quarta-feira, 30 de setembro de 2020
Nada Pop

Som instrumental: O Grande Ogro

O Nada Pop, desde o seu início, tem me proporcionado a oportunidade de conhecer diversas bandas, estreitar o contato com outras e, principalmente, capaz de abrir a minha mente para todo um universo de música independente que existe ao nosso redor.

É claro que por vezes nos deparamos com bandas mais interessadas em aparecer e seguir o caminho mais fácil, aquele já trilhado por outras bandas e que no fim das contas, por não terem a audácia necessária para encarar a música do jeito que ela merece ser encarada, tais bandas acabam ficando para trás e sua existência se torna tão ignorada quanto a sua trajetória.

No entanto, outras bandas assumem para si toda a vontade e a necessidade que a música exige e não se escondem por trás de máscaras, exibicionismo barato e delírios que só os integrantes são capazes de entender. Desculpe a introdução longa, mas precisava chegar neste ponto para falar da banda O Grande Ogro.

Estou ouvindo a banda há quase uma semana, desde que recebi o material dos caras pelo e-mail do Nada Pop. Confesso que julguei a banda logo nos segundos iniciais que a ouvi. Não foi um julgamento de valor, mas de estilo. Ao comparar O Grande Ogro com a maioria das bandas que aparecem por aqui, o som dos caras pode destoar bastante. Além disso, o som instrumental do grupo é o primeiro a surgir do gênero em nosso site.

Mas algo me chamou a atenção na banda, caminhando pela rua indo em direção ao trabalho, com o EP deles tocando alto em meu fone de ouvido, sentia que a cada passo que eu dava, junto com a visão da paisagem cinza de São Paulo, combinava perfeitamente com a batida e a sonoridade da banda. Parecia a trilha sonora perfeita do progresso e do caos urbano que grande parte de nós vivenciamos diariamente. Imaginei naquele momento que não poderia ser apenas uma simples coincidência de música e ambiente.

Formada em 2011 em São Paulo, O Grande Ogro atualmente é formada por André Astro (guitarra), Gen Alves (baixo) e Cesar Jacó de Souza (bateria). O som instrumental da banda torna-se mais rápido e sujo em alguns momentos, em outras fica mais limpo e trabalhado. Talvez seja por isso que o som da banda possa combinar tanto com a cidade, numa viagem também visual entre as zonas mais periféricas e centrais de São Paulo. Espero não ter ido longe demais com essa linha de pensamento. Ou talvez seja bom assim.

Como não estou acostumado a ouvir bandas mais instrumentais, fiz uma pergunta para o grupo com o intuito de que eles pudessem responder as razões que os levaram a seguir por esse caminho, a resposta não poderia ser mais bacana. “Caímos no instrumental por acaso, falta de vocalista, mas daí ficou melhor e é difícil sair agora, viciou”, explicou Cesar. Quando a vontade de tocar é mais forte as desculpas não existem, nem a falta de um vocalista poderia impedir o grupo.

O Grande Ogro – Capa do primeiro EP da banda.

Ao ouvir o EP, lançado em 2013 e que recebe o nome homônimo ao da banda, é bastante nítido perceber influências de At the Drive-In e Fugazi, inclusive a introdução da música “Obcecado pela vida resolveu alimentar-se para não morrer” (sim, o título é esse) até me lembrou a “Waiting Room”. E isso foi bom. Já o nome da banda foi inspirado pela música “El Gran Orgo” do At the Drive-In. “Traduzimos (o nome) para nossos parentes entenderem”, explica novamente Cesar.

Gravado em um estúdio da Zona Leste, a arte de capa do EP ficou por conta do artista plástico Vermelho Steam. Existe até uma história sobre essa arte. “Temos um personagem que foi criado pelo Vermelho, pedi a ele para criar algo e ele veio com esse personagem. Dele fizemos o boneco grande onde sempre que tocamos deixamos em algum lugar no palco, e dele veio camisetas, capa e até mesmo um boneco em miniatura que a artista Suzana Gorreira fez pra gente”, diz André Astro.

Mais interessados atualmente em tocar, a banda não deixa de compor coisas novas. No entanto, um novo álbum ainda não está nos planos atuais do trio. “A meta e fazer alguns sons novos e logo lançar algo, mas não temos datas em mente, a ideia é tocar”, afirma André.

Quando questionados sobre como a banda poderia definir o próprio som para as pessoas que ainda não conhecem O Grande Ogro, não houve consenso entre eles (e nem precisava ter). Enquanto o Cesar resumiu o som do grupo como “rock instrumental” e o André como “InstruMetal”, a minha visão da banda ficou mais próxima do Gen Alves. O Grande Ogro é, pelo menos pra mim, “uma história sonora”.

“Mascote” da banda. Camisetas, adesivos e até chaveiro com o personagem.

Baixe o EP da banda clicando AQUI e descubra o que álbum poderá significar pra você.

Links de O Grande Ogro

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, editor e fundador do Nada Pop. Um dos organizadores do tributo ao SUB e apresentador do podcast Arte Inflama. Siga no Instagram: @nxdapop