quarta-feira, 30 de setembro de 2020
Nada Pop

#019 – Os 10 álbuns de Mariângela Carvalho

Mariângela Carvalho – Foto arquivo pessoal

A bela ruiva rainha indie, agitadora cultural, apresentadora do Distúrbio Feminino e verdadeira riot grrrl Mariângela Carvalho pode não fazer parte de uma banda de rock, porém sua contribuição no cenário independente é tão importante quanto. Idealizadora do Free Noise e Noise Free, eventos que recebem bandas autorais na Associação Cecília, já pode ser considerado um dos eventos independentes mais legais de São Paulo.

Antes disso, por meio do Distúrbio Feminino, Mari nos presenteia com as melhores bandas de garotas do planeta, mais até, e como ela mesma diz, “fazer o rock de garotas tocar e destacar a importância das mulheres nas artes”. Foi com grande prazer que ela aceitou participar da nossa série que tenta desvendar um pouco das influências musicais das pessoas que fazem diferença no cenário independente. Enjoy!

#019 – Os 10 álbuns de Mariângela Carvalho

01 – RAMONES – PLEASANT DREAMS (1981)

Primeiro disco dos anos 80 dos Ramones anunciava mais swing e muita new wave. Era mais colorido, tão rápido quanto os primeiros, mas muito mais pop. Mostra o quão variado era o som do quarteto e que eles souberam, como poucas bandas realmente, aproveitar o talento para hits dançantes sem nunca deixar de ser punk rock. E isso é apenas um pouco do que faz dos Ramones a maior banda de todos os tempos. Encontro da contra-cultura com o pop, algo perigoso e improvável mas que foi impulsionado pela influência deles e deu certo. Difícil escolher um disco apenas, mas este com certeza é um dos mais ouvidos por aqui.

01 - Ramones

02 – BLACK SABBATH – PARANOID (1970)

Que disco incrível para te iniciar em “rock pesado”. O que o Sabbath fez em seus primeiros trabalhos é uma verdadeira escola para incitar riffs pauleiras com arranjos inteligentes. O estilo que eles criaram é realmente um mito, quebrou o rock de bailinho que rolava nos anos 60 e mostrou uma produção totalmente diferente vinda da Inglaterra – que até então criava um séquito de bandas mod. Virtuoso na medida, grave e encorpado, incitações ao ocultismo e obviamente a performance de Ozzy Osbourne fazem do Sabbath (e deste disco) um essencial.

02 - Black Sabbath

03 – NIRVANA – BLEACH (1989)

Para mim, tudo do Nirvana é importante, porém o debut Bleach é realmente o início de uma das melhores histórias do rock. O disco tem toda a verdadeira essência do Nirvana: punk rock (com letras depressivas mas super pegajosas) influenciado por heavy metal e por uma tal banda chamada Melvins. A guitarra única de Kurt Cobain e o combo certeiro de baixo + bateria gravados em fidelidade baixa por Jack Endino mudaram a produção musical dali pra frente. O que viria depois de 1989 definiu um novo mundo, onde o mainstream havia tombado e o underground o engoliu.

03 - Nirvana

04 – R.E.M: AUTOMATIC FOR THE PEOPLE (1992)

Uma discografia preciosa, R.E.M. tem muitos discos excelentes mas este é inestimável. Acho o setlist uma verdadeira obra artística de sensibilidade técnica, estética e lírica. Além do que, as canções de Michael Stipe são sempre inspiradoras e neste álbum elas estão ainda mais.

04 - REM

05 – BEASTIE BOYS – ILL COMMUNICATION (1994)

Como um power trio pode te abrir os ouvidos para gostar de cultura hip hop se você só ouve rock? Pergunte aos Beastie Boys. Conheci o som deles tardiamente em 99, vendo os clipes de Sabotage e Intergalactic na tv, mas foi o quarto álbum que mais me divertiu nesses anos todos. As variadas bases que eles usavam, de música indiana ao hard core (primeiro estilo feito por eles), sempre mostraram o quão inovador era o som dos Beastie Boys, do primeiro ao último lançamento. Ill Communication é uma grande viagem.

05 - Beastie Boys

06 – SHAMPOO – GIRL POWER (1996)

Shampoo foi um duo britânico com as garotas Carrie e Jacqui, e elas surgiram na onda do riot grrrl americano na primeira metade dos anos 90, mas dentro do cenário brit pop. Elas eram igualmente furiosas como as meninas de Olympia, porém tinham uma identidade visual bem plástica, que combinava com o synth-pop que faziam – apesar de ter umas guitarras bem metálicas. As letras são raivosas e destilam ordem feminina dentro de ambientes predominados pelo masculino e mesmo assim parecem hinos de cheerleader. Shampoo é o clássico tipo: ame-o ou deixe-o. Por aqui, é um dos de cabeceira.

06 - Shampoo

07 – WALVERDES – ANTICONTROLE (2002)

Vi o show deste disco antes de ouvi-lo e de saber quem eram os Walverdes. Foi em 2004 e o show me deixou surda e perplexa, era visceral de uma maneira que eu ainda não conhecia. Na sequência, fiquei bem viciada em Anticontrole, uma profusão de stoner rock com grunge e guitar. Patrimônio musical da nação.

07 - Walverdes

08 – FUGAZI – 13 SONGS (1989)

O disco que compila os dois primeiros EPs do Fugazi é um ato de revolução, assim como foi tudo que Ian MacKaye fez.

08 - Fugazi

09 – AS MERCENÁRIAS – CADÊ AS ARMAS? (1986)

Esse álbum marcou o underground nacional quando saiu em 1986 porque era protagonizado por um quarteto todo de mulheres que estavam tocando em alto estilo uma das maiores tendências daquela época, o post-punk. Cadê as Armas é hit depois de hit, com paulada na letra e nas composições, algo tão atual e visionário que continua a fazer diferença mesmo três décadas depois. Eu fui conhecer as Mercenárias já com uns 20 e tantos anos e a primeira vez que coloquei este disco para ouvir, ele tocou no repeat uma média dúzia de vezes logo de primeira – era algo que eu realmente precisava absorver. Depois disso, o disco e a banda se tornaram alegorias do poder feminino quando se faz rock no Brasil e, para mim, uma cartilha a estudar.

09 - Mercenarias

10 – PUJOL – UNITED STATES OF BEING (2012)

Daniel Pujol é um cara talentoso crescido nas garagens da cidade de Nashville, tendo como cenário a imensa herança da música country americana e da indústria fonográfica em si. Este trabalho é seu primeiro álbum cheio e atesta o que ele já mostrava em seus EPs anteriores: um rock sônico, que vai desde levadas punk rock a um noise pop criado por muitas guitarras com influências de hillbilly.. As letras são sem-igual e a composição de Pujol é bem sofisticada; ele é phd em Linguística e o estilo que deu às letras é algo bem peculiar. O segundo álbum também é primoroso e este ano, agora em novembro, ele lançou mais um EP. Para quem não conhece o trabalho dele, fica aí uma recomendação para ouvir.

10 - Pujol

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop