segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Nada Pop

Exegese sentimental dos filmes Sexta-Feira 13 – Perca seu tempo ou cave sua própria cova!

Sexta-Feira 13, parte 1, 1980 – Quem mata é a mãe, qualquer relação com Psicose é por sua conta. O Jason aparece só no final do filme com aquele seu jeito moleque de assustar as pessoas, sai do meio da água e dá uma gravata na menina que dormiu na canoa depois de todos seus amigos morrerem assassinados, o filme acaba por aí mesmo.

Sexta-Feira 13, parte 2, 1981 – De novo um grupo de jovens numa casa no meio do mato. Jason aparece com um saco de pano na cabeça, passa o facão em todo mundo e a coisa para por aí. No fim uma garota sobrevive meio pancada da cabeça e vai para o hospital. Ninguém acredita nela, claro!

Sexta-Feira 13, parte 3, 1982 – Adivinha? Um grupo de jovens no meio do mato… roteirista meio preguiçoso esse, mas tá limpo. Nesse filme o Jason consegue a máscara de hóquei no gelo depois de dar uma facãozada num rapaz que enchia o saco de todo mundo (eu já tomei uma facãozada no pé quando criança, mas isso é uma longa história!). O filme acaba com o Jason morto com uma machadada na testa, rachou a máscara de hóquei que ele tinha acabado de conseguir… coitado dele!

De novo uma garota sobrevive e vai dormir na canoa. Estranho isso, depois de todo mundo morrer assassinado ela vai dormir na canoa, mas dessa vez é a mãe do Jason que aparece já meio apodrecendo de morta e dá uma gravata nela. Mas era tudo mentira a garota estava ruim da cabeça, vai pro hospital e ninguém acredita nela, como sempre!

Sexta-Feira 13, parte 4, 1984 – O título do filme é Friday 13th, the final chapter, mas de capítulo final não tem nada, como se sabe fizeram mais seis filmes depois desse! O Jason “morto” vai para um hospital na cidade, mas se estava morto porque não foi pro cemitério? Ele ressuscita (meio Jesus esse lance aí!) e começa a matar as pessoas no hospital mesmo, o que é uma boa coisa, se alguém tiver só um arranhão pode se tratar no próprio local do crime. Mas Jason não se satisfaz com arranhões e sua vontade é de mandar pro vinagre geral! O insistente roteirista manteve a ideia de um grupo de jovens no meio do mato e anexou uma família na casa ao lado que é pra poder matar mais gente num lugar só. Jason deixa pra matar todo mundo na parte final do filme. Depois de alguns assassinatos um moleque raspa a cabeça e fica parecendo um jasonzinho versão kids, com seu apelo infanto-juvenil convence o Jason que deve largar o facão. O pobre Jason acredita na criança, mas é traído pelo pirralho que agride o Jason com seu próprio facão… …isso não se faz! O Jason oficial morre de vez e o filme mais uma vez acaba com uma garota indo para o hospital com problemas na cabeça… …claro que ninguém acredita nela!

Sexta-Feira 13, parte 5, 1985 – Dois adolescentes desenterram o Jason… …pra quê? O cidadão tá que é só o pó, mas mesmo assim numa gana de justiça um deles crava uma barra de ferro no já judiado e putrefato corpo do Jason, que é atingido por um raio, concedendo uma nova vida ao Jason (copiaram do Frankenstein essa parte, mas de boas!) Desta vez Jason é renascido em Cristo e volta ao mundo para fazer o bem! Que nada… …é a mesma coisa. Ele passa o facão geral em um grupo de jovens numa casa no meio do mato… …novidade! O roteirista inovou no final desse episódio, no lugar de acabar com uma mulher no hospital ele colocou um homem no hospital. Mas ninguém acredita nele da mesma forma.

Parei de assistir no 5º filme, vou esperar uns meses e assistir os outros… …ou não! Se o Jason tivesse uma página pessoal no facebook eu ia curtir. Isso não é verdade, diferente das demais pessoas de bem Jason não quer likes, ele procura mesmo é por grupo de adolescentes numa casa no meio do mato, e isso tem aos montes lá nos EUA, terra do Trump, que é um Jason com o cabelo mal pintado. Perceberam que o Trump faz bronzeamento artificial, mas ao redor dos olhos fica branco, nem pra tomar sol de verdade o sujeito presta. O Dória é um Trump falsificado. Ele é um tipo de Jason com acabamento ruim. Ele é um sujeito de carrão na Vila Olímpia tomando Whey Protein.

Ele é uma socialite cristã que bebe shake de hóstia e se espelha em bandas de metal evangélicas que tocam grind-do-bem. Ele é um metaleiro de camiseta branca. Ele é tudo que sempre quis ser, mesmo sem nunca ter sido. Ele é aquele post que recebeu mais de 100 likes e que a pessoa sempre olha como se fosse uma forma de carinho ou reconhecimento. Ele é um biscoito chinês da sorte com a frase “Você não é tão bonito quanto pensa e é mais feio do que parece!”. Ele lava o carro aos sábados, não tem namorada e as mulheres com quem saiu o julgam ruim de cama, é egoísta, grita “uhúúú” nos shows que vai e sua gíria preferida é “show de bola”. Ele é classe média, mas se identifica com o estilo de vida de gente rica. Ele usa tênis da Ferrari. Ele tem um pôster da Ferrari. Ele nunca vai ter uma Ferrari. Ele é um taxista estacionado na ciclovia. Ele é um adolescente escrevendo “bolsomito” no caderno durante a aula de biologia. Ele é um vereador que bate punheta no gabinete assistindo pornografia teen. Ele é um policial de fuzil na mão!

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Sobre o autor

Rafael Moralez

Rafael Moralez é músico, ilustrador e autor da série Peixe Peludo. Conheça seu blog de ilustrações: https://moralezrafa.wordpress.com/