terça-feira, 29 de setembro de 2020
Nada Pop

Como o som gótico da banda Clan of Xymox conseguiu encher o ex Hangar 110

Por Ed Rock

A agenda de shows do último ano tem sido bastante generosa com os amantes da música gótica em São Paulo. Desde setembro de 2018, passaram pelos palcos da capital mais cinza do país nada menos que Killing Joke, Bauhaus, Belgrado, Jesus & Mary Chain e, no último domingo de setembro (29), os integrantes da banda holandesa Clan of Xymox.

A noite de domingo na The House (antigo Hangar 110), no bairro do Bom Retiro, começou com a abertura do Jesus Complex, banda de Amsterdã, formada por Reverend Fries. Com um som pesado, na linha do gótico industrial, o Jesus Complex já se apresentou no Brasil em outras oportunidades, sendo a última em 2017, no Halloween Underground Festival.

Apresentação do Jesus Complex, no The House – Foto: Ed Rock

Com arranjos tétricos e um visual litúrgico, o show de Fries lembra quase um culto, com sonoridade densa, profunda e por vezes até dançante, na linha industrial. Mas, o público presente esperava mesmo pelo Xymox, a joia da noite, que mais uma vez conseguiu fazer um show em alto nível.

Formado em 1983, em Nijmegen (Países Baixos), o CoX desembarcou por aqui liderado por seu fundador, Roony Moorings (vocal e guitarra), Mario Usai (baixo), Sean Goebel e Daniel Hoffmann.

Desde a sua primeira apresentação em São Paulo, em 1999, o Xymox sabe como agradar os seus fãs. Ainda que o público tenha diminuído desde a célebre apresentação no Teatro Zaccaro, os seguidores que continuam a cultuar a banda têm se mostrado fiéis.

Roony Moorings durante apresentação em São Paulo – Foto: Edy Rock

Para um público de umas 300 pessoas, Moorigns trouxe mais do mesmo, tocando praticamente quase o mesmo setlist do último show realizado pela banda em 2017, no Espaço Madame. Tem resenha desse mesmo show aqui no Nada Pop, para ler basta clicar AQUI.

Para quem é fã, isso é mais do que o necessário, afinal são 38 anos de estrada do Xymox, com momentos naturais de altos e baixos, sendo que os baixos, diga-se a verdade, estão ligados ao flerte da banda com a dance music dos anos 1990.

No show do último domingo, bastante panorâmico, abordando a longa trajetória, o CoX abriu, assim como em 2017, com Stranger, já dando uma ideia de que a noite seria recheada de clássicos. Depois, passou para Your Kiss, dos seus trabalhos mais recentes (2017).

Depois de Jasmine & Rose, veio o primeiro ápice, com Louise (1986), levantando o público.
A partir daí, uma sequência dos anos 2000, com Emily e Hail Mary, para então, mais uma vez, abordar o trabalho mais recente, Days of Black, com as faixas Leave me Be e Loneliness.

Uma nova volta aos 80, com Obsession, e em seguida, mais um momento de excitação com a clássica Muscoviete Mosquito, emplacando na sequência A Day e terminando com Going Around, dos anos 90.

No primeiro bis, mais clássicos como Cry in the Wind, This World e a esperada Back Door. O encerramento, um tanto burocrático diante de tantos sucessos, veio com In Love We Trust e Farewell.

O ponto negativo ficou com as falhas no som, que por vezes foram motivo de descontentamento dos músicos, mas nada que afetasse o astral da noite de quem esperava rever a apresentação de um ícone da gothic music dos anos 1980. Que venha o Sisters of Mercy em novembro!

Setlist:

1 – Stranger – Clan of Xymox (1985)
2 – Your Kiss – Days of Black (2017)
3 – Jasmime & Rose – Creatures (1999)
4 – Louise – Medusa (1986)
5 – Emily – In Love WeTrust (2009)
6 – Hail Mary – In Love WeTrust (2009)
7 – Leave Me Be – Days of Black (2017)
8 – Loneliness – Days of Black (2017)
9 – Obsession – Twist of Shadows (1989)
10 – Muscoviete Mosquito – Subsequent Pleasures (1984)
11 – A Day – Clan of Xymox (1985)
12 – Going Round – Hidden Faces (1997)

BIS I:

13 – Cry in the wind – Clan of Xymox (1985)
14 – This World – Hidden Faces (1997)
15 – Back Door – Medusa (1986)

BIS II:

16 – In Love We Trust – In Love WeTrust (2009)
17 – Farewell – Farewell (2003)

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Sobre o autor

Redação Nada Pop

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