do single “Centaurus” remete a um clima de total decadência, o mesmo clima utilizado no clipe dessa faixa. Acredito que a escolha da música para o videoclipe seja autoexplicativa diante do atual momento político do país. Mas qual o paralelo que vocês podem fazer sobre o álbum “Built in Obsolescence” com a sociedade?

GRINDHOUSE – Começamos já com uma pedrada, né? Rs…

O conceito de obsolescência programada nos fascina. Este um “artifício” (se é que pode ser chamado assim) usado por grandes corporações para venderem mais celulares, máquinas de lavar ou carros, por exemplo, já que tudo tem um prazo de validade pré-determinado pelo fabricante. Este conceito pode ser expandido para outros aspectos da vida, relacionamentos, sentimentos, e até a política. A diferença neste último caso tendo o momento atual do nosso país é que não existe um fabricante que pré-determinou esta data de validade. Da maneira que estamos hoje o país vai se tornar obsoleto em um tempo bem menor do que o programado!

Os integrantes da Grindhouse não são novatos no mundo da música, mas qual a expectativa dos shows com o Mondo Generator? Planejam ficar pelados em cima do palco assim como Nick Oliveri? Não que eu queira ver isso!

GRINDHOUSE – Hahahahh. Eu estava neste show do Queens of The Stone Age no Rock’in’Rio 2001. Foi a maior loucura o que esse cara fez. Vai ser uma honra compartilhar o palco com ele em tantos shows. Estamos superanimados para tocar em Campinas, São Paulo, Recife e no Festival Do Sol em Natal. Somos fãs dele e de suas bandas, o Kyuss é uma grande inspiração pra gente. Mas respondendo sua pergunta NÃO, não se preocupe, você pode ir nos shows que não vai nos ver pelados não.

Voltando ao “Built in Obsolescence”, o processo de composição do disco até o lançamento demorou quanto tempo? Onde foi gravado, há participações e quais outros detalhes vocês podem falar sobre esse processo artístico?

GRINDHOUSE – De uma certa maneira podemos dizer que demorou 10 anos! A banda foi formada em 2009 e este é nosso primeiro full, antes disso lançamos dois EPs e fizemos uma penca de shows pelo Brasil, já tocamos em alguns festivais legais como no Goiânia Noise e dividimos o palco com bandas importantes do gênero como Red Fang, Kadavar e Radio Moscow.

Queria que vocês contextualizassem um pouco a arte de capa, qual a inspiração e quem foi o responsável pela obra.

GRINDHOUSE – A capa dialoga com o tema da obsolescência programada. Optamos por usar crianças vestindo fantasia feitas de sucata e objetos reciclados. Tentamos contrastar objetos obsoletos com o frescor da imaginação infantil que é inoxidável. As fotos foram feitas por Mila Feiten, grande fotógrafa e, por acaso, esposa do Roger Marx, nosso baixista. Os modelos são meus filhos. Eles também são os atores do clipe de Centaurus que estamos lançando e que também segue a mesma estética da capa.

Para vocês, tem crescido a base de fãs do gênero stoner no Brasil? Quais outras bandas brasileiras vocês indicariam para o público conhecer e, claro, se podem falar um pouco mais dos planos futuros da banda?

GRINDHOUSE – Acredito que sim, este é um gênero que teve um grande crescimento no mundo nos últimos 10 anos e acho que o que acontece aqui é um reflexo disto. Sobre indicar bandas nacionais prefiro indicar o nosso selo, Abraxas. Nas páginas deles você pode encontrar dezenas de lançamentos de bandas nacionais, a maioria realmente muito boa.

Vamos lá, o nome da banda é inspirado em um dos filmes do Tarantino?

GRINDHOUSE – Quase isso. No começo do século passado alguns cinemas passavam alguns filmes B em sessões chamadas de Grindhouse. Mais recentemente o Tarantino junto com o Robert Rodrigues lançaram dois filmes “Planeta Terror” e “Deathproof” em conjunto e homenagearam esta época e estes filmes dando o nome de Grindhouse. A nossa banda é amplamente influenciada por cultura pop: filmes de terror e livros de ficção científica basicamente. “Centaurus” é baseada em um livro de Isaac Asimov, “Red Pill” em 1984 de George Orwell, “Desert Of Affliction” em Massacre da Serra Elétrica e por aí vai. Claro que não passamos por outros temas políticos e críticas à sociedade moderna também são temas abordados durante o disco.

Obrigado pelo papo, para encerrar, peço que todos vocês indiquem o melhor lugar ou momento para se ouvir Grindhouse Hotel. Valeuu!

GRINDHOUSE – Vejam nosso clipe no Youtube e ouçam nossas músicas no Spotify e leiam sobre a gente no Nada Pop.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop