segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Nada Pop

Confira as perguntas do Nada Pop não respondidas pelo rapper Dexter

Dexter é um rapper com uma história bem pesada, mas que ao mesmo tempo conseguiu superar todas as dificuldades e se tornar um dos principais nomes do país no gênero.

A experiência dos 13 anos que passou preso, ou como prefere dizer privado de sua liberdade, é compartilhada nas letras, shows e eventos que participa. Antes da carreira solo, ficou conhecido com o grupo 509E que fundou dentro do sistema prisional nos anos 1990. Músicas como “Saudades Mil” e “Oitavo Anjo” causaram uma repercussão gigantesca do grupo e seu nome.

Seu nome, aliás, é Marcos Fernandes de Omena, mas seu apelido Dexter foi inspirado no filho de Martin Luther King Jr, Dexter Scott King, e tem o significado de correto, direito, sagaz e ligeiro. Segundo o rapper, em sua biografia, essas são qualidades indispensáveis para sobreviver na periferia.

Em setembro deste ano foi divulgado o seu segundo álbum solo intitulado “Flor de Lótus” com 14 faixas. O trabalho traz participações de Ed Motta, Edi Rock, Gilson, Katinguelê, Péricles, Gregory, Kamau, entre outros.

O nome do álbum inspirado no simbolismo da flor de lótus, que cresce em busca de luz e se mantém viva e bela mesmo crescendo na água parada e lodosa.

Fomos contatados pela assessoria de imprensa do rapper para divulgação do disco, aproveitamos para encaminhar algumas perguntas, mas até o momento (depois de dois meses) não recebemos retorno. De qualquer forma, continuamos admirando o trabalho do Dexter e as perguntas que fizemos seguem abaixo.

Para ouvir o álbum Flor de Lótus: Spotify | iTunes | Google Play | Deezer | YouTube

ENTREVISTA DEXTER (ou melhor, perguntas feitas ao rapper)

NADA POP – Na faixa “Não Vejo Nada” você faz uma crítica a ostentação e aos discursos vazios que não agregam nada ao cenário do Hip Hop. Qual o verdadeiro mal que essa ostentação pode causar para os jovens e, principalmente, para a periferia?

DEXTER:

NADA POP – Você sempre traz a memória o seu período de reclusão, ou exílio, como demonstração que o crime não compensa. Esse aprendizado foi obtido pela dor, como você também canta. Como você enxerga o Dexter antes e depois desse período e qual o papel do Hip Hop em sua transformação pessoal?

DEXTER:

NADA POP – Em “O Destino do Réu” você fala um pouco das condições prisionais pelas quais você passou e muitos outros passam. Pelo seu conhecimento, o nosso sistema prisional tem algum interesse na recuperação e reinserção de presos à sociedade? Como você enxerga isso?

DEXTER:

NADA POP – Seu novo álbum, assim como nos outros discos, conta com muitas participações especiais, entre elas o Ed Motta. Como surgiu o contato e qual a sua impressão pessoal sobre esse artista?

DEXTER:

NADA POP – Houve um tempo em que o rock no Brasil se posicionava de forma mais contundente diante de questões políticas e sociais. Atualmente é o RAP que assume esse papel, falando de forma nua e crua dos nossos dilemas. Em algum momento você já se questionou se ainda vale a pena continuar falando desses assuntos? Qual o impacto que você consegue ver da sua música na vida de outras pessoas?

DEXTER:

NADA POP – Uma pessoa pode ter a sua liberdade, mas seu pensamento e atitudes podem estar presos por diferentes motivos (sofrimento, egoísmo, consumismo etc.). Nesse sentido, você se considera completamente livre? E o que te ajudou, além do Hip Hop, para essa liberdade ou para busca dela?

DEXTER:

NADA POP – Vivemos um momento político muito polarizado no país, mas uma onda crescente vem se destacando pelo conservadorismo, com muitas das opiniões sendo reacionárias e até fascistas. Parte dessas opiniões mais conservadoras vem de uma população considerada classe média, proletária. Você concorda com essa afirmação? Há realmente uma parcela da nossa periferia que verbaliza em favor do status quo? Qual o motivo disso em sua opinião?

DEXTER:

NADA POP – Tempos atrás o site UOL publicou uma entrevista com você distorcendo sua fala e o associando a facção criminosa PCC. O quanto esse episódio o prejudicou e qual a sua impressão sobre a grande mídia no país?

DEXTER:

NADA POP – Dexter, agradecemos o papo. Deixo aqui esse espaço para você mandar a sua mensagem.

DEXTER:

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop