terça-feira, 29 de setembro de 2020
Nada Pop

Crônica ~ Me, myself and my microphone, por Rafael Moralez

1 – Punk rock anarco – Fanzines xerocados, cachaça corote, conversas desconexas contra o sistema. É curioso por 16 minutos, depois disso você já tomou contato com todo seu universo, vaza que é melhor.

2 – Punk Rancid tachinha: Produzidinho quer sucesso e é limpinho, as mina curte, dá pra tocar no aniversário de 15 anos. Mais imagem que som e revolta. Na verdade nem tem revolta.

3 – Metal satanic blood hell: Pentagrama, festivais com aparelhagem ruim, mas são tr00, não importa ter sucesso, mas sim conhecer uma banda da Islândia que só três pessoas tem a fita K7 demo, sendo que duas delas são os próprios membros da banda a outra caiu na sua mão por acaso. Tem uma dissidência que são os Bléqui Metau, esses andam em “horda”, bebem sangue de bode no cemitério e pintam a cara de branco… …nasceram em São Roque, mas curtem a vida como se estivessem todos na Noruega ou Islândia (aquele lugar das bandas com fitas K7 demo de 3 cópias). Tem problema não, geografia não é o forte da rapaziada!

4 – Metal shampoo: Cabeleira condicionador, tudo virtuose, bons instrumentos, mas a aparelhagem nunca é suficiente e sempre tocam cover de Iron Maiden achando que vão fazer sucesso. As bandas geralmente tem um tecladista, às vezes dois tecladistas… …por que não três tecladistas, se quatro tecladistas é o ideal. Se tiver cinco tecladistas dá pra fazer cover de Roupa Nova, a banda que tem seis tecladistas e um baterista que canta. Mas os Metal Shampoo vivem numa atmosfera medieval, mesmo tocando em Diadema num calor de 43°… …nunca viram neve na vida.

5 – Metal soco na cara – Agressividade, porradaria, tem fãs fiéis que depois do show vão dar tapinha nas costas da banda. É tipo um “vou-bater-pá-tu-pá-tu-bater-pá-tua-patota”. No meio sempre aparece uns cabeça fraca meio nazi ou coisa assim… …que se foda esse povo!

6 – Hardcore sinceridade amizade – Corrente de bolinha na carteira, ainda pensam que podem mudar o mundo tocando rock levinho-rapidinho e deixando de comer carne. As vacas agradecem. Mas a cantoria é uma choradeira sem fim e muita amizade junta nos shows… …fico imaginando esse povo com 50 anos de idade, All Star cano baixo no pé e ouvindo Pennywise ainda… …em Londrina tem um criame desses aí!

7 – Nü metal – Coloca uma máscara e sai por aí, tocando baixo como se fosse berimbau. Todo mundo é fã do Igor Cavalera que é o baterista mais farofeiro do metal. É o tipo do som que se você for na plateia e perguntar, ninguém conhece Black Sabbath!

8 – Gente que vive em outro mundo – Bandas tipo Cachorro Grande, todo mundo fantasiado de inglês achando que estão em Londres no ano de 1960. É como querer ser esquimó em Belém do Pará, não dá, compreende! Não é possível! Você já nasceu e é brasileiro em 2016… …NADA vai mudar essa realidade!

9 – MPB gratidão – Tipo Los Hermanos, não vão ter um novo Tom Jobim e Vinícius de Moraes, mas tão aí na parada, qualquer coisa que acontecer tá valendo pra eles. Tem uns espécimes tipo Marcelo Jeneci que é pavoroso… …fui vizinho dele, o cara começava a ensaiar 01:00 da manhã… …porra vai dormir brother!!! Ficando lá longe e não enchendo o saco, por mim tá limpo!

10 – Reggae – Pode começar a tocar que eu só vou chegar mais tarde!

11 – Jazz – Já foi o tempo em que eu parava pra ouvir um cidadão esmerilhar 400 notas por segundo numa guitarra lá na calçada da Teodoro Sampaio sábado à tarde. Ficava um povo chupitando cerveja na frente da finada loja Matic e uns músicos tocando. Prefiro ficar no balcão tomando cerveja. Há quem goste! A Teodoro Sampaio hoje é uma piada de mau gosto, depois explico melhor!

12 – Samba – Cerveja, chopp, chopinho e uma cachacinha. Tem que mostrar os dentes. É legal porque sempre tem mulheres muito graciosas dançando, e é lindo de assistir toda sua elegância e beleza. Mas sempre tem também um bando de mala bêbado falando alto pra caralho e perguntando “Ow cê gosta de rock né!??”… …não, eu gosto da tua irmã!

13 – Música eletrônica: Tum, diss, tum, diss, tum… …chapado de anfetamina dá pra aturar até Enya… …não dá não. Essa eu passo!

14 – Rap: Existem dois tipos: 1) Raps emocionantes – já falei deles em outra crônica, são emocionantes, emocionam e para cantar você precisa ser um rapper emocionado. Hoje tá fácil de encontrá-los. 2) Rap da quebrada: Treta, tiro e sangue, papo reto, tem que ter o proceder. Se alguém souber como funciona esse proceder me explica, valeu!? Tenho um amigo que morava no Alto de Pinheiros, publicitário bem de vida, carro, apto, baladinhas Vips e suquinho de maçã, mas ele curtia falar que “Lá na quebrada!”… …quebrada no Alto de Pinheiros??? Não fode mano!

15 – As minhas bandas: Minhas bandas são o suprassumo do bom gosto, elegância e sensatez. Simplesmente sensacionais e extremamente criativas as músicas são tocadas com perfeição e dificilmente você vai ouvir algo melhor em toda sua vida… …TODA SUA VIDA… …ENTENDEU!!!

(Esse texto contém ironia, sarcasmo e um tanto de informação inventada. Então antes de bater aqui na porta de casa com sua horda metáu ou com o violão da MPB pra sair na porrada tenta usar seu senso de humor… …ou cola aí!)

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*Rafael Moralez é músico, ilustrador e autor da série Peixe Peludo. Conheça seu blog de ilustrações clicando AQUI.

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Sobre o autor

Rafael Moralez

Rafael Moralez é músico, ilustrador e autor da série Peixe Peludo. Conheça seu blog de ilustrações: https://moralezrafa.wordpress.com/