terça-feira, 29 de setembro de 2020
Nada Pop

Considerado uma lenda do stoner, Brant Bjork realiza show em São Paulo no mês de outubro

Brant Bjork – Foto: divulgação

“Dessa vez não perco por nada! Além do Brant Bjork vem junto com ele o Sean Wheeler, outra lenda do stoner”, assim me contou Flavio Cavichiolli, ex-Forgotten Boys e atual baterista do Pin Ups, Weedevil e responsável pelo programa A Hora do Chá direcionado ao stoner rock e doom – que vai ao ar toda as terças-feiras, às 22h, na Mutante Radio.

Mas você sabe quem é o Brant Bjork e porque seu show em São Paulo, no dia 17 de outubro, promete ser histórico?

Ele é um dos pilares do stoner rock, assim que poderíamos resumir a sua história. Brant Bjork começou como baterista e membro original do Kyuss, banda formada em 1988, em Palm Desert, na Califórnia, e que praticamente criou o gênero que até hoje influencia centenas de bandas pelo mundo.

Brant Bjork gravou os três primeiros álbuns de estúdio do Kyuss, são eles Wretch (1991), Blues for the Red Sun‎ (1992) e Welcome to Sky Valley‎ (1994). Todos aclamados pelo público. O último álbum do Kyuss, já sem o Bjork, foi o And the Circus Leaves Town (1995). Foram diversas turnês e todos os integrantes criaram outras bandas: Queens of the Stone Age, Hermano, Slo Burn, Che e Mondo Generator.

Se você parou para pensar “como assim, Queens of the Stone Age?”, sim! Josh Homme foi guitarrista e um dos membros fundadores do Kyuss.

“Conheço o trabalho do Brant Bjork desde os anos 90 com o Kyuss, quando saiu aqui a edição nacional do álbum Blues for the Red Sun. Na mesma época, final dos anos 90, conheci também o Fu Manchu, o álbum The Action is Go, que conta com Brant Bjork na bateria. Foi instantânea a paixão pelas duas bandas Kyuss e Fu Manchu”, conta Flavio.

No caso do Fu Manchu, o Brant Bjork produziu o segundo álbum da banda, o No Ones Rides for Free, que foi lançado em 1993. Mas no The Action is Go, de 1997, Bjork já era membro do grupo tocando bateria. Ele também fundou um selo chamado Duna Records e não parou mais de tocar, com diversos discos na carreira.

Flavio Cavichiolli é um grande conhecedor de stoner rock, administra até um grupo no Facebook sobre o tema (clique aqui). Durante a nossa conversa, contou um pouco mais sobre a sua experiência com o som de Brant Bjork. “Meu primeiro contato com a carreira solo do Bjork foi com o álbum Jalamanta, de 1999. Além da carreira solo, ele fez parte do Vista Chino, junto com o John Garcia vocal do Kyuss”, explica.

Mas não foi só isso, nesse meio tempo, em 2000, cantando e tocando guitarra o Brant Bjork lançou o Sounds of Liberation, com a banda Ché. Em 2009, ele também esteve no Brasil, tocando bateria, em um show especial do CJ Ramone, onde se apresentaram no Club Outs.

Por dez anos Cavichiolli tocou bateria no Forgotten Boys e, no split lançado em 2004, junto com o Motosierra, a música Stone pode ser considerada uma homenagem ao gênero. Entre um papo e outro, perguntei ao Flavio sobre o seu trabalho no Forgotten e se a banda poderia ter alcançado ainda mais público na época. Flavio não poupou palavras e fez questão de que isso fosse incluído nessa matéria.

“Cara, eu sempre tive noção do potencial do Forgotten Boys, a banda só não deslanchou mesmo pela prioridade de outro integrante, tipo atrizes globais e canções pop, interesses diferentes. O Arthur Franquini deve estar se revirando no caixão até hoje pelo rumo que o Forgotten tomou”, ressalta.

O show do Brant Bjork no Brasil é uma realização das produtoras Abraxas, Obscur. e Powerline. Outras apresentações acontecem na Argentina e Chile em sua turnê pela América Latina. Por aqui, uma seletiva foi realizada para escolher a banda de abertura do show no dia 17 de outubro na Fabrique Club, em São Paulo.

Para mais informações sobre o show no Brasil e compra de ingressos acesse o endereço: http://bit.ly/2ottBb9

Uma experiência além da música

O jornalista Erick Tedesco nos ajudou no contato com o Matgaz, baterista do Mars Red Sky, banda de stoner da França. Perguntamos como ele enxergava a importância do Brant Bjork para o stoner. Dias depois, recebemos a resposta de Matgaz. “Escuto Brant Bjork desde o início dos anos 2000. Ele é para o stoner rock o que John Lee Hooker é para o blues, ou, o que Miles Davis é para o jazz. Sem dúvida, Brant Bjork é um dos pais fundadores do desert/stoner rock”, disse.

A Mars Red Sky surgiu em 2007, na cidade de Bordeaux, e conta com quatro álbuns até o momento. O mais recente foi lançado neste ano e se chama The Task Eternal. Ouça o álbum clicando AQUI.

Já para o Flavio perguntamos quais álbuns ele recomendaria para alguém que não conhece o trabalho de Brant Bjork. “Sem dúvida o Jalamanta na carreira solo. Com o Kyuss o Blues for the Red Sun e, com o Fu Manchu, o The Action is Go. Esses três são um bom início para quem ainda não conhece o trabalho dele”, explica.

O impacto do gênero stoner na carreira de Cavichiolli é uma demonstração das experiências que a música pode proporcionar. E no caso do Brant Bjork, a sensação ao ouvi-lo foi praticamente física. “A sensação foi de ter fumado um baseado gigante, meio que encontrei o som que eu gosto. Essa praia do stoner/Sabbath anos 70 sempre foi minha paixão. Lembrando que isso aconteceu pós Nirvana”, resume Flavio que contou um pouco mais sobre a sua outra banda, a Weedevil, e que seguirá também pelo gênero stoner. “Estamos em processo de composição e em breve vamos lançar nosso primeiro EP pela Abraxas Records”, encerra.

O show do dia 17 de outubro irá contar com participação do Sean Wheeler, convidado especial de Bjork nesta turnê. Wheeler ficou muito conhecido na década de 1990 como vocalista/ guitarrista do Throw Rag, mas possui uma discografia que começou a ser moldada ainda nos anos 80.

No Spotify foi criada uma playlist especial com as músicas que percorrem a carreira do Brant Bjork. Ouça acima ou clicando AQUI.

Flyer do show do Brant Bjork em São Paulo – Arte por Cristiano Suarez

SHOW DO BRANT BJORK NO FABRIQUE/ SP

Quando: 17 de outubro
Onde: Fabrique Club – Rua Barra Funda, nº 1071 – Barra Funda/ SP
Entrada: R$ 120 – adquira pelo site Pixel Ticket ou compre diretamente na Locomotiva Discos (rua Barão de Itapetininga, 37 – Loja 8 – República)
Horário: Abertura dos portões às 19h
Censura: 16 anos
Para mais informações acesse a página do evento AQUI.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop