segunda-feira, 21 de setembro de 2020
Nada Pop

#021 – Os 10 álbuns de Tulio DFC (Distrito Federal Caos)

Tulio, do DFC. Foto arquivo pessoal

Ele, um dos atletas brasileiros mais bem sucedidos no salto em altura no palco, é especialista nos repertórios de 70 e poucas músicas em 35 minutos, desde 1993 nos vocais do Distrito Federal Caos, vulgo DFC, banda das mais importantes do cenário hardcore/crossover nacional.

O Nada Pop tirou a metralhadora vocal com mira a laser de Tulio por alguns minutos e o enviou em uma missão suicida: escolher os 10 álbuns que mais o influenciaram!

Tragam as crianças para a sala, pois se elas ficarem curiosas sobre esses petardos ainda existirá esperança de dias melhores para a humanidade!

01 – Kiss – Creatures Of The Night (1982)

Esse foi o primeiro disco de rock que entrou em minha casa, logo depois do Kiss tocar no Brasil em 1983. Eu era uma criança e para quem estava acostumado a ouvir a Blitz, o Ritchie e o Piu-Piu de Marapendi nas rádios, aqueles caras fantasiados e pintados, vomitando sangue, cuspindo fogo com um baixo em forma de machado e uma bateria que era um tanque de guerra; faziam com que aquele som aparentemente “leve” para os dias atuais soasse como o hoje soa o Immortal. A bateria de “I Love It Loud” e o riff de “War Machine” ainda hoje arrepiam os pelos do braço…

01 - Kiss (1982)

02 – Garotos Podres – Mais Podres Do Que Nunca (1985)

Foi o primeiro disco de punk rock que ouvi e aquilo mexeu comigo de uma forma definitiva. Músicas como “Eu Não Sei O Que Quero”, “Insatisfação” e “Vou Fazer Cocô”, além da clássica “Papai Noel Velho Batuta” eram simples e diretas, mas ainda assim agressivas. As letras falavam de uma realidade que até então eu não enxergava em um Brasil em crise, recém saído de uma ditadura militar. Algumas das músicas foram censuradas e tiveram suas letras adaptadas. Depois de muito tempo li que o disco foi gravado utilizando uma guitarra com duas cordas e o baixo com uma única corda. Isso é incrível!

02 - Garotos Podres (1985)

03 – Ratos de Porão – Crucificados Pelo Sistema (1984)

Eu devia ter uns 12 anos e aprendemos a fazer serigrafia para levantar um troco. Algum amigo do meu irmão apareceu com o LP “Crucificados Pelo Sistema” e queria uma camiseta com o desenho da capa. Quando ouvimos o disco foi um choque total. Nunca tinha ouvido nada sonoramente tão agressivo. Nas primeiras musicas “Morrer” e “Caos” eu mal entendia o que o Gordo cantava. Era tudo rápido e curto. A distorção parecia uma serra elétrica com microfonias. O baixo demolindo tudo na palhetada e a bateria martelando na condução completaram para mim a perfeição. O preço cobrado pela camiseta foi poder gravar o disco numa fita cassete.

03 - Ratos de Porao (1984)

04 – Coletânea SUB (1983)

Eu e meu irmão queríamos mais discos de punk rock, mas não tínhamos dinheiro. Tivemos a brilhante ideia de surrupiar uns discos antigos de MPB do meu pai, tipo Roberto Carlos, Caetano Veloso e levar num sebo para trocar. Juntamos onze discos e fomos até a loja “Sebo do Disco” na inocente esperança de trazer onze discos de punk rock para casa. O que conseguimos foi vender todos os discos por CZ$250 (duzentos e cinquenta cruzados) o que nos permitiria levar um único disco, caso inteirássemos mais CZ$20 (vinte cruzados). Diante da frustração do negócio e da difícil escolha a fazer, decidimos levar a coletânea SUB porque trazia Ratos de Porão, Cólera, Psykóze e o excelente Fogo Cruzado e também porque tinha muitas musicas. Ouvi esse disco o dia inteiro durante muito tempo e ainda ouço. Ele vale mais do que 11 mil discos de MPB.

04 - Sub (1983)

05 – Dead Kennedys – Fresh Fruit For Rotten Vegetables (1980)

Nas revistas eu lia matérias de bandas punks como os Sex Pistols, Ramones e o The Clash, que eu também gostava, mas foram os Dead Kennedys com o disco Fresh Fruit For Rotten Vegetables que me deixaram louco. Um disco de vinil branco, com um encarte de uma colagem do tamanho de um poster, retratando os absurdos do mundo moderno. “Kill The Poor”, “California Übber Alles” e outras traziam letras políticas com um sarcasmo único que eu tentava entender traduzindo palavra por palavra no dicionário inglês-português numa era pré-internet. É uma gravação sensacional com um baixo meio jazz tocado igual punk e uma guitarra que consegue ser agressiva quase sem distorção.Tudo muito veloz,quase sem intervalo. É impossível ouvir uma musica só ou parar o disco na metade. Muita energia e revolta.

05 - Dead Kennedys (1980)

06 – D.R.I.- Dirty Rotten LP (1983)

Na busca por sons mais rápidos e agressivos me deparei com esse disco. O soldado caveira na capa, o arame farpado e a contracapa com 26 musicas listadas durando segundos, criaram em mim uma certa expectativa. Coloquei o disco e começa a bateria marcada de “I Don’t Need Society” com um baixo podrão me preparando para um grito que dá inicio a uma porradaria interminável. Hardcore curto e grosso. Era tudo o que eu queria ouvir. Não se trata da melhor qualidade de gravação do mundo, mas a espontaneidade e a criatividade das músicas dentro de um estilo bem barulhento faz tudo ser perfeito. Eu escutei tanto esse disco que sabia até a duração dos intervalos entre as músicas.

06 - D.R.I. (1983)

07 – S.O.D.- Speak English Or Die (1985)

Esse foi provavelmente o primeiro disco de Crossover que eu ouvi. Gravado em 1985, Billy Milano e os metaleiros do Anthrax fazendo o casamento perfeito entre o Hardcore e bases Thrash Metal. A pesadíssima “March Of The SOD” abre o disco apresentando timbres de guitarra e baixo incrivelmente devastadores, mesmo quando comparados aos de gravações mais atuais. O disco segue com “Sargent D”, “Kill Yourself”, “Milano Mosh… só paulada, uma atrás da outra entre zoações e músicas que duram poucos segundos. Não tinha jeito de não gostar.

07 - S.O.D. (1985)

08 – Coletânea Welcome To Venice (1985)

Sempre que ia a São Paulo nos anos 90 eu vasculhava as lojas de discos da Galeria do Rock em busca de preciosidades. Um dos que eu mais procurava era o LP do No Mercy – “Widespread BloodShed… Love Runs Red” e na busca dele, me deparei com essa coletânea de 1985 que até então eu nem sabia que existia. A primeira música do lado A já traz uma musica fantástica e inédita do Suicidai Tendencies: “Look Up… (The Boys Are Back)”. Logo depois duas ótimas canções do Beowulf e o Los Cycos na musica “It’s Not Easy”, com o Mike Muir no vocal e posteriormente gravada pelo ST. O lado B começa com o procurado No Mercy, sem o Mike Muir no vocal, mandado mais dois sons. Para fechar o disco, três musicas do maravilhoso Excel. Felicidade é pouco para descrever o que senti no dia em que comprei esse disco. Grande parte da história das bandas de Venice Beach em sua melhor fase.

08 - Welcome To Venice (1985)

09 – Metallica – Kill’Em All (1983)

Depois de muito tempo sem ouvir metal, ouvi falar de um estilo chamado Thrash Metal que prometia ser um metal mais rápido, sujo e sem frescuras. Fui ouvir então o primeiro disco do Metallica. Pra mim, tinha uma veia meio English Dogs e de cara me impressionei com a precisão das palhetadas para a velocidade das músicas, numa época em que o Lars Ulrich ainda tocava bateria. Um mundo novo se revelou em músicas como “Whiplash”, “No Remorse” e “Hit The Lights” trazendo um instrumental bastante técnico, característico do Heavy Metal e soando como tal, mas remetendo também a agressividade e a espontaneidade que eu via no punk. Uma pena que esse espírito não se manteve por muito tempo na banda. Esse disco fez com que eu me interessasse posteriormente por bandas como Slayer, Anthrax, Sodom, Kreator, Exodus e Nuclear Assault que até então, eu odiava.

09 - Metallica (1983)

10 – Napalm Death – Scum (1987)

A arte da capa remete a algo punk/hc como Discharge mas ao colocar para tocar, após a agonizante “Multinational Corporations”, o que se ouve é o pau quebrando num Grindcore sensacional. Um motor de escavadeira, com bateria de britadeira e um vocal em pânico produzindo composições criativas e empolgantes como “Instinct of Survival”, “Control” e “Siege Of Power”. Um disco muito bom para se ouvir inteiro. É uma das bandas mais geniais de todos os tempos em todas as suas fases. Existe um disco do Napalm Death para cada momento da sua vida e esse foi o que deu início a tudo.

10 - Napalm Death (1987)

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Sobre o autor

Wagner Cyco

Wagner Cyco é guitarrista das bandas Mollotov Attack e Irmã Talitha, além de exímio guitarrista reconhecido pelo seu trabalho.