domingo, 25 de agosto de 2019
Nada Pop

#046 – Os 10 álbuns de Natalia Pinheiro (Bioma, Dyke Fest e Festival Desviantes)

Natalia Pinheiro – Foto: Juliana Marotta

Comecei esse papo perguntando quem era a Natalia Pinheiro e se ela acreditava já ter encontrado todas as respostas que buscava dentro de si. Uma pergunta, possivelmente filosófica, que poderia resultar em diversas respostas diferentes. Natalia me pediu uns dias para responder essa pergunta, pois estava no meio da organização do Festival Desviantes, que tem como objetivo incentivar e valorizar a produção underground das minas. Natalia é fundadora do festival que está em sua terceira edição. O último evento foi realizado no dia 10 de agosto, na Associação Cecília, e contou com as bandas A Vida Toda Um Quase, Cosmogonia, Derrota, Hayz e Demonia.

Como combinado, Natalia dias depois respondeu. Me mandou uma mensagem no WhatsApp, me chamando carinhosamente de “migo” e contando que era de Osasco (SP), que cresceu escutando samba e pagode. “Acho que a coisa mais diferente que tinha em casa era um vinil do Jordy, que escutava em looping. Sempre fui de me atraí pelo esquisito e diferente, aí logo no começo da adolescência já tava ouvindo uns “rock”, fazendo uns zines, me apaixonando pela Avril Lavigne. Com uns 16 batia cartão na Verdurada e ouvia qualquer banda de hardcore/punk que me apresentavam”.

Nesse período dos 16 anos, sua sexualidade também acabou se tornando uma questão e saiu de casa. “Acabei deixando o hardcore no fone de ouvido e me envolvi com a militância lésbica e bissexual, que foi o espaço que me devolveu uma razão para continuar vivendo, construindo políticas públicas, organizando atos e ajudando outras meninas que tinham passado por coisas semelhantes”.

Há uns 4 anos, Natalia conseguiu terminar a faculdade, cursou letras, publicidade e design. Com um pouco mais de estabilidade na vida, finalmente conseguiu montar uma banda, criar os festivais que sentia falta na “cena” e fazer tudo aquilo que a sociedade tinha praticamente lhe virado as costas.

“Não tenho nem metade das respostas e nem faço questão disso, mas tenho orgulho de quem me tornei e de conseguir ajudar as pessoas fazendo o que eu mais amo que é ter banda e incentivando outras minas a ter bandas, festivais, zines ou qualquer outro projeto que ela acredite”, conta.

Além do Festival Desviantes, Natalia é vocalista da banda Bioma e organizadora também do Dyke Fest. Essa entrevista completa será publicada nos próximos dias aqui no Nada Pop. Enquanto isso, pedi para a “Natoka”, como também é conhecida, me contar um pouco sobre os álbuns que mexeram com a sua vida.

046 – Os 10 álbuns de Natalia Pinheiro (Bioma e Festival Desviantes)

01 – GAL COSTA – CARAS & BOCAS (1977)

Esse álbum rodou muito na vitrola de casa, minha primeira influência sem dúvida.

02 – CÓLERA – PELA PAZ EM TODO MUNDO (1986)

Quando esse álbum chegou na minha mão, tudo fez sentido! É só tocar os três primeiros segundos do álbum que já tô em um misto de emoção e revolta.

03 – DOMINATRIX – GIRL GATHERING (1997)

Conheci esse álbum no meu primeiro rolê pelo centro de São Paulo, foi a primeira referência de “banda de mina” que se preocupava com coisas que me atingiam diretamente como machismo e lesbofobia, um suporte importante na minha adolescência e onde a vontade de ter banda surgiu.

04 – TEAM DRESCH – PERSONAL BEST (1995)

Minha primeira referência queer. Amo as músicas e tudo que esse álbum representa. Quando comecei a usar a bike como meio de transporte colocava pra escutar pra chegar rápido nos lugares (crianças não façam isso! Pedalem com segurança).

05 – LIMP WRIST – SPUN (2001)

O show mais doido da minha vida e Fake Fags é um hino!

06 – NOSKILL – RECONSTRUIR (2009)

Som gritado, cheio de atitude e postura made in Brasil. Referência pesadíssima!

07 – RVIVR – THE BEAUTY BETWEEN (2013)

Esse álbum vai me tirar de qualquer bad, em qualquer momento.

08 – PUNCH – NOTHING LASTS (2011)

Perfeito! Acho esse álbum muito bem gravado, hoje em dia é a minha trilha sonora preferida pra pedalar (uma delas, na verdade) e uma referência pra Bioma.

09 – G.L.O.S.S. – TRANS DAY OF REVENGE (2016)

Volte e leia o que disse sobre o Punch, cabe aqui também. <3

10 – RENATA ROSA – ZUNIDO DA MATA (2003)

Gosto muito de música regional brasileira e esse álbum é incrível, mais pesado e político do que muita banda de punk e hardcore por aí.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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