sábado, 14 de novembro de 2020
Nada Pop

Blear: “Don’t wake me up make me win”

Antes de ler (ou durante a leitura), ouça a música que gerou essa resenha clicando AQUI.

monday is a lazy day
there’s the world outside but i’ll stay away
raining and cold as hell
my bed has kidnapped me and I’ll sleep again

just five more minutes
I promise I’ll wake up
I need that dream again
the one where I always win

don’t wake me up
make me win

mosquitoes let me be
one more bit and I’ll set your soul free
neighbors stop the fuzz
shouting out loud won’t bring your night again

 

Blear é uma banda de São Paulo e que lançou recentemente o seu primeiro álbum cheio. São 9 faixas de shoegaze e grunge atreladas ao clima cinza da cidade e histórias cotidianas. Um belo disco de uma bela banda. Há tempos que esse álbum era aguardado, pelo menos pra mim, que os conheço há algum tempo e fui um daqueles que compraram a ideia, lá em 2013, com o lançamento do single “Melting Sun”. É provável que eu tenha sido o primeiro cara a fazer uma matéria sobre eles, contando a história da banda de forma mais aprofundada por assim dizer. O título dessa entrevista era “Blear: histórias de amizade, cachaça, torresmo e beijo grego”. Leia AQUI se tiver interesse.

Expectativas são sempre uma merda. Joga-se uma pressão muito grande em bandas que não tem a menor obrigação de agradar – a não ser a própria banda. Você tenta ir com calma, pode até se preparar para o pior. Se o disco foi ruim, azar, uma pena, acontece. Quem sabe o próximo não seja melhor? Mas aí, quando as expectativas são atingidas e até superadas, algo acontece e sua conexão com a banda se torna instantânea. Todas as faixas do novo trabalho da Blear se destacam e apresentam uma banda ainda mais segura do que está fazendo, que te guia pela mão e diz “vem com a gente!”.

Seus pés ficam sem chão, você tenta encontrar similaridades com outras bandas e sons que possam dar algum suporte e contribuir para que sua experiência com o headphone possa ser explicada de alguma forma. É o caminho lógico da razão, mas quem disse que precisa ter razão? Você passa pelas canções “Broken Mirror”, “Fuck Me”, “Sometimes I Guess”, “Catarro”, “Bathroom”, “Kiss and Say Goodbye”, “Papacu” e “Snake lice” submerso pelas distorções, sussurros e gritos que reorganizam a mente para uma apreciação metafísica com significados distintos dependendo da bagagem que cada um leva em si.

Não citei a faixa “Monday”, pois seria a certeza de que não daríamos o destaque merecido para uma das mais belas canções dos últimos anos. É a canção do meu dia-a-dia, que me faz enxergar asas nas costas de outras pessoas, que me transmite a vontade de acreditar que mesmo tudo estando uma merda, existe algo maior do que a nossa simples realidade. É minha viagem particular para outro universo e sem precisar fumar uma paranga. É a música que ouço à caminho do trabalho, no trem e metrô cheios.

Blear superou as minhas expectativas, mas isso já era esperado.

O álbum foi gravado no estúdio Subway, entre junho e julho de 2014, pelo Bruno Pinho e Gustavo “Inca”. A única exceção é a “Snake Lice”, que foi gravada ao vivo no Subway, em 2013, pelo Billy Comodoro. A mixagem e a masterização foi realizada no estúdio Aurora, por Billy Comodoro, entre fevereiro e Maio deste ano. A capa do trabalho é do Erick Alves, guitarra e vocal da Blear. O álbum é mais um lançamento da Howlin’ Records que tem focado suas forças em lançamentos de grande qualidade e que estão escrevendo história e trazem um novo nível para a música independente.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop