terça-feira, 25 de janeiro de 2022
Nada Pop

Por que tem tanto “punk” machista/ homofóbico/ racista/ babaca?

Por Querolx

As redes sociais se transformaram em grandes vitrines, postamos o que gostamos, o que queremos e quando queremos; criamos métodos de marketing pessoal pra alcançar um maior número de curtidas e visualizações; nos expressamos por meio de fotos, vídeos, GIFs, textões e criamos conteúdo diariamente, que pode (e provavelmente) será usado pra que sejamos rotulados (ainda que, nós mesmos o façamos).

Observando essa vitrine de rostinhos conhecidos percebo a ENORME diferença de discursos (ainda mais com a atual política brasileira) de grupos que, por mais que sejam diferentes, se posicionam (teoricamente) contra as mesmas coisas.

A forma de expressão desses grupos é, obviamente, diferente e é isso que faz do nosso país tão rico, uma mistura de culturas, ideias e grupos. É um lugar que tem punk, bossa nova, hardcore, capoeira, MPB, grafitti, etc etc. O que incomoda é que esses grupos consigam ser tão separados.
Por que tem artista que desvaloriza o outro? Por que tem músico que diz que só seu estilo é válido? Por que tem homem que desvaloriza mulher e hetero que desvaloriza gay etc etc etc ? Por que pregamos mais ódio que uma mensagem fortalecedora de união?

PORRA ENTREI NESSE SITE PRA VER NOTÍCIAS PANQ HARDCORER E NÃO PRA OUVIR PALESTRA!

anticorpos

Anti-Corpos – Crédito: Yanna Medeiros

A m i g o, cê já parou pra pensar que talvez o motivo de todas as suas reclamações a respeito da ~ cena ~ sejam na verdade sua culpa? Você acha que os shows não estariam mais cheios, que não estaria rolando mais zines, bandas, coletivos, etc se ao invés de separar tudo, fosse na verdade uma coisa só?

VAI ME DIZER QUE VOCÊ ACHA QUE SÓ OS PUNKS FAZEM ZINE? OU SÓ OS HC QUE FAZEM SHOW COM GERADOR?

Amigo, por favor, né?

Cê tem noção do tamanho do movimento queer? Cê tem noção do tamanho do movimento feminista? Cê tem noção do que essa galera faz de INCRÍVEL ou você só conhece o universo branco heteronormativo do hardcore?

Depois de uma festa muito loka numa boate de strip com show de uma banda de bolero e teatro fiquei surpresa quando me venderam uma zine, maravilhosa e incrível. Uma travesti completamente fora de qualquer padrão imposto começa a trocar maior ideia comigo sobre esses rolês, feiras de zine, shows, protestos diferentes.

Uma festa performática num subsolo abandonado, música loka ao vivo, DJ, roupas e pessoas diferentes. Qual a diferença dos shows que você frequenta? Por que se acha TÃO melhor? Por que posta GIF machista, foto com mensagem de homo/lesbo/transfobia, por que às vezes você nem sabe o que é isso?

As pessoas tendem a ficar tão acomodadas, é tão fácil curtir HC desde os 16 anos e chegar nos 30 sem nem ter ido atrás de outra coisa. É tão comum se sentir ameaçado quando vê outras culturas e formas de expressão e muito mais fácil simplesmente diminuir o diferente.

Você se acha superior que os outros porque só conhece as suas próprias ideias, seus métodos, tudo de acordo com o que você conhece, só que você não conhece quase nada.

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Sobre o autor

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8 Comentários

  1. Júnior disse:

    Eu não entendi muito do texto, acho que você colocou bastante da sua visão pessoal. Talvez em ver determinado grupo agindo de uma forma que exprimisse alguns valores e então trouxe essa revolta pro texto, mas acabou que não explicou pros “aéreos” o que tava acontecendo hahaha.

    Mas sim, tem muito machismo, homofobia, racismo e etc, e não é nem questão de ser só no hardcore. Acho que NA INTERNET é o problema. Tem um grupo no facebook em específico (acho que se chama HC PUNK Brasil, não sei bem) que é um ninho de trolls e babacas querendo agitar apenas a própria imagem.

    Sobre identidade, acho que todos nós nos identificamos com determinadas partes do submundo. A galera do pagode não costuma ir num show de hard core, mas iria à convite. O mesmo vice-versa.
    É importante separar o que é você se fechar junto com sua “tribo*” e fortalecer o movimento de “discriminar e desmerecer o movimento alheio”.
    (*essa palavra é tão Rede Globo 1998)
    A identidade é algo importante, não é de forma nenhuma limitadora. O que limita é a mente humana. Tem muita gente salada de fruta, eclética, que tem a cabeça super fechada.

    Moleque, cresci na cena hardcore e foi ela que me formou quem eu sou hoje. Mas adulto, virei antítese disso. Faço parte de um grupo de arte multimídia experimental. Arte em si já é uma cena elitizada pra cacete, vocês todos devem saber disso. Não dispenso nenhuma das duas cenas das quais faço parte, mas se me perguntar onde tá a minha identidade, ela tá lá, no hardcore. Isso é algo que não vai mudar nunca.

    Grandes abraços!

  2. Brennan disse:

    Galera, na moralzinha, vamo por a mão na consciência e ver que tudo que a menina falou é a mais pura verdade. Quantas vezes já não se viu gente da cena criticando outro tipo de música? quantas vezes tu não fez isso? quantas vezes eu não fiz?
    É bem verdade que há estilos de música que eu nao curto, mas eu fui lá e conheci o basicão antes de assumir essa posição.
    Mas metade das pessoas se nega a fazer isso, é muito fácil comprar aquele livro, o Dance Of Days e ler de uma sentada só pq é uma coisa que a gente ama, é algo que a gente quer entender. Mas nao custa sair da zona de conforto e olhar na internet mesmo sobre a luta LGBT, sobre outros movimentos de música que nao o HC/punk.
    Sei lá cara… Geral paga pau pra homem e nao assume isso.
    Varias mulheres reconhecidas nacionalmente se pocisionam a respeito disso, desde o “emo” com a Carox, até a vocalista do Manger Cadavre. É loco que pela internet todo mundo apóia elas, mas em show age igual a galera que criticaram.
    Que bandas cujos membros são abusadores tão sempre nos roles, gravam disco, lotam casas, ninguém fala.
    Mas essa moça abre a boca pra falar algo de extrema relevância vocês criticam como se ela tivesse falando coisa boba.
    As cenas tem que se articular. Nao existe “underground” se for só um monte de panelinha.
    E btw, me poupem com esses preconceitos, balada não significa alienação. Nao é pq tu ta extravasando as energias e se divertindo com eletrônica que isso é menos valido do que um straight edge num mosh ouvindo beatdown.

  3. Brennan disse:

    Galera, na moralzinha, vamo por a mão na consciência e ver que tudo que a menina falou é a mais pura verdade. Quantas vezes já não se viu gente da cena criticando outro tipo de música? quantas vezes tu não fez isso? quantas vezes eu não fiz?
    É bem verdade que há estilos de música que eu nao curto, mas eu fui lá e conheci o basicão antes de assumir essa posição.
    Mas metade das pessoas se nega a fazer isso, é muito fácil comprar aquele livro, o Dance Of Days e ler de uma sentada só pq é uma coisa que a gwnfw ama

  4. Alex disse:

    Suas ideias são confusas ,você ao criticar outros acaba dando a entender que só a o seu ponto de vista é correto ,cada curte o que quiser e o show continua….Vida Longa…Paz…

  5. Malheiros disse:

    Mandou bem

  6. Jeff Hyman disse:

    Querida Carol,

    Pesquise aí, no google, as palavras-chave: “aborto elétrico”; “wayne county”; “new york dolls”.

    Talvez seja a pseudocena que você conhece que tenha esses problemas aí, de machismo e homofobia. Com certeza absoluta a cultura punk e hardcore são exatamente o contrário do que escreveu.

    Pelo que eu entendi você conhece só os playboys poseurs né?

    Abraço,

    Jeff

    • Nada Pop disse:

      Jeff, tudo bem? É o Maurício falando. A cultura é punk e hardcore, mas o cenário é feito de pessoas. Essas mesmas que muitas vezes podem ter atitudes não condizentes com a filosofia dessa cultura. Já que você falou em pesquisa, vá no Google e busque pelo caso Kings. Ou até mesmo faça uma busca por “machismo nas subculturas”. Até!

  7. Helson Luiz disse:

    Eu acho que a internet dividiu o público entre o os frequentadores, que são os caras que colam em shows e vivem o que realmente acontece no punk e o público de internet que pesquisa tudo, se acha superior por saber o número do CPF do baterista de uma banda punk mas só cola em balada cara com gente fútil.
    O público de internet costuma reclamar de tudo e não tem coragem de reclamar no rolê. Talvez não tem coragem nem de ir pro rolê.

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